Pequenas mudanças na lavagem de roupa diminuem a poluição! – Lisboa Green Capital 2020
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Pequenas mudanças na lavagem de roupa diminuem a poluição!

Já pensou que, com pequenas alterações na maneira como lava a roupa, consegue diminuir a poluição? É isto que nos diz um estudo científico levado a cabo por cientistas da Universidade de Northumbria – Newcastle upon Tyne, Inglaterra.

A indústria da moda é das mais poluentes do mundo, e sempre que lavamos a roupa que vestimos potenciamos, ainda mais, este problema. Segundo os cientistas da Universidade de Northumbria – Inglaterra, todos os anos 13 mil toneladas de microfibras acabam nos mares europeus. Os investigadores recorreram à análise forense para precisar a origem dos tecidos encontrados nos oceanos.

A investigação divulgada pela PLOS One diz-nos que, em cada ciclo comum de lavagem, são libertados 114 miligramas de microfibras por quilo de roupa lavada. Usando como base um relatório de 2013 onde é sugerido que todos os anos são feitas 35,6 mil lavagens nos 23 países europeus em análise, os cientistas asseguram que, pelo menos, 12.706 toneladas dessas partículas vão parar aos mares europeus. Isto equivale a 2 dois camiões de recolha de lixo por dia!

Contudo, segundo os investigadores, o impacto dessas lavagens não é igual. Segundo o estudo, num ciclo de lavagem de 30 minutos a 15ºC são libertadas menos 30% das microfibras, quando se compara a um ciclo de 85 minutos a 40ºC. Esta alteração, se fosse realizada por todos os cidadãos europeus, representaria menos 3813 toneladas de microfibras no mar! Outra forma de combater a poluição é o encher mais as máquinas de lavar roupa sem nunca ultrapassar o peso recomendado pelos fabricantes dos equipamentos.

Segundo os investigadores, o ideal é preencher sempre três quartos da capacidade do tambor com roupa e utilizar peças de vestuário durante mais tempo, dado que as novas tendem a libertar mais microfibras do que as antigas, e só é visível a diminuição dessas partículas a partir da oitava lavagem.

Ainda durante a análise forense realizada pela especialista em fibras têxteis Kelly Sheridan, foi apurado que 96% das microfibras libertadas nos oceanos são de origem natural, como o algodão, viscose, e lã, que têm a vantagem de se degradarem mais rapidamente. Os 4% em falta pertencem às fibras sintéticas, com o nylon, poliéster e acrílico em destaque. Ao fim de oito meses debaixo de água, 76% das fibras de algodão desaparece.

Durante esse período, as de poliéster não vão além dos 4%, pelo que a escolha das matérias-primas a privilegiar pelos consumidores também tem um papel fundamental na redução da poluição dos oceanos europeus. “Este foi o maior estudo a analisar a correlação entre as descargas de água das lavagens e a quantidade de microfibras libertada”, sublinha John R. Dean, professor de ciências ambientais e analíticas da Universidade de Northumbria, o coordenador da investigação.