Relatório Mundial de Desenvolvimento da Água das Nações Unidas diz-nos que é URGENTE agir – Lisboa Green Capital 2020
-Notícia Geral

Relatório Mundial de Desenvolvimento da Água das Nações Unidas diz-nos que é URGENTE agir

Dia 22 de março é o dia escolhido mundialmente para comemorar o dia da água, um dos recursos mais valiosos e que necessitam de preservação urgente. E foi com esse intuito que em 1992, no âmbito da Conferencia das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Ambiente, decorridas que no Rio de Janeiro, que se sentiu a necessidade de criar um dia que visasse alertar as populações e os governos para a urgência de preservar e poupar este recurso natural.

28 anos depois de se sentir a necessidade de criar um dia para reforçar a importância de protegermos este recurso, a ONU lançou um relatório que aponta que ,tanto os impactos quanto as causas de mudança climática, vão exigir mudanças maiores no que toca à maneira como utilizamos e reaproveitamos os recursos limitados da água na terra.

Esforços concretos para enfrentar o crescente stress hídrico e aumentar a eficiência no uso de água na agricultura e na indústria, são algumas das coisas pedidas no relatório. O documento pede também ações em três frentes: 

1 -Capacitar as pessoas a adaptarem-se aos impactos das mudanças climáticas;
2- Aumentar a resiliência dos meios de subsistência;
3- Reduzir o que provoca a mudança climática.

O Relatório Mundial de Desenvolvimento da Água, elaborado pela UNESCO juntamente com a ONU, dá aos tomadores de decisão o conhecimento de ferramentas para elaborar políticas hídricas sustentáveis e pede investimentos maiores, de forma a coloca-las em prática e conseguir enfrentar a insegurança hídrica e a mudança climática, duas das crises mais críticas que o planeta enfrentará nas próximas décadas. 

António Guterres, secretário-geral da ONU, na mensagem que deixou no Dia Mundial da Água, reforçou que todos temos um papel nesta “luta” e pediu para que as partes interessadas aumentem tanto as ações que são realizadas pelo clima como o investimento em medidas de adaptação firmes para a sustentabilidade hídrica.

António Guterres relembrou também que se limitarmos o aquecimento global a 1,5 graus Celsius “o mundo ficará numa posição muito melhor para lidar e resolver a crise hídrica que todos enfrentamos”.

“A água é o meio primário através do qual percebemos os efeitos da rutura climática, de eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, ao degelo glacial, intrusão de água salina e aumento do nível do mar”, afirmou Guterres.

Isto irá afetar tanto a saúde como a produtividade, assim como levar à instabilidade e conflito. Para Guterres, a solução é evidente: “Devemos aumentar urgentemente os investimentos em bacias hidrográficas saudáveis e infraestrutura hídrica, com aumentos dramáticos na eficiência do uso da água”. Guterres acrescentou que o mundo precisa antecipar e responder aos riscos climáticos em todos os níveis de gestão hídrico.

Para o secretário-geral, é necessário usar a COP26, para diminuir a curva de emissões e criar uma fundação segura para a sustentabilidade da água. A COP26, Conferência da ONU para a Clima, está prevista para novembro de 2020 em Glasgow, Escócia.

Audrey Azoulay, diretora geral da UNESCO, reforçou na sua mensagem que quatro biliões de pessoas em todo o mundo são forçadas a lutar contra a escassez de água, reiterando que a falta da mesma é uma crise global “Sem acesso sustentável para água, não conseguiremos alcançar objetivos como educação de qualidade ou desenvolvimento de sociedades mais prósperas e justas” afirmou.

“Dada a urgência da situação, a próxima década precisa ser de ação”, declarou a dirigente da UNESCO, Azoulay relembra também que o Relatório 2020 possui soluções para garantir o acesso a todos a água. Entre estas medidas encontram-se o melhoramento da gestão dos recursos hídricos, a mitigação de riscos relativos à água e um maior e mais fácil acesso a saneamento sustentável.

O documento, lançado em Paris e Genebra, reforça a urgência de agir. E os pedidos dos dirigentes da ONU  são para que os estados sejam mais concretos nos seus compromissos para lidar com este desafio, advertindo  também que a disponibilidade da água, tanto em quantidade como em qualidade, é afetada pela mudança climática, ficando assim os direitos básicos de biliões de pessoas comprometidos.

Este agravamento mundial, vai contra ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), 6, parte da Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável. Este ODS prevê que num prazo de dez anos, se alcance “o acesso universal e equitativo à água potável, segura e acessível para todos”, assim como “acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos”. No entanto, isto será um desafio tremendo pois, atualmente, 2,2 biliões de pessoas não têm acesso a água potável e 4,2 biliões não possuem saneamento básico – o que representa 55% da população mundial. 

A atual pandemia COVID-19, também foi referenciada pois a dificuldade de acesso a água limpa para consumo e higiene de biliões de pessoas ao redor do mundo, tem dificultado minimizar os números de casos.

O relatório mundial de desenvolvimento da água mostra também que a utilização de água no último século dobrou e que está a aumentar 1% anualmente. Também estima que a mudança climática, juntamente com a crescente intensidade e frequência de eventos extremos – secas, tempestades, irão agravar a situação nos países que já passam por um stress hídrico, levando a problemas similares em áreas que ainda não tenham sido severamente atingidas.

Além disso, o documento também refere que a má gestão hídrica tende a exacerbar os impactos da mudança climática, não só nos recursos hídricos, mas na sociedade como um todo.

No final, o relatório, aponta uma serie de medidas de adaptação e mitigação, incluídas medidas naturais, técnicas e tecnológicas para controlar os dados e atitudes que podem ser adotadas para limitar a emissão de gases de efeito estufa, bem como proteger o meio ambiente. O documento também menciona intervenções como proteção de pântanos e técnicas de “conservação agrícola”. Reaproveitar a água parcialmente tratada para a agricultura e indústria, sem a tornar necessariamente potável, é outro dos métodos referidos.

A nível de financiamentos, o documento diz-nos que há cada vez mais oportunidades de investimentos e dá-nos o exemplo do projeto Fundo de Clima Verde no Sri Lanka, que tem como objetivo melhorar os sistemas de irrigação em comunidades de vilas vulneráveis e promover praticas inteligentes de agricultura em três bacias de rios, acabando assim por oferecer tanto benéficos de mitigação e adaptação climática assim como conservar a agua e proteger as fontes hídricas potáveis.

Alguns dados sobre água:

  • O volume total de água no planeta Terra é de 1.4 mil milhões km3. Os recursos de água doce rondam os 35 milhões km3 (cerca de 2.5% do volume total de água).
  • Destes 2.5%, cerca de 24 milhões km3 (ou 70%) estão em forma de gelo (zonas montanhosas, Antártida e Ártico).
  • 30% da água doce disponível está armazenada no subsolo (lençóis freáticos, solos gélidos e outros). Isto representa 97% de toda a água doce disponível para uso humano.
  • Os lagos e rios de água doce contêm aproximadamente 105.000 km3 (ou 0.3% de toda a água doce mundial)
  • O total de água doce disponível ronda os 200.000 km3 – menos de 1% de todos os recursos de água doce disponíveis.
  • A atmosfera da Terra contém aproximadamente 13.000 km3 de água.
  • 70% da água doce é utilizada na rega, 22% na indústria e 8% no uso doméstico.
  • Em 60% das cidades europeias com mais de 100.000 habitantes, a água do solo está a ser usada de modo mais rápido do que a sua restituição.