Paços do Concelho: mais inteligente e sustentável – Lisboa Green Capital 2020
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Paços do Concelho: mais inteligente e sustentável

Lisboa não é só a capital de Portugal, mas é também a capital europeia no que toca ao número de horas de exposição solar. Aquela luz que tanto fascina turistas e residentes, que transforma a cidade num local mágico, é a melhor hipótese de transição para as energias renováveis da cidade.  

Assim, é fácil de perceber qual o caminho a seguir: adotar a energia solar. Apresar de ser mais fácil e barata de implementar, apenas 0,2% da energia usada em Lisboa é solar, revelando assim um grande potencial por explorar.

No entanto, desde 2018 que o edifício dos Paços do Concelho é, do ponto de vista energético, mais inteligente e eficiente. Depois da intervenção do qual foi alvo, o consumo energético anual teve um decréscimo de 20%, o que se refletiu numa poupança anual de cerca de 20 mil euros. Os encargos com a energia, atualmente, rondam cerca de 83 mil euros por ano.

Esta adaptação do Paços do Concelho aos princípios da eficiência energética decorreu no âmbito do projeto Sharing Cities. Este projeto, dos quais fazem parte cidades como Londres, Milão, Burgas, Bordéus e Varsóvia, fornece um exemplo vivo de como os edifícios de serviço público, em funcionamento, podem melhorar o desempenho energético e ainda preservar o seu carácter arquitetónico. 

Sendo o único edifício histórico em Portugal a passar por profundas medidas de modernização da eficácia energética, a conclusão deste projeto representa um marco importante no programa Sharing Cities e um grande impulso para a estratégia de adaptação da Lisboa Capital Verde Europeia 2020.

Segundo os dados mais recentes de monitoramento do desempenho energético do edifício a poupança chegou aos 36% entre junho de 2019 e fevereiro de 2020, mostrando que, através da modernização e do uso de fontes de energia renováveis, é possível ser-se mais eficiente.

As intervenções de adaptação foram definidas de acordo com os regulamentos para o património protegido, níveis de conforto, redução de energia e metas de impacto ambiental.

Intervenções

O conjunto de intervenções incluiu:

Gestão de energia – Um sistema informático inteligente – Automated Demand Response, ajusta os consumos dos equipamentos de climatização em função do preço da energia e da capacidade de produção energética do edifício. A energia térmica acumulada é utilizada, quando necessário, na climatização. A energia que não é consumida, principalmente aos fins de semana, é vendida, posteriormente, à rede.

Aquecimento de águas – São seis os termoacumuladores elétricos distribuídos pelos quatro pisos do edifício, e que fornecem a água quente para as casas de banho e cozinha. Ligados a uma plataforma de gestão, o seu funcionamento é definido em função do custo de energia, da temperatura das águas e do excedente de produção fotovoltaica.

Climatização – A climatização do edifício é garantida por um sistema de VRF – Variable Refrigerant Flow. São 16 unidades exteriores, localizadas numa zona técnica debaixo da telha, ligadas a 58 unidades interiores. O edifício comporta ainda dez unidades convencionais destinadas à climatização de espaços específicos como bastidores, informáticos, salas de vigilância policial, gabinete de telefonistas, entre outros.

Energia solar – Os 60 painéis solares fotovoltaicos instalados no telhado da ala sul permitem a produção de até 15 KWp de energia – produção máxima instantânea. 

Iluminação – No final de 2018, todas as lâmpadas incandescentes foram substituídas por lâmpadas LED, o que levou a uma redução de 72% na potencia instalada. Apesar de ter significado um maior investimento na compra das lâmpadas LED, o tempo de vida útil das mesmas é cerca de cinco a seis vezes superiores às tradicionais. Anteriormente, as lâmpadas eram trocadas, em média, de seis em seis meses.

A única intervenção na envolvente do edifício foi a restauração especial das janelas existentes, cuja condição se deteriorou significativamente devido à idade e à exposição de elementos atmosféricos. 

Como se trata de um edifício histórico protegido optou-se pelo restauro onde se usou a madeira kambala, uma madeira mais rija do que a madeira de casquinha original, que não absorve água e tem um grau elevado de resistência aos fungos.
Dado que a preservação dos caixilhos não era compatível com a instalação de vidros duplos, os vidros originais de 4 milímetros estão a ser substituídos por vidros laminados de 9 milímetros, que apresentam uma maior eficácia no isolamento.

As economias significativas de energia aqui obtidas representam um alto potencial de replicação para outras cidades, que enfrentam o mesmo tipo de desafios de sustentabilidade, principalmente em edifícios históricos.

O Edifício 

Considerada uma das mais importantes construções patrimoniais de Portugal, este edifício neoclássico alberga uma incrível escadaria central projetada pelo arquiteto José Luís Monteiro e uma decoração pictórica de vários artistas como Pereira Cão, Columbano Bordalo Pinheiro, José Malhoa e José Rodrigues.

Foi originalmente construído segundo o projeto de Eugénio dos Santos aquando da reconstrução pombalina da Baixa, após o famoso terramoto de 1755. Em novembro de 1863 foi alvo de um incêndio do qual saiu completamente destruído. Em 1880 ficou assim concluído o novo edifício pelas mãos do arquiteto Domingos Parente da Silva.

Em 1996 foi alvo novo incêndio, onde os tetos e as pinturas do primeiro andar foram afetadas. O arquiteto Silva Dias conduziu o plano de intervenção para a recuperação do edifício, optando-se por tornar a aproximar o edifício ao plano inicial de Domingos Parente da Silva.