Podem os catos substituir o plástico? – Lisboa Green Capital 2020
-Notícias

Podem os catos substituir o plástico?

Segundo dados da ONU, se os padrões de consumo mundiais continuarem ao ritmo atual e não se alterar a forma como se trata dos resíduos, até 2050 existirão mais de 12 mil milhões de toneladas de plástico em aterros sanitários ou na natureza.

Todos os anos são produzidos cerca de 300 milhões de toneladas de resíduos plásticos, uma grande parte é feita para ter uma única utilização, como é o caso das embalagens e que, em 2015, representavam quase metade dos dejetos plásticos produzidos. A isto acresce outro tipo de plástico como os utilizados em talhares, pratos, garrafas e cotonetes, sem esquecer claro, o plástico utilizado nos filtros dos cigarros.
Destes 300 milhões de toneladas, são mais de oito milhões de toneladas que vão parar ao fundo dos oceanos todos os anos, representando assim, 80% do lixo acumulado no mar. Se os valores continuarem a evoluir desta forma, qualquer dia, teremos mais plástico no mar do que peixes. Na nossa costa, cerca de 20% do peixe já ingere estas substâncias nocivas. 

Assim sendo, e reconhecendo a urgência para se encontrar algo que substitua as embalagens de plástico, uma investigadora mexicana descobriu uma forma bastante sustentável, e peculiar, de o fazer: produzir plástico biodegradável através de catos!

Num vídeo realizado para o conhecido programa da BBC “People Fixing the World”, Sandra Pascoe Ortiz explica como é possível obter objetos de plástico apenas através de produtos naturais, como folhas de cato Nopal, uma espécie presente no México.

A ideia da investigadora é utilizar estas folhas de cato para substituir coisas simples como talheres e sacos de plástico, entre outros produtos que levam à contaminação do planeta “A minha ideia é, através de produtos naturais, obter uma forma de plástico que substitua o plástico que utilizamos diariamente”, explicou a cientista.

São necessários, aproximadamente, dez dias para se obter qualquer material de plástico, contudo, a investigadora acredita que é possível acelerar o processo se existir ajuda de material industrial. É possível também, criar produtos de várias cores e formas e com diferentes flexibilidades.

Para termos uma noção mais exata, basta apenas três folhas de cato para se criar um produto do tamanho de uma toalha de rosto, o que possibilita a continuação do desenvolvimento da planta e consequente utilização para uma nova “fornada” de plástico.

Estes produtos naturais e que são comestíveis, demoram cerca de um mês a biodegradar-se no solo e apenas uns dias no mar. “São produtos não-tóxicos. Todos os materiais utilizados podem ser ingeridos por animais e por humanos”, revelou Sandra Pascoe Ortiz.

A cientista refere ainda que este tipo de plástico pode chegar na mesma aos oceanos, no entanto, o máximo que pode acontecer é acabar por ser comido pelos animais marinhos, sem consequências e evitando a morte de mais animais por causa do plástico.