Gonçalo Ribeiro Telles é homenageado na reabertura da Casa dos Vinte e Quatro – Lisboa Green Capital 2020
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Gonçalo Ribeiro Telles é homenageado na reabertura da Casa dos Vinte e Quatro

Depois de obras de reabilitação, este espaço histórico reabre com uma homenagem a Gonçalo Ribeiro Telles “O Mester da Paisagem”.

Há exatamente 30 anos, Gonçalo Ribeiro Telles era nomeado Chanceler das Ordens Nacionