Lisboa Capital Verde Europeia 2020 – Lisboa Green Capital 2020
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Lisboa Capital Verde Europeia 2020


QUEM QUER SÓ O QUE PODE, PODE TUDO O QUE QUER


A Capital Verde e a COVID-19:

Talvez esta sensação de que todos estamos a contribuir neste combate;

Talvez este sentimento de co-autoria e de participação nas diversas decisões;

Talvez esta percepção, mais ou menos generalizada, de que as nossas instituições e que quem nos governa está mesmo a trabalhar para todos, com prudência e considerando o bem comum;

Talvez este movimento de ajuda mútua que nos percorre;

Talvez esta acção colectiva de invenções, métodos e maneiras de nos ocupar e animar;

Talvez este pensamento transversal de que, perante os perigos, a ciência acabará por descobrir boas soluções;

Talvez esta razão intuitiva de sabermos que estamos a viver não como queremos, mas como podemos;

Tudo isto resulta de uma necessidade de sobrevivência, e nada é mais forte do que isso.

Tudo isto é facilmente perceptível, tal como inferimos que é preciso puxar a água quando a corda está no poço.

Tudo isto é uma prioridade que salta à vista, tal como imediatamente notamos que não se pode fiar e enrolar ao mesmo tempo.

Tudo isto é isto porque é aceite por todos, tal como conhecemos que é mais fácil carregar o andor quando é sustentado pelos ombros de muitos.

Talvez todos estes “talvezes” e estes “tudos” sejam, afinal, a motivação para o relançamento da Lisboa Capital Verde.

A Capital Verde – A mesma razão de ser

Ora, não sabemos nós a gravidade do problema das alterações climáticas (das ondas de calor, da escassez e da subida das águas), das energias fósseis, da perda da biodiversidade marinha e terrestre, do desordenamento do território, do mau uso do solo, do excesso de ruído e de resíduos, da poluição atmosférica que mata, anualmente, 6 mil portugueses e 7 milhões de pessoas no mundo?

Ora, o combate a tudo isto deixou de ser uma prioridade, deixou de ser perceptível? Não resulta mesmo de uma necessidade de sobrevivência, nossa e do planeta?

Ora, não temos todos, local, nacional, internacionalmente planos e compromissos para combater isto tudo?

Ora, não assumimos nós, Lisboa, e não assinamos com as principais empresas e associações empresariais portuguesas um compromisso para 2030 – Acção Climática Lisboa 2030?

Mas, se assim é, só temos é que avançar com mais determinação. Se não cuidarmos do que está à nossa volta, não estamos a cuidar de nós próprios.

A Capital Verde – As ameaças de hoje

É certo que a Capital Verde já teve inúmeros revezes, desde adiamentos e cancelamentos de exposições, publicações, conferências, concertos, iniciativas e actividades com parceiros, escolas e universidades, a atrasos nas obras, dificuldades na contratação pública, paragem na comunicação.

É certo que a História nos ensina que nas recuperações económicas de outras crises houve sempre um acréscimo de emissões de gases nefastos, extracção de recursos, de desflorestação, de agricultura super intensiva, de desertificação de territórios, de gente nas cidades, de desigualdades sociais e de refugiados.   

É certo que em todos esses períodos os ambientalistas procuraram lutar contra esses efeitos, mas sempre com a táctica de imporem condições e contrapartidas ambientais nos respectivos programas financeiros, muitas vezes sem sucesso.

É certo, pois, que nada disto nos pode deixar descansados.

A Capital Verde – A propósito da esperança, «plantar um jardim é acreditar no amanhã»

Só que desta feita, tal como diz o Secretário-Geral da ONU, o Sr. Eng. António Guterres, “é preciso que a recuperação não cometa os mesmos erros do passado”.

Só que, tal como se costuma dizer, não se vence um perigo sem perigo.

