Primeiros Encontros com o Futuro e Inauguração da Loja Lisboa Capital Verde Europeia 2020 – Lisboa Green Capital 2020
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Primeiros Encontros com o Futuro e Inauguração da Loja Lisboa Capital Verde Europeia 2020

Tema: Encontros com o Futuro | Loja Capital Verde

Lisboa tornou-se oficialmente Capital Verde Europeia no dia 11 de janeiro e dois dias depois abriu portas ao mundo com a inauguração de uma loja. Situada no coração de Lisboa, na Praça do Município nº 31, será, ao longo de todo o ano, o local para conversas e debates sobre o meio ambiente, a sustentabilidade e as alterações climáticas.

A abertura da loja foi sinalizada com os primeiros “Encontros com o Futuro”, organizados pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) e pela Agência de Energia de Lisboa – Lisboa e-Nova. As boas-vindas foram dadas por José Sá Fernandes, Vereador do Ambiente, Estrutura Verde, Clima e Energia da CML, com direito a um brinde com vinho branco lisboeta, e a estreia deste novo espaço ficou a cargo de quatro candidaturas recentemente aprovadas focadas na cidade de Lisboa: três delas ao abrigo do programa Horizonte 2020, ainda em negociação de contrato, e uma outra, já em curso, no âmbito do Programa LIFE.

A abrir as hostes esteve Vera Gregório, gestora de projeto do Lisboa e-Nova, que fez jus ao nome destes encontros ao apresentar o Hub-in, “um projeto que liga o passado com o futuro, porque é sobre centros históricos”. O objetivo do Hub-in é a transformação sustentável de centros históricos e o papel que estes desempenham na modificação urbana das cidades, uma vez que os centros históricos são o que “diferencia as cidades, são a sua alma”, expôs Vera Gregório à plateia.

Para as cidades se tornarem únicas é necessário diferenciarem-se e combaterem os desafios que afrontam a maioria das cidades europeias, incluindo Lisboa, como explicou a gestora de projeto: a “turistificação”, que atinge os centros históricos com mais intensidade, a degradação de edifícios com requisitos específicos e que não podem ser intervencionados de qualquer forma e a segregação urbana que cidades como Nicósia, no Chipre, ou Belfast, na Irlanda do Norte, vivem nos seus centros históricos devido a tensões políticas ou religiosas. A gentrificação, o envelhecimento da população e o abandono dos centros históricos são outros dos desafios que Lisboa e demais cidades portuguesas e europeias enfrentam – todas estas problemáticas são o que o Hub-in se propõe a transformar.

De seguida esteve em palco a professora Helena Alegre, do LNEC, para apresentar a B-Water Smart, um projeto focado em eficácia na utilização de água. Desenvolvido a partir de seis zonas costeiras europeias, o projeto foca-se nestas áreas por serem particularmente sensíveis à necessidade de serem mais eficientes do ponto de vista hídrico e, portanto, de usarem origens alternativas.

O foco do B-Water Smart será o desenvolvimento de metodologias, ferramentas e processos para facilitar o uso seguro de origens alternativas de água, nomeadamente água reutilizada, e melhorar a eficiência da relação água-energia, “tornando a cidade cada vez mais preparada para a escassez de água e para os problemas que as alterações climáticas nos colocam”, concluiu a professora.

No final, coube ao arquiteto Duarte Mata, adjunto do Vereador José Sá Fernandes, expor os projetos Life Lungs e Conexus – o primeiro relativo à adaptação climática na estrutura verde e o segundo sobre as mais-valias das relações criadas entre as comunidades e a estrutura verde envolvente.

O Lungs foi o primeiro projeto Life ganho pela CML, um fundo da União Europeia que remunera iniciativas ambientais e climáticas. O objetivo do Lungs não é aumentar a estrutura verde, mas sim melhorar a eficiência daquela que já existe, através da instalação de prados biodiversos de sequeiro adaptados às nossas condições climáticas, para atenuar as ondas de calor e a escassez hídrica, e onde será introduzida a pastagem de ovelhas, “algo que o Professor Ribeiro Telles sempre defendeu”, relembra Duarte Mata.

Para além destas medidas, o Lungs quer reforçar as medidas de gestão de água, com água reciclada para lavagem de ruas e rega de jardins, por exemplo. Por último, o projeto quer aumentar a cobertura da infraestrutura verde (que começou no arranque da Lisboa Capital Verde Europeia com a plantação de 20.000 árvores), cujo objetivo é criar mais sombra, por esta ser responsável por baixar significativamente a temperatura nas cidades.

O último projeto a ser apresentado foi o Conexus, contemplado nos Horizontes 2020 e coordenado pela Universidade de Sheffield, em Inglaterra. Duarte Mata informou que esta iniciativa “vai estudar as relações sociais que a estrutura verde tem com as comunidades.” Uma vez que a exportação estereotipada de soluções verdes não funciona, explicou o arquiteto, é necessário trabalhar essas decisões diretamente com as comunidades locais, para que estas as entendam e deem o seu aval. Os prados biodiversos serviram de exemplo para esclarecer a necessidade desta simbiose: “Podemos fazer os prados biodiversos mais espetaculares, mas quando chega ao verão e eles ficam castanhos, nós temos um problema, porque as pessoas não os compreendem e depois enviam e-mails para a Câmara a pedir para os regar” – são soluções para fomentar este envolvimento com as comunidades que o projeto Conexus vai tentar estudar.