Lixo eletrónico atingiu valores record em 2019. E irá continuar a aumentar por todo o mundo – Lisboa Green Capital 2020
-Notícias

Lixo eletrónico atingiu valores record em 2019. E irá continuar a aumentar por todo o mundo

Em 2019 a quantidade de lixo eletrónico gerado atingiu valores record com 59 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 21% em apenas cinco anos.

Já no início de 2018 que a Organização das Nações Unidas – ONU, alertava para o crescente volume de lixo eletrónico e reforçava a ameaça que este representava para o meio ambiente e saúde pública. “A proteção do meio ambiente é um dos três pilares do desenvolvimento sustentável (…). A gestão do lixo eletrónico é uma questão urgente no mundo digitalmente dependente de hoje, onde o uso de aparelhos eletrónicos está a aumentar”, disse Houlin Zhao, secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Se no relatório apresentado em 2018 se desenhava um cenário pessimista, com uma previsão de crescimento para 2021 de 17% e 52,2 milhões de toneladas de lixo, em pleno 2020 verificamos que o cenário é pior do que o que tinha sido calculado, tendo o crescimento ultrapassado os 21% em 2019.

O Monitor Global de Lixo Eletrónico prevê ainda que a quantidade de desperdício atinja 81,5 milhões de toneladas em 2030, representado o dobro do que acontecia em 2014. Isso torna-o no desperdício doméstico que mais aumenta, resultado do crescente consumo de equipamentos elétricos e eletrónicos que têm uma durabilidade menor e que não são fáceis de reparar.

Do lixo produzido em 2019 apenas 17,4% foi recolhido para reciclagem, significando que, pelo menos 50,6 mil milhões de euros em materiais valiosos como platina, cobre ou ouro foram queimados ou foram para aterros, tratando-se de um valor superior ao PIB de muitos países do mundo.

A maior parte do lixo produzido em 2019 veio da Ásia – 26,4 milhões de toneladas, com o continente americano a aparecer em segundo – 14,3 milhões e a Europa a aparecer em terceiro com 13,2 milhões. Por sua vez, África gerou 2,2 milhões de toneladas e a Oceânia 771 mil toneladas. Contudo, apesar da Europa se encontrar em terceiro lugar é aqui que se gera mais lixo eletrónico per capita: 16,2 quilos por pessoa.

A maioria do lixo de 2019 é formado por pequenos equipamentos – 18,7 milhões de toneladas, equipamentos de grande dimensão – 14,3 milhões, equipamentos de climatização ou frio – 11 milhões, ecrãs e monitores – 6,6 milhões, equipamentos informáticos pequenos – 4,4 milhões e equipamentos de telecomunicações – 992 mil toneladas.

Para se perceber melhor a quantidade de lixo eletrónico produzido em 2019, o peso do mesmo é superior ao de todo os adultos na Europa, igual a 350 navios de cruzeiro. E não nos podemos esquecer que neste tipo de lixo há resíduos perigosos, com mercúrio ou aditivos tóxicos que são prejudicais para o cérebro. Além disto, ainda contribui para o aquecimento global. Segundo o Monitor, só em 2019, os frigoríficos e ares condicionados colocados no lixo libertaram 108 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, cerca de 0,3%.

Segundo a diretora do Departamento de Alterações Climáticas e Saúde da Organização Mundial de Saúde – Maria Neira, o problema do lixo eletrónico é que é “um grande e silencioso risco emergente para a saúde das gerações atuais e do futuro”, acrescentando ainda que “Uma em cada quatro crianças no mundo morre por causa de exposição a riscos ambientais evitáveis”

David Malone, reitor da Universidade das Nações Unidas e subsecretário geral da organização, afirmou que são precisos “esforços substancialmente maiores para garantir uma produção, consumo e reciclagem mais inteligentes dos equipamentos elétricos e eletrónicos”.