Investigadores portugueses em projeto internacional para medir a quantidade rádon na atmosfera – Lisboa Green Capital 2020
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Investigadores portugueses em projeto internacional para medir a quantidade rádon na atmosfera

Cientistas do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) integram um novo projeto que pretende mensurar a quantidade de gás rádon na atmosfera, deste estudo poderão resultar medidas com grande impacto no clima e na saúde.

Susana Barbosa, investigadora do INES TEC, referiu em declarações à agência Lusa que este projeto constituído por mais de 17 parceiros oriundos de 13 países e com um financiamento de dois milhões de euros, poderá gerar “dados importantes” tanto ao nível do clima como da “proteção de pessoas”.

“O rádon é um gás estranho porque não tem cheiro, não tem cor e não se vê, mas está em todo o lado, nuns sítios mais, noutros menos, mas está sempre a ser formado. Este projeto será particularmente importante para Portugal porque temos concentrações muito altas de rádon por causa dos granitos”, referiu a cientista.

Com o nome de “traceRadon” este projeto pretende calcular a quantidade de gás na atmosfera, pois apesar de o rádon ser considerado “fácil de medir” no solo, devido ao facto de se tratar de um gás radioativo, não existem ainda ferramentas capazes de “medir com precisão a sua quantidade na atmosfera”, nem em locais onde a sua concentração seja muito elevada.

“O rádon é criado nas rochas e uma parte dele liberta-se para a atmosfera porque é um gás. O nosso objetivo é conseguir medir esse fluxo de libertação do rádon do solo para a atmosfera e, depois, medir na própria atmosfera”, clarificou a investigadora.

Esta medição possibilitará obter informações “mais rigorosas” no que toca ao nível do clima, bem como da saúde.

No que diz respeito ao clima, os investigadores pretendem “usar o rádon como medida indireta” dos gases que provocam o efeito de estufa e, desta forma, “inferir a quantidade de emissão” desses gases.

“As emissões dos gases que provocam efeito de estufa são muito difíceis de medir espacialmente e temporalmente. Se conseguirmos, a partir do rádon, que por ser radioativo tem um efeito traçador, inferir a quantidade de emissão de gases de efeito de estufa é um grande avanço para o clima”, destacou.

Os investigadores, além da quantidade global de emissões, irão também tentar perceber que gases estão a ser emitidos para a atmosfera, onde e quando.

Relativamente à área da saúde, o projeto foca-se na proteção das pessoas que estão expostas a este gás radioativo que é a “segunda causa de cancro do pulmão a seguir ao tabaco”.

“Uma das preocupações é medir o rádon dentro dos edifícios, porque acima de uma certa concentração torna-se perigoso para as pessoas. Por um lado, tornamos as casas mais seguras e eficientes energeticamente, mas por outro, ao não arejar, acumulamos estes elementos”, mencionou Susana Barbosa.

Assim, os cientistas irão medir a quantidade de radiação existente dentro das casas ao longo do ano, dado que, apesar de não ser uma radiação elevada, é “constante” e a exposição ao gás traz consequências para a saúde.

“Sabemos que, em Portugal, a zona da Serra da Estrela é um grande ponto de rádon, essencialmente pela composição das rochas. Se tivermos medidas e mapas dinâmicos de fluxo de rádon, vamos ter informação que nos permite dizer que áreas são mais sujeitas”, frisou a investigadora.

As ferramentas desenvolvidas no âmbito deste projeto vão ser disponibilizadas nas redes de monitorização atmosférica, como o Integrated Carbon Observation System (ICOS), e nas redes de monitorização da radioatividade ambiental, como o European Radiological Data Exchange Plataform (EURDEP).

Neste projeto financiado pela EURAMET – European Association of National Metrology Institute, também fazem parte a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte) e o AIR Centre.