Mais de um quarto dos portugueses não sabe onde deixar equipamentos em fim de vida – Lisboa Green Capital 2020
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Mais de um quarto dos portugueses não sabe onde deixar equipamentos em fim de vida

Num estudo divulgado hoje, dois terços (66,2%) dos portugueses inquiridos responderam que reciclavam os seus equipamentos elétricos e eletrónicos em fim de vida, enquanto mais de um quarto (26,6%) ainda não sabe onde os colocar.

A maioria – 52,7% – das pessoas inquiridas que responderam que encaminhavam estes equipamentos para receberem uma nova vida disse que os entrega numa loja de eletrodomésticos ou pede para serem recolhidos quando adquirem um novo, estes são alguns dos dados revelados no estudo desenvolvido pela Odata para a ERP Portugal – Entidade Gestora de Resíduos e com a coordenação de Pedro Simões Coelho, investigador da Universidade de Lisboa. O objetivo desta investigação é perceber quais os hábitos dos portugueses em relação à reciclagem destes equipamentos, bem como, definir uma estratégia que leve a um melhoramento dos números obtidos.

Os Pontos de Recolha de Resíduos de Equipamentos Elétrico e Eletrónicos (REEE) são o local preferencial 67,4% dos portugueses para encaminhar corretamente este resíduo, de acordo com os dados.

“Embora os dados sejam positivos, 26,6% da população ainda não sabe onde colocar os REEE e apenas 2,1% dos jovens entre os 18 e os 24 anos tem por hábito reciclar os aparelhos eletrónicos”, referem os autores do estudo.

A investigação realizou-se entre 27 de maio e 30 de julho e teve como base 1102 entrevistas que nos demonstraram que a grande maioria recicla os REEE, contudo “existe ainda um longo caminho a percorrer para garantir a reciclagem ou o prolongamento do tempo de vida útil dos equipamentos que ainda funcionam”, menciona o comunicado divulgado.

O estudo “Hábitos dos Portugueses em Relação ao Lixo Eletrónico” mostra ainda que, 45,5% dos inquiridos oferece os equipamentos que ainda funcionam, seja a outras pessoas ou a uma organização, no entanto, 32,2% acabam por deixar o equipamento parado em casa, “impedido que seja reaproveitado”.

Por trás está o pensamento de que “ainda pode dar jeito”, o que faz com que 59,2% dos portugueses deixam os seus REEE no armário de casa.

“Esta tendência volta a ganhar expressão quando os equipamentos já estão avariados ou danificados, com 24,4% a assumirem que ficam com o equipamento para separar peças ou materiais para reutilizar ou vender e 14,8% a manifestarem intenção de repará-los mais tarde”, pode ser lido no documento.

No topo dos equipamentos que deixam de ser usados e são trocados por um novo no último ano encontram-se pequenos eletrodomésticos, como secadores de cabelo ou micro-ondas (30,35%) e os telemóveis (28,25%), por sua vez, 25,9% dos primeiros e 58,8% dos segundos acabam por ficar parados em casa sem qualquer tipo de reaproveitamento.

Esta tendência visível de deixar os equipamentos em casa, com o pensamento de os reaproveitar num futuro próximo “parece revelar que os portugueses desconhecem duas premissas fundamentais no que à reciclagem diz respeito”, é referido pelos autores, destacando ainda que muitos dos constituintes destes equipamentos são perigosos para a saúde e para o meio ambiente aquando do seu incorreto desmantelamento por entidades especializadas na reciclagem.

“Quando corretamente encaminhados são quase 100% recicláveis, podendo ganhar uma nova vida e poupando o uso de recursos naturais”, referem. O que nos leva à conclusão que a soma de todos os equipamentos que temos, por vezes, em casa guardados à espera daquele dia em que pode dar jeito, ou que são deitados fora de forma incorreta, resulta em milhares de toneladas de equipamentos fora dos circuitos adequados de reciclagem ou reutilização.

No mesmo documento é indicado que o lixo eletrónico é uma das principais ameaças ambientais e que apenas uma percentagem mínima – 15 a 20% – é reciclado a nível mundial.

Por isso já sabe, da próxima vez que tiver um equipamento que já não se encontra em condições ou que não vai dar uso, recicle, a nossa saúde e a do ambiente agradecem.