Maio de 2020 foi o mês de maio mais quente alguma vez registado – Lisboa Green Capital 2020
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Maio de 2020 foi o mês de maio mais quente alguma vez registado

Segundo o relatório do Copernicus – um programa da União Europeia que acompanha as mudanças climáticas, o mês de maio de 2020 foi o maio mais quente desde o início do registo histórico em 1981.

“O mês de maio foi 0,63°C mais quente do que a média no mesmo mês dos anos 1981-2010, o que o torna o mês de maio mais quente desde o início da recolha de dados”, à frente de maio de 2016 e maio de 2017, divulgou nesta sexta-feira o Copernicus num comunicado.

O alvo de destaque foi a Sibéria, que registou temperaturas mais altas do que o normal e até “muito anormais”, com quase 10ºC acima do normal. Segundo o Copernicus, no noroeste da região, a quebra do gelo na nos rios Ob e Yenisei (Sibéria) nunca tinha começado tão cedo.

Por outro lado, certas zonas da Austrália, da costa leste dos Estados Unidos da América, os Balcãs europeus e o sul da Ásia registaram temperaturas mais amenas do que o normal.  

A temperatura média mundial nos últimos 12 meses foi 0,7ºC mais quente do que a média entre 1981 e 2010 e 1,3ºC maior do que a temperatura da Terra antes da Revolução Industrial – a medida tomada como padrão para quantificar o impacto do aquecimento global causado por humanos.

O mais quente dos últimos 89 anos

Em Portugal, maio também foi especialmente quente, tendo sido o mais dos últimos 89 anos e, juntamente com 2011, registou uma onda de calor com duração de 17 dias, uma das mais longas e com maior extensão territorial.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) maio foi um mês “extremamente quente e seco”, sendo o mais quente desde 1931 e igualando maio de 2011. No relatório podemos ver que os valores registados da temperatura do ar foram muito superiores aos valores normais, na segunda quinzena de maio, com um aumento em mais de 3,26 graus. 

No que diz respeito à chuva, em certos locais da região sul, principalmente no Alto Alentejo, Península de Setúbal, Baixo Alentejo e sotavento algarvio, os valores de precipitação foram superiores ao normal. Por outro lado, na região norte, especialmente, nas zonas de altitude, os valores de precipitação foram inferiores ao normal.

Este aumento de temperaturas é derivado das emissões de gases de efeito estufa gerados pelas atividades humanas e que têm como consequência a multiplicação de fenómenos meteorológicos extremos como ondas de calor, secas e inundações.
O ano passado foi o segundo mais quente já registado e os especialistas acreditam que a temperatura média global irá atingir um novo record nos próximos cinco anos.

Em 2015, mais de 200 países assinaram o Acordo de Paris, com o objetivo de garantir que o aumento da temperatura global média fique abaixo de 2ºC acima dos níveis pré-industriais. O mesmo acordo diz que, preferencialmente, a temperatura não deve aumentar mais do 1,5ºC em relação aos mesmos níveis