Os 500 desenhos de Silva Porto: uma viagem pela vida e obra do artista – Lisboa Green Capital 2020
-Exposições

Os 500 desenhos de Silva Porto: uma viagem pela vida e obra do artista

Pintor, professor, fundador do grémio artístico, paisagista militante, António da Silva Carvalho ou Silva Porto, como ficou conhecido depois de ter adotado o nome da sua cidade natal, foi um defensor do naturalismo e um amante da pintura ao ar livre.

Com Silva Porto surge o hábito de pintar no terreno. Com ele os seus alunos aprenderam a ir para o campo com uma mochila, um banco e um guarda-sol, coisa que era impensável para a geração artística anterior – a romântica, uma geração mais aristocrática e menos ligada ao ar livre.

Dividida em 8 grandes momentos a exposição presente na Sociedade Nacional de Belas Artes ilustra todo o percurso de vida do artista. A viagem começa em 1860, quando Silva Porto, com apenas 10 anos, fazia desenhos a partir de revistas da época. De seguida temos o primeiro contacto com a sua formação artística, iniciada em 1863 na Escola Industrial do Porto, o pintor frequenta todos os cursos disponíveis: Desenho, Arquitetura, Escultura e Pintura. Aqui explora ao máximo as diferentes técnicas. Tanto vemos desenhos lineares e de ornatos industriais como desenhos históricos que fazem lembrar as obras clássicas gregas ou mesmo desenhos anatómicos do esqueleto humano.

Em 1873 o pintor prepara-se para o curso de “Pensionista do Estado” em Paris. É aluno do Mestre Cabanel em figura humana e de Yvon no desenho em perspetiva rigorosa com aplicação de sombras. Com Yvon debruça-se sobre os costumes de Roma antiga, com os desenhos das togas a serem feitos a lápis e realçados a vermelho sangue.

Passamos rapidamente para Itália, período em que frequenta a Academia de Roma e visita o Vaticano. Aqui é onde vemos a maior mudança nas obras do artista. Se até então eram mais enevoadas, sombrias e tristes, após esta estadia, adquirem uma luz especial, uma luz direta e mediterrânica.

De regresso a Paris, Silva Porto vai introduzir nos seus trabalhos no campo a luz apreendida no sul: é o conjunto de estudos para a “Seara”, uma das suas obras-primas.

Volta a Portugal em 1879 e é indicado para substituir o falecido Tomás da Anunciação, na Academia de Belas Artes de Lisboa. Insatisfeito com o ritmo trienal das exposições da Sociedade Promotora de Belas-Artes, procura uma alternativa anual independente para exposições com os seus alunos. Surge assim o Grupo de Leão – antecessor do Grémio Artístico de Lisboa, e que se apresentará anualmente entre 1881 e 1888. Com uma capacidade de trabalho fora do normal, para a época, Silva Porto, expunha 30/40 obras em cada exposição do Grémio.

Por fim, a exposição termina com um apontamento quase invisível de ramos de macieira, um reverso invertido, é o estudo para a pintura “Macieiras em Flor”, deixada inacabada e presente também nesta exposição.

Interessado pela cor, pela vegetação, pelas árvores, Silva Porto é o pintor das terras de Portugal. E até dia 7 de março, na SNBA, podemos ficar a conhecer melhor a visão e a obra deste artista que percorreu aldeias, bosques, povoações, ribeiros e rios captando, momentos e gestos de uma relação harmoniosa, entre o Homem e Natureza.