Investigadores da Universidade de Évora descobrem planta rara na Costa Vicentina – Lisboa Green Capital 2020
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Investigadores da Universidade de Évora descobrem planta rara na Costa Vicentina

Setembro começou com novas descobertas, a Universidade de Évora anunciou a a existência de uma nova planta endémica “rara e fortemente ameaçada” e que está “restringida a nível mundial a pequenas áreas da Costa Vicentina”.

Helosciadium milfontinum, assim se chama a planta recentemente descoberta pela Universidade de Évora, em conjunto com botânicos da Universidade de Oviedo, em Espanha, nos charcos temporários do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. O nome desta nova espécie de planta “endémica, rara e fortemente ameaçada” é uma homenagem à zona onde a descoberta ocorreu – Vila Nova de Milfontes.

Os cientistas demonstraram que esta espécie difere de outra já “previamente identificada”, a Apium repens, “cuja área de distribuição é mais abrangente no território europeu”.

Os investigadores, através de um estudo às características morfológicas e genéticas da planta, mostraram que esta espécie é distinta relativamente à outra que já se encontrava classificada. A Universidade de Évora frisa ainda que esta nova planta “encontra-se restringida mundialmente a pequenas áreas da Costa Vicentina”.

O conjunto destas flores “faz lembrar um pequeno guarda-chuva, semelhante às flores do agrião, que floresce entre julho e agosto e frutifica no início de setembro”. Refere Carla Pinto Cruz, investigadora do Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento da EU (MED).

A investigadora acrescenta ainda que esta nova planta possui caules rastejantes “que enraízam em nós, e as folhas são lobadas e têm as margens dentadas”

Através de um estudo taxonómico* e recorrendo a amostras já existentes tanto em herbários como recolhidas na natureza, “foi possível clarificar a identidade desta planta”, destacou.

Desde o início do século que os cientistas passaram a recorrer a dados moleculares para melhorar a classificação das plantas e a identificação das espécies e foi através “da identificação de pequenas sequências de DNA, próprias de cada espécie”, que foi “possível a descoberta da ‘Helosciadium milfontinum’”, explicou Carla Pinto Cruz.

A investigadora salienta ainda que “identificação precisa de cada espécie é essencial para melhor podermos planear adequadamente os esforços de conservação”

“Ao percebermos que esta pequena planta está mais isolada geneticamente do que pensávamos, passamos a estar mais conscientes do seu verdadeiro estatuto, da sua importância e do elevado grau de ameaça”, sublinha Carla Pinto.

A planta já tinha sido alvo de alguns esforços de conservação, mas só tendo um bom conhecimento das espécies, como viemos demonstrar neste estudo”, é que “podemos perspetivar e priorizar adequadamente os esforços de conservação” reforça a investigadora.


*Taxonomia 

A definição exata de “taxonomia” varia ligeiramente de fonte para fonte, mas o núcleo da disciplina permanece: a conceção, nomeação e classificação dos grupos de organismos. Nas referências, três definições são encontradas nos livros didáticos. Veja, abaixo:

  • Teoria e prática de agrupamento de indivíduos em espécies, organizando as espécies em grupos maiores e dando os nomes aos grupos, produzindo assim uma classificação; 
  • Um campo da ciência (e principal componente da sistemática) que engloba identificação, descrição, nomenclatura e classificação; 
  • A ciência da classificação, em biologia, o arranjo dos organismos em uma classificação.