Máscaras e luvas são encontradas em sete grandes rios europeus – Lisboa Green Capital 2020
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Máscaras e luvas são encontradas em sete grandes rios europeus

As máscaras e as luvas já fazem parte da nova realidade em que vivemos. A sua importância para a nossa segurança é indiscutível, contudo, enquanto protegem a nossa saúde colocam a saúde dos nossos rios e oceanos em perigo ao serem encontradas nas suas águas.

Foram encontradas máscaras de proteção e luvas em sete grandes rios europeus em junho, esta informação foi divulgada pelo porta-voz da Fundação Tara – uma fundação dedicada aos oceanos, e serve de alerta para o perigo desta poluição plástica associada à crise do COVID-19.

“Os cientistas dos laboratórios parceiros de Tara” encontraram “constantemente máscaras e luvas” nas margens e nas praias de sete rios europeus, durante recolhas de amostras efetuadas em junho, disse Romy Hentinger, chefe da cooperação internacional da fundação, à rádio francesa France Inter.

“É preocupante para o futuro” porque se pode “deduzir que outras já chegaram ao mar”, acrescentou a porta-voz, sublinhando que as máscaras de proteção de uso único, feitas de polipropileno e “muito finas”, “irão fragmentar-se rapidamente”.

Os rios em foco estão entre os nove maiores rios europeus explorados em 2019 pelos cientistas, no âmbito de uma missão relacionada com microplásticos, e são eles: o rio Tamisa, Elba, Reno, Sena, Ebro, Ródano, Tibre, Garonne e Loire.

“Estamos à espera dos resultados finais destes cientistas, que estão em vias de completar o estudo destes rios”, acrescentou Romy Hentinger.

A expedição realizou-se entre maio e novembro do ano passado e detetou a presença de microplásticos em 100% das amostras de água, mostrando assim que já estão presentes nos rios e que ao contrário do que se pensava “não se degradam no mar, sob a influência dos raios UV e do sal”, explicou Martin Hertau, capitão daquele laboratório flutuante.

Todos os anos são produzidos cerca de 300 milhões de toneladas de resíduos plásticos, sendo uma grande parte de utilização única. Destes 300 milhões de toneladas, mais de oito vão parar, todos os anos, ao fundo dos oceanos, representando 80% do lixo acumulado no mar. Se os valores continuarem a evoluir desta forma, qualquer dia teremos mais plástico no mar do que peixes. Para termos noção, na nossa costa, cerca de 20% do peixe já ingere estas substâncias nocivas.

Da próxima vez que tivermos de descartar estes dois objetos vamos pensar na saúde deste nosso recurso tão precioso e, cada vez, mais escasso.