Acresce aqui dizer que o confinamento provocado pelo covid-19 vai causar um efeito devastador no sector do turismo. No entanto, pode ser uma ocasião para se reabitar os centros das cidades, relançar esta actividade de outra forma, com habitantes locais, e com mais investimento no turismo de natureza, que em Portugal tem um gigantesco potencial.

Acresce aqui dizer que este confinamento também nos está a demonstrar o potencial que a aceleração da digitalização pode representar, quer na dinamização dos negócios, quer nas relações de trabalho, quer nas relações de proximidade, quer, em suma, na coesão social, económica e territorial da cidade e do país.  

Acresce aqui dizer ainda que a aposta em políticas de incentivo nas energias renováveis, nos transportes colectivos, na mobilidade partilhada, na economia circular, principalmente dos resíduos, na reutilização da água, na alimentação saudável, na conservação da paisagem é hoje, felizmente, irreversível, mesmo quando as energias fósseis estão com preços muito baixos. É a economia verde que também pode trazer riqueza, mas sobretudo mais bem-estar e mais qualidade de vida para as populações. Além disso, algumas prioridades de investimento poderão mesmo alterar-se em benefício do ambiente ou, por exemplo em Lisboa,  não se acha que passará a ser muito mais importante a construção do “engavetado” Hospital de Todos-os-Santos, em Marvila, ao serviço do SNS, em substituição de vários hospitais, hoje obsoletos, que libertará espaço público e que possibilitará mais habitação para as pessoas no centro da cidade, do que a expansão de um aeroporto que ambientalmente é um desastre? 

Acresce aqui dizer, por último, que as principais tarefas propostas pela capital verde continuam actuais, mas se calhar agora são imprescindíveis: saber informar, sabermos todos onde estamos; apelar à participação, pois a sustentabilidade é um imperativo a que a todos diz respeito; valorizar o que fazemos aqui, quer o que se faz no país, seja na obra, no projeto, na investigação ou, tão só, mostrando as nossas paisagens, porque um bom exemplo é sempre melhor que um sermão; debater com transparência e espírito criativo, do ambiente e alterações climáticas à saúde pública e alimentação saudável; e, claro, comunicar, em permanência, um repto a cada um de nós, individual e colectivo, com mensagens simples mas essenciais para evoluirmos, para escolhermos.

Até dia 5 de junho – Dia do Ambiente – apresentaremos   uma nova programação com o mesmo objectivo, com o mesmo mote #escolheevoluir.

Até esse dia não deixaremos de estar presentes, com informações e sugestões.

Até porque continuamos com os mesmos parceiros, com muitas iniciativas que não se perderam e com uma equipa com o mesmo sonho de realizar.

Só que, o mais importante, é mesmo agarrarmos este tempo, é mesmo conseguirmos que a preservação do ambiente e o combate às alterações climáticas, que muitos de nós e muitas organizações há muito reclamam, sejam, tal como se está a verificar nesta pandemia, uma prioridade apreendida por todos, uma necessidade de sobrevivência e de urgência em que todos sintamos que somos precisos e convocados e que, caso contrário, os seus efeitos, que já matam, matarão muito mais do que a covid-19.

Conclusão:

Aquilo que já fizemos em Lisboa e no país em relação ao Ambiente, está feito. Não está por fazer. E se não quisermos perder tudo o que feito, temos de ir mais além, com os Planos que temos, mas agora até com mais aliados, com aqueles que já se comprometeram – Acção Climática para Lisboa 2030 – mas também com os que tratam da habitação, do digital, da solidariedade e da saúde pública.

O que se deseja é que depois da recuperação económica, que todos esperamos e queremos, depois da Lisboa Capital Verde 2020, quem vier a elogiar as melhorias ambientais de Lisboa, pergunte também quem foi o responsável por isso e que, nessa altura, possamos todos responder da mesma forma como iremos dizer quando derrotarmos esta pandemia do covid-19 – Fui eu! Fomos todos nós!

#escolheevoluir

Lisboa, 14 de Abril 2020
José Sá Fernandes