Lisboa, que paisagem é esta? – Lisboa Green Capital 2020
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Lisboa, que paisagem é esta?

“Lisboa, que paisagem é esta?” é o novo ciclo de conversas que se iniciou este sábado, no Centro Cultural de Belém (CCB), e que conta com nomes como João Pedro Serra ou Pedro Mexia.

Aurora Carapinha, arquiteta paisagista e professora auxiliar do Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento, respondeu ao repto lançado pelo CCB e organizou um ciclo de quatro conversas, sete olhares e quatro diálogos que pretendem ajudar-nos a desvendar que paisagem é esta, a de Lisboa.

O primeiro convidado foi João Gomes da Silva, conhecido arquiteto paisagista que conta no currículo presenças como professor convidado em Harvard, o Prémio Schinkel em arquitetura paisagista ou o prémio D & AD-in Book e European Design Awards – Silver Award. João Pedro Serra, Pedro Mexia, Aquilino Machado, Tiago Pereira e Ana Moya serão outros dos nomes que farão parte deste ciclo. 

Numa conversa que seguiu um registo intimista, acessível e de convite à participação, falou-se de Ribeiro Telles, juntar dois arquitetos paisagistas numa sala e não se fazer referência ao grande Ribeiro Telles era quase impensável, por sinal, Aurora Carapinha foi aluna do mestre.

Sendo a primeira conversa, definir paisagem foi o grande foco, e o que à partida poderia parecer uma tarefa simples mostrou-se ser mais complexa do que o imaginado. Para os arquitetos paisagistas “paisagem é a configuração da biosfera”, o que remete para a ideia de espacialidade. Pode ser também “a forma como a humanidade representa a sua relação com os outros seres naturais”, não havendo assim a dicotomia entre cultura e a natureza ou mesmo “a representação da relação que nós, seres naturais, conseguimos estabelecer, a forma como olhamos para os outros seres naturais”, esta é a definição em que Aurora Carapinha acredita.

Os dois arquitetos foram unânimes ao concordar que “paisagem é um espaço de experiência vital estética” e é fundamental para o bem-estar da humanidade.

João Gomes da Silva, é mais objetivo e fala de paisagem “enquanto espaço”, mais concretamente a “construção desse espaço”, portanto, “interessa fundamentalmente entender a paisagem como um espaço de construção, é a arquitetura do território”.

A paisagem de Lisboa é uma paisagem complexa. O que começou por ser um terraceamento, acabou por ser uma multiplicidade de coisas. Tanto temos na ordem da cidade “as águas oceânicas, o rio que se junta ao estuário, as águas minerais que encheram a cidade até ao século XX de termas”, sendo Alfama o exemplo máximo disso – o seu nome significa “águas termais” e, para o arquiteto, é o bairro que melhor define a origem da cidade, como temos zonas como as Tapadas da Ajuda ou Necessidades que representam os restos dos bosques originais da cidade.

Podemos assim dizer que paisagem é um conceito polissémico, que cada um pode interpretar à sua maneira, mas numa coisa temos todos de concordar, uma paisagem não é só um cenário, é um espaço de vida! E como João Gomes da Silva propôs temos de trabalhar a nossa cidade, “refletir sobre o que temos e como nos podemos preparar para a cidade que ai vem”, pensar em maneiras de reconfigurar a cidade para o presente e médio prazo e não olhar para a “paisagem como uma paisagem fixa, estabilizada”.

Próximas Conversas:

26 setembro 2020 | 14:30  
Pedro Mexia e Aquilino Machado moderado por Aurora Carapinha

26 setembro 2020 | 17:00 
Tiago Pereira e Ana Moya moderado por Aurora Carapinha