Produzimos 100 vezes mais carbono do que os vulcões – Lisboa Green Capital 2020
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Produzimos 100 vezes mais carbono do que os vulcões

Segundo um estudo com a duração de uma década, a atividade humana consegue produzir 100 vezes mais carbono do que todos os vulcões do nosso planeta!

Num estudo levado a cabo pelo Deep Carbon Observatory (DCO) – equipa internacional composta por 500 cientistas, ficou-se a saber que as emissões de dióxido de carbono, provocadas pelo ser humano, são efetivamente muito superiores às emissões provocadas pelos vulcões– estes são tidos, frequentemente, como os grandes responsáveis pelas alterações climáticas devido à quantidade de gás que libertam. Isto significa que somos nós que interferimos, maioritariamente, nas atuais taxas de aquecimento.

As descobertas que passam também pela descrição de como o carbono é armazenado, emitido e reabsorvido por processos naturais e artificiais foram publicados na revista científica Elements. No mesmo artigo também se fica a saber que, apenas dois décimos de 1% do carbono total da Terra, o que corresponde a cerca de 43.500 gigatoneladas, está cima da superfície, nos oceanos, na terra e na atmosfera. O restante – 1,85 mil milhões de gigatoneladas*, está armazenado na crosta, no manto e no núcleo do planeta, fornecendo assim pistas aos investigadores acerca da formação do nosso planeta, há 4,5 mil milhões de anos.

Os investigadores, ao medir a proeminência de certos isótopos de carbonos em amostras de rochas por todo o mundo, conseguiram criar uma linha de tempo que remonta à 500 milhões de anos, facilitando assim o mapeamento de como o carbono se movia entre terra, mar e ar.

Com isto descobriu-se que o planeta autorregulou os níveis atmosféricos de dióxido de carbono em períodos geológicos de centenas de milhares de anos. As exceções encontradas ocorreram na forma de “distúrbios catastróficos” no ciclo de carbono da Terra, como inúmeras erupções vulcânicas ou mesmo a colisão de um asteroide que levou à total extinção dos dinossauros. “No passado, vemos que essas grandes entradas de carbono na atmosfera causaram aquecimento, causaram grandes mudanças na composição do oceano e na disponibilidade de oxigénio”, declarou Marie Edmonds, professora de vulcanologia e petrologia no Queens ‘College, em Cambridge.

Os cientistas estimaram ainda que o impacto de Chicxulub (o asteroide que acabou com os dinossauros e com três quartos de toda a vida terrestre) libertou entre 425 e 1400 gigatoneladas de C02, enquanto, por exemplo, as emissões feitas pelo homem em 2018 ultrapassaram as 37 gigatoneladas.

“A quantidade de CO2 bombeado para a atmosfera por atividade antropogénica nos últimos 10 a 12 anos (é equivalente) à mudança catastrófica durante esses eventos que vimos no passado da Terra”, disse Edmonds à AFP.

Celina Suarez, investigadora e professora de geologia da Universidade de Arkansas, numa entrevista à Agence France-Presse comparou as emissões modernas feitas pelo Homem com os choques de carbono anteriores que levaram a uma extinção em massa. “Estamos no mesmo nível de catástrofe de carbono, que é um pouco preocupante”

Equiparando o C02 libertado anualmente pelos vulcões e as emissões provocadas pelo ser humano, o primeiro liberta cerca de 0,3 e 0,4 toneladas, 100 vezes menos do que as emitidas pelo segundo.

*uma gigatonelada equivale a um milhão de toneladas