O Jardim Botânico Tropical já tem a sua própria APP – Lisboa Green Capital 2020
-Notícias

O Jardim Botânico Tropical já tem a sua própria APP

Já pensou como seria divertido usar o seu telemóvel para conhecer melhor as árvores e aves do jardim Botânico Tropical (JBT)? Foi a pensar nisto que o JBT criou uma aplicação móvel que permite percorrer vários percursos temáticos de uma forma interativa.

A aplicação móvel foi desenvolvida no âmbito de um projeto entre a Reitoria da Universidade de Lisboa e a Faculdade de Ciências de Lisboa, com a finalidade de promover o jardim como espaço científico, cultural, educativo e de lazer.

Com o recurso a experiências de realidade aumentada e multimédia, os visitantes são convidados a interagir com o ambiente que os rodeia através de quatro percursos que abrangem a totalidade da área do jardim: 

  • “Árvores a não perder”, onde se identificam as árvores mais emblemáticas do jardim; 
  • “Jardim com História”, aqui o visitante é convidado a conhecer as múltiplas épocas históricas deste espaço, que remonta ao século XVII;
  • “Aves”, que permite conhecer as espécies de aves mais comuns no jardim;
  • “Sensores da Natureza”, a partir do qual o público poderá conhecer a diversidade natural que este espaço tem para oferecer.

“Para já, estes quatro percursos poderão ser descarregados, gratuitamente, junto do edifício da Casa da Direção”, de acordo com a informação disponibilizada pela universidade em comunicado. O trabalho envolveu os departamentos de Informática, de Biologia Animal, de Biologia Vegetal e de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia da Faculdade de Ciências e o Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

A app foi concebida em português e encontra-se traduzida em inglês, francês e espanhol. Atualmente apenas se encontra disponível para Android 6.0, situação que irá ser alterada brevemente.

Aproveite o próximo dia livre, descarregue a app e divirta-se a redescobrir este belo jardim, que reabriu em janeiro, depois de ter estado fechado durante um ano para obras de reabilitação.

O Jardim Botânico Tropical

Criado a 25 de janeiro de 1906 por Decreto Régio e denominado inicialmente Jardim Colonial, este jardim com uma forte vocação didática foi considerado uma “base indispensável ao ensino” pois permitia ao aluno ter noção da realidade e não ficar apenas pela imaginação.

Desde os seus primórdios que o jardim foi entendido como um centro de estudo e experimentação de culturas, como espaço de recolha de informação sobre a agricultura colonial, como centro promotor de relações com instituições congéneres e como centro fundamental para a resposta a questões de índole técnica. Também ficou estabelecido, através de um decreto, que a instalação do ensino agrícola tropical incluía um “laboratório” e um “museu” e que o diretor do jardim seria o docente da disciplina de Geografia economia e culturas colonias.

A situação manteve-se até 1944, data em que o jardim se fundiu com o Museu Agrícola Colonia, formando assim o Jardim e Museu Agrícola Colonial. Até chegar ao nome atual ainda passou por várias modificações: em 1951 a designação evoluiu para Jardim e Museu Agrícola do Ultramar, passando a integrar em 1974 a Junta de Investigações do Ultramar, posteriormente Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT). Em 1983 adotou a designação de Jardim-Museu Agrícola Tropical (JMAT), constituindo uma das unidades funcionais do Instituto de Investigação Científica Tropical e adquirindo assim a competência de “desenvolver e assegurar a manutenção de coleções de plantas vivas das zonas tropicais e subtropicais, ao ar livre ou em ambiente confinado, com classificação e catalogação atualizadas, que constituem material de estudo e ensino”.

De forma a apoiar a direção do IICT, no que toca a dinamização e realização de atividades no jardim, foi criada a 17 de junho de 2005, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico Tropical, uma associação sem fins lucrativos.

Em 2007 o jardim é classificado como Monumento Nacional, em conjunto com o Palácio Presidencial e outros espaços da zona de Belém.

Em 2015, o Jardim Botânico Tropical passou a integrar a Universidade de Lisboa, após a extinção por fusão na Universidade do IICT, I.P, sendo parte da nova Unidade Especializada IICT, criada no âmbito da ULisboa.

Plantas

O Parque e Estufas do JBL reúnem um conjunto de cerca de 600 espécies originarias dos mais variados continentes, sendo a maioria originária de regiões tropicais ou subtropicais, havendo, no entanto, também espécies originarias de regiões temperadas.

Do longo acervo deste jardim, é de salientar alguns exemplares como:

  • Ficus macrophylla Pers. e F. sycomorus L., pelo porte notável que exibem;
  • Araucaria heterophylla (Salisb.) Franco, Dracaena draco (L.) L.,
  • várias espécies de Encephalartos, lauráceas de origem macaronésica como Apollonias barbujana (Cav.) Bornm., (Steud.) Franco, Ocotea foetens (Aiton) Benth. e Persea indica (L.) Spreng. e palmeiras (C.Moore et F.Muell.) Becc., Jubaea chilensis (Molina) Baill. e Washingtonia filifera (Linden) H.L. Wendl., espécies ameaçadas de extinção;
  • Ginkgo biloba L. e Eucommia ulmoides Oliv., espécies que se supõe atualmente extintas nos seus habitats naturais;
  • Cycas revoluta Thunb., espécie dióica, conhecida desde o Triássico, que apresenta as flores femininas mais primitivas;
  • elevado número de espécies de interesse económico das famílias Agavaceae, Araceae, Myrtaceae, Moraceae e Palmae utilizadas na alimentação, como fornecedoras de madeiras ou fibras, usadas para sombreamento de culturas ou arruamentos e ornamentais, entre outras.