Três novas exposições a visitar no MAAT que nos levam a pensar no futuro do planeta – Lisboa Green Capital 2020
-Notícias

Três novas exposições a visitar no MAAT que nos levam a pensar no futuro do planeta

Tempo médio de leitura: 7 minutos

“Aquaria – Ou a Ilusão de Um Mar Fechado”, “X Não é Um País Pequeno – Desvendar a Era Pós-Global” e “Earth Bits – Sentir o Planeta” são as novas exposições possíveis de visitar, a partir de hoje, 5 de abril, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa. As exposições propõem uma reflexão sobre o futuro coletivo, trazendo ao palco temas que, para Miguel Coutinho – administrador da fundação EDP, são “relevantes e muito críticos para os tempos em que vivemos [como a sustentabilidade e alterações climáticas]”, através das perspetivas dos diferentes curadores, artistas, arquitetos e designers.

Desta forma “estas três exposições marcam uma das temáticas mais importantes da atualidade que é a temática ambiental, seja a nível da transição energética, seja na parte da ação climática, seja na parte dos oceanos, seja também na parte social. Portanto abrimos com este sentido de missão, no que diz respeito ao debate, nesta etapa tão importante da história do mundo”, Vera Pinto Pereira, presidente da Fundação EDP

Earth Bits 

Esta exposição já fazia parte dos planos do MAAT e já estava, de igual forma, inserida na programação Lisboa Capital Verde, como nos diz o Vereador do Ambiente, José Sá Fernandes, “tudo isto estava para acontecer no ano passado. No ano 2020 Lisboa foi Capital Verde, um prémio que ficará para sempre. E esta exposição estava incluída nessa programação”.

Para Rosa Monforte, diretora-geral da ERP Portugal, recusar este desafio estava fora de questão “Não podíamos recusar um desafio destes! A arte será sempre uma forma de cultura e de comunicar que tem de estar sempre presente. E a cultura passa pela nossa sensibilização para estas causas. Será certamente uma exposição memorável.”

A mostra foi desenvolvida pelo estúdio de design dotdotdot, com a colaboração da Agência Espacial Europeia (ESA), da Agência Internacional de Energia (IEA) e o apoio da EDP Inovação e da Direção de Sustentabilidade do Grupo EDP.

A instalação descodifica as complexidades da ciência climática, centrando-se nos fenómenos antropogénicos e nas repercussões inerentes à crise ambiental — os dados são apresentados através de conteúdos digitais, vídeos animados e uma estação interativa. Assim sendo, esta instalação é uma viagem impulsionada por dados com apresentações gráficas e digitais, e uma estação interativa que comparam as saídas energéticas de ações individuais e coletivas a nível ambiental, desde o uso da energia ao estilo de vida.

Earth Bits é um projeto de dois anos. A sua segunda fase será lançada em março de 2020 com conteúdos atualizados e adicionais. Este projeto é viabilizado pela parceria continuada com a Novo Verde e a ERP Portugal (European Recycling Platform).

Aquaria 

Ou a ilusão de um mar fechado, conta com a curadoria de Angela Rui e pretende desafiar os visitantes a pensar sobre a relação da sociedade com o mundo marinho. “Aquários são dispositivos que organizam e representam a vida marinha, sistemas complexos que, no paradigma da modernidade e da urbanização, personificam a transformação da natureza em cultura, graças ao apoio da tecnologia e do capital.”

Em Aquaria, “a arte, o design e a arquitetura servem como instrumentos especulativos, salientando como a ideia moderna de viver fora da Natureza se tornou, hoje, um paradigma a desconstruir para contemplar uma nova forma de conhecimento que evoca novas formas de solidariedade e justiça, adotando mais do que perspetivas meramente humanas”, detalha Angela Rui, a curadora da exposição.

Desde o microscópico a uma escala transoceânica, o percurso da exposição desenrola-se através de 11 instalações que oferecem pontos de vista que servem para realçar de que modo foram as formas de compreensão do ambiente marinho outrora concebidas e que devem hoje ser repensadas.

A exposição mostra ainda um filme de Armin Link sobre os bastidores do oceanário de Lisboa, que examina a multidimensionalidade da arquitetura aquática, na qual as maravilhas da natureza são exibidas através de tecnologia escondida e bem orquestrada.

“X Não É Um País Pequeno” 

Esta mostra explora a nossa atual condição, observando em diferentes escalas – territórios, cidades, infraestruturas, plataformas, objetos – os processos de desglobalização e realinhamento geopolítico que, em muitos casos, foram acelerados e distorcidos em ciclos de fluxo e revisão em rápida evolução durante a atual pandemia.

A exposição inclui uma edição especial da obra “Teeter Totter Wall” do Rael San Fratello Studio, que reproduz um projeto instalado na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Em 2009, o arquiteto e designer Ronald Rael teve a ideia de criar um baloiço que atravessasse o muro construído na fronteira entre o México e o Estados Unidos. O objectivo era mostrar como, apesar de separadas, as pessoas conseguem encontrar maneiras para comunicar e interagir e até agir em conjunto. Em 2020, estes baloiços de cor rosa venceram o prémio Design do ano e, a partir de hoje, vai poder experimentá-los no maat até setembro de 2021!