Quatro fontes alternativas e peculiares de energia – Lisboa Green Capital 2020
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Quatro fontes alternativas e peculiares de energia

A companhia British Petroleum levou a cabo um estudo onde, juntamente com outras organizações internacionais, chegou à conclusão que, até 2025, a procura global por energia crescerá cerca de 40%.
De acordo com a investigação, dois terços dessa procura serão fornecidos por combustíveis fosseis, como petróleo, carvão, gás natural e gás liquefeito de petróleo (GLP). Contudo, sabemos que estes recursos naturais, devido à intensa procura e exploração, possuem prazo de validade, são recursos finitos.  
No entanto, existem diversas fontes de energia renovável bem mais sustentáveis como o sol, vento ou água da chuva ou até, outras menos convencionais, as chamadas tecnologias passivas. São sobre estas que nos debruçamos hoje.

1 – Proteína verde da água-viva

No mar podemos encontrar fontes inusitadas de energia, como a água-viva.
Esta proteína, descoberta e encontrada recentemente no mar valeu, em 2008, o Prémio Nobel da Química aos cientistas Osamu Shimomura, Martin Chalfie e Roger Tsien. 
A proteína verde, presente na estrutura de água viva (GFP – Green Fluorescent Protein), é capaz de gerar luz fluorescente.
Na Universidade de Tecnologia Chalmers – Suécia, um grupo de pesquisadores estão a investigar como usar esta proteína para criar um dispositivo que possa ser usado para gerar energia solar e diminuir os custos dessas instalações. Além disso, também estão a estudar como criar dispositivos flutuantes mecânicos que usem essa fonte de biotecnologia.

2 – Café, chocolate e outros combustíveis naturais

Nas grandes cidades, a população sofre com a poluição presente no ar que respira. Com isso em mente, e de forma a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a empresa Bio-bean, em Londres, desenvolveu um projeto onde converte resíduos de grãos de café de grandes companhias em combustível.
Arthur Kav, empresário e dono da empresa, pretende que, com este projeto, os autocarros de turismo londrinos sejam movidos com o uso do café “Enquanto as pessoas continuarem a beber café, haverá resíduos para aproveitar”, disse Arthur à BBC.

Em Warwick, Inglaterra, tem-se testado aproveitar os resíduos de chocolate, enquanto, em Espanha, são as águas residuais o experimento.

3- Lixo que se transforma em energia

Este sistema já funciona em vários países, como o Uruguai ou, na Europa, a Noruega. No país europeu a prática foi tão bem-sucedida que começaram a importar lixo de outros países.
Por sua vez, no Uruguai, a Divisão de Engenharia Sanitária e Ambiental do Município de Maldonado alega obter cerca de 1,5 mil megawatts por hora a cada ano, tudo graças a este sistema “Minimizamos os impactos ambientais através do controle e tratamento das emissões líquidas e gasosas”.

O procedimento funciona quando os componentes são minimizados a líquido e biogás – composto por 50% de gás metano, sendo possível transformá-lo em energia reutilizável. 

O gás metano também está a ser aproveitado por uma cidade na margem do Lago Kivu, entre Ruanda e República Democrática do Congo, onde a companhia americana ContourGlobal instalou uma usina de energia. Encontrado nas águas profundas do lago, o gás metano é usado para gerar eletricidade com baixa emissão de carbono. Com essa iniciativa o governo de Ruanda espera aumentar o número de pessoas com acesso à eletricidade.

4 – Energia Cinética

A tecnologia cinética é gerada a partir de movimentos dos corpos, sendo o resultado do valor da massa do objeto e da sua velocidade de movimento. Este recurso permitiu que várias empresas desenvolvessem projetos com a sua utilização.

Países como Japão, China ou Holanda, utilizam esta tecnologia em discotecas espalhadas pelo país. A energia gerada pela movimentação das pessoas faz com que as luzes de LED da pista de dança se acendam e funcionem como um sistema de iluminação. Podemos dizer que é uma pista de dança sustentável.

Esta tecnologia também pode ser utilizada em calçadas que geram energia conforme o movimento pedestre que ocorre sobre a mesma. Uma empresa sueca, aproveitou o calor gerado pelas 250 mil pessoas que circulam diariamente na Estação Central de Estocolmo para fornecer calefação (sistema de aquecimento em recintos fechados, muito utilizado em países de clima temperado e frio) à estação. Isto, graças a um sistema que permite capturar esse calor e usá-lo para aquecer água através do próprio sistema de ventilação do metro. Com a tecnologia poupa-se cerca de 25% de energia.

Um método similar foi patenteado pela empresa britânica Pavegen e utilizado nos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres. A inovação consistia em fazer o uso alternativo na alimentação de sistemas elétricos da cidade, como sinais de transito e painéis publicitários.


Podemos ver que fontes de energia menos poluentes e mais sustentáveis não faltam, basta sermos criativos e prestarmos atenção ao que se passa à nossa volta.