Jardins Históricos Portugueses – Lisboa Green Capital 2020
-Exposições

Jardins Históricos Portugueses

“Os jardins são criações humanas que dão origem a lugares para a nossa conciliação com a natureza. São espaços de luz e sombras, grandes ou pequenos, mudam com as horas do dia ou estações e estão sempre prontos para nos surpreender!”

Na sua história já foram de tudo um pouco: locais de refúgio do mundo, onde a contemplação, a oração, o estudo, o trabalho artístico ou a agricultura eram contemplados. Locais de rituais “pagãos” escolhidos por comunidades que pretendiam atingir o transcendente, tornando-os locais sagrados onde as festividades profanas e religiosas comungavam. Locais de caça e recreio para a aristocracia. Locais de afirmação de poder servindo de palco para as mais incríveis e luxuosas festas. Ou mesmo locais de inspiração para as mais belas poesias.

E é assim que somos transportados para a nova exposição presente na Biblioteca Nacional de Portugal – “Jardins Históricos de Portugal”, a primeira exposição dedicada a estes jardins, a estes belos jardins que cobrem o nosso pequeno país de lés a lés e que são, talvez, o património cultural mais desconhecido, mais bonito e mais ameaçado do país.

A primeira coisa que reparamos é no painel repleto de ferramentas e imagens de plantas num fundo branco que antecede ao espaço da exibição. É uma bela maneira de nos ambientarmos e preparamo-nos para o que vamos ver.

Depois deste painel que nos deixa expectantes para o que virá a seguir, entramos na exibição composta por três secções: Memórias Incompletas, Memórias Reconstruídas e Um Presente com Futuro.

Na primeira secção são-nos apresentadas memórias sobre estes espaços, em forma de obras bibliográficas, que se encontram integradas nos Fundos da Biblioteca Nacional de Portugal. É a melhor forma de conhecermos estes jardins, estas obras evolutivas que conhecem diferentes fases e estádios ao longo da sua existência e que estão, muitas vezes, sujeitas ao abandono ou à destruição. Por isso, a melhor forma de os conservarmos é através do conhecimento da sua história e memória. Aqui podemos ver exemplares que remontam ao século XVI, são obras que contam as mais diversas histórias dos mais diversos locais, como o Mosteiro de Alcobaça, de Santa Maria ou do Convento da Penha Longa. São verdadeiros fragmentos de história, são impressionantes!

Depois deste pequeno “regresso ao passado”, passamos para as Memórias Reconstruídas, onde temos a perceção das diversas tipologias de jardins históricos. Aqui o saber interpretar um jardim é destaque, dando ferramentas para que a visita se realize da melhor forma, seja através da informação, seja através da experiência emocional onde se tira o máximo proveito dos sentidos.

É o momento de vislumbrar plantas incríveis que nos mostram lugares representativos das cinco principais tipologias dos jardins históricos de Portugal: cercas conventuais, santuários, quintas de recreio, jardins botânicos e jardins e parques públicos. 

Por fim, chegamos à terceira e última secção da mostra: Um Presente com Futuro, onde somos convidados a descobrir as 12 rotas turísticas dos Jardins Históricos de Portugal.

São 12 rotas que nos mostram alguns dos mais belos espaços verdes do nosso país, começando no interior de Portugal e acabando nas ilhas, sem esquecer o litoral e os grandes centros urbanos do Grande Porto e da Grande Lisboa.

É aqui que vemos as mais belas fotografias destes lugares que tanto podem ser privados como públicos, mas todos possíveis de visitar, são as mais belas fotografias que nos mostram belezas como a Quinta da Regaleira em Sintra, o jardim do Castelo de São Jorge em Lisboa, a Quinta da Magnólia no Funchal, o Jardim Botânico do Porto ou o Castelo de Marvão. Todas elas fotografias recentes, colocadas em moldura, fazendo lembrar as que temos em nossa casa, com os retratos dos nossos familiares e amigos.

É, sem dúvida, uma viagem incrível pelo nosso país, por toda a beleza que nele existe e é, sem dúvida, uma forma de chamarmos a atenção para a preservação destes espaços que merecem perpetuar no futuro. 

A mostra encontra-se em exposição na Biblioteca Nacional de Portugal, até 21 de março de 2021.