Museu da Água – Reservatório da Mãe d’Água – Lisboa Green Capital 2020
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Museu da Água – Reservatório da Mãe d’Água

Localizado na Praça das Amoreiras nº 8, o Reservatório da Mãe d’Água quase que passa despercebido aos mais distraídos. Com mais de dois séculos de história este espaço já foi fundamental no abastecimento de água na cidade de Lisboa e até alvo de destaque internacional. Hoje em dia é um sítio maravilhoso para recordar a história e refletir sobre a importância da água no nosso quotidiano.

Visitar o Reservatório da Mãe d’Água nas Amoreiras é viajar no tempo e regressar a um momento da história em que, o que para nós algo tão normal como abrir uma torneira e sair água, era visto como futurista.

Projetado pelo arquiteto húngaro Carlos Mardel, este reservatório “foi concebido com requinte especial nos desenhos e nos acabamentos”, algo visível ao longo de toda a estrutura.

Essencialmente construído na segunda metade do século XVIII, o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, faz parte do conjunto monumental das águas livres cuja sua edificação serviu para celebrar a entrada da água em Lisboa. 

Imponente na sua construção de cantaria quadrangular, a Mãe d’Água é caracterizada, no exterior, por uma arquitetura de linhas sóbrias onde os elementos clássicos, como a ordem toscana ou as gárgulas dispostas nas cornijas, ganham destaque.
As fachadas do edifício são marcadas por vãos de reduzidas dimensões que acabam por funcionar em plena sintonia com as pilastras, cumprindo assim um ritmo estudado que respeita a composição interna organizada.

No entanto, é no interior do edifício que este reservatório ganha outra dimensão. Apesar da solenidade do espaço conferida pelos aspetos harmoniosos, luzentes e unificados, o que nos chama a atenção é a incrível imensidão de água que nos espera, derivada da cisterna de água, cuja profundidade de 7,5 metros e a capacidade de 5500 m3, ou cerca de 5 milhões de litros de água, torna este espaço assombroso.

Construídos com pedras transportadas das nascentes do aqueduto das águas livres, também a cascata e o golfinho por onde a água jorra não passam despercebidos ao nosso olhar, assim como as quatro colunas que sustentam o teto de abóbadas de aresta que suportam uma pequena grande surpresa.

Depois de se deslumbrar com todo o interior, suba as escadas que se encontram do lado direito da cascata e prepara-se para a incrível vista sobre Lisboa, mas antes de subir aproxime o audioguia do emissor que se encontra junto às escadas, verá que vale a pena. Deste lado, virado a norte conseguirá avistar o Aqueduto assim como o Arco Triunfal que atravessa a Rua das Amoreiras.

Por sua vez, do lado esquerdo do Jardim Marcelino Mesquita, ou Jardim das Amoreiras como também é conhecido, conseguirá observar a Ermida de Nossa Senhora de Monserrate, edificada em 1768, enquanto à direita do jardim vislumbrará o Museu da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, instalado na antiga fábrica das sedas que, por sinal, era abastecida pelo Aqueduto das Águas Livres.

Ainda no terraço, se o contornar, conseguirá contemplar o Rio Tejo, a Basílica da Estrela e a Igreja de Santa Isabel. Já do lado sul, o Largo do Rato ganha destaque. A título de curiosidade o peculiar topónimo apresenta variadas versões para o justificar, sendo a mais plausível a defendida por Gustavo de Matos Sequeira que atribui a sua utilização ao facto do segundo padroeiro do convento das freiras trinitárias – Luís Gomes Menezes, ser apelidado de “rato”, ficando assim esta alcunha como designação do convento, do largo e do chafariz.

Se seguir no ponteiro dos relógios, é possível observar o Palácio dos Marqueses da Praia, a Rua de São Bento ou a Rua da Escola Politécnica. É no topo desta última que se encontra o Chafariz do Rato – também da autoria do arquiteto Carlos Mardel, e cujo abastecimento derivada da Galeria de Loreto – uma das galerias subterrâneas que abasteciam a parte ocidental da cidade de Lisboa. 

Este espaço passou por diversas dificuldades até se encontrar concluído, com o projeto iniciado pelo Carlos Mardel em 1746, só viria a ser concluído no reinado de D. Maria II em 1834. Pelo meio o arquiteto faleceu, ficando a obra parada entre 1763 e 1771, quando Reinaldo dos Santos – arquiteto e engenheiro militar, retomo as obras do reservatório e introduz algumas modificações ao projeto inicial, como as 34 máscaras colocadas no exterior para ornamentação do edifício.

Ainda na fase de construção, este reservatório vivenciou marcos importantes na história do abastecimento de água de Lisboa. Em 1748, com a conclusão do 100 arco do Aqueduto das Águas Livres – o Arco das Amoreiras – iniciou-se a distribuição de água à cidade.

A sua importância na rede de distribuição de água começaria a ser ditada a partir de 1856, aquando da implementação de um projeto para uma nova rede de distribuição de água em Lisboa, que se materializou com a construção de novos reservatórios entre 1860 e 1864, tornando desnecessária a função da Mãe D’Água das Amoreiras.

A partir de 1867 iniciava-se a distribuição de água canalizada a algumas casas lisboetas e a partir de 1880, com a construção do Aqueduto do Alviela e da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, esta rede de distribuição domiciliaria foi-se tornando cada vez mais ampla. Por sua vez, o Aqueduto das Águas Livres foi perdendo importância no sistema de abastecimento, tendo sido desativado entre 1967 e 1974.

Apesar de a sua função primordial ter terminado, o reservatório ainda tem muito para “viver” e a sua beleza não deixa ninguém indiferente, já tendo sido alvo de destaque internacional, quando a banda Limp Bizkit escolheu Lisboa e este espaço como cenário para o videoclip Boiler.
Além disso, é sem dúvida, uma lembrança do engenho e perseverança da época, e que nos leva a reflexão da importância deste recurso tão necessário e indispensável para a nossa sobrevivência.

Aproveite ainda para ficar a saber mais sobre o abastecimento de água a Lisboa, visitando os outros espaços que compõe o Museu da Água – Aqueduto das Águas Livres, Galeria do Loreto, Reservatório da Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos.

O Aqueduto das Águas Livres e o Reservatório da Mãe d’Água estão desses 1910 classificados como monumento nacional e integram o património associado do museu da água.