Neste ano de Lisboa Capital Verde 2020, no dia 25 de abril, queríamos fazer uma grande festa à volta do cravo, desta flor tão simples e humilde e, ao mesmo tempo, tão simbólica, que desejávamos que fosse, finalmente, de todos. Sentir que uma coisa tão pequena, como esta flor, afinal projeta uma imensa grandeza de propósitos e valores.
Ao longo destes 46 anos, muitos de nós, quando olhamos um cravo lembramo-nos do ranger das grades que se abriram, do raspar do lápis da censura que acabou, do gemido da dor da tortura que se calou, dos sons dos passos das manifestações que se ouvem, do ruído das discussões que em democracia acontecem, das vozes dos votos e dos direitos que ganhámos… e, para tudo isso, tínhamos preparado tantas atividades para todos, tanta participação…
Mas aqui está o cravo, o cravo do 25 de abril de 2020, que volta para nos ajudar, apesar da pandemia que nos assusta, do confinamento que nos limita, esteja ele na nossa mão, caído na rua, pendurado à nossa porta ou exposto à nossa janela, continua a ensinar-nos: que juntos haveremos de estar outra vez juntos, que juntos venceremos, que juntos, para sempre, podemos continuar a gritar Liberdade.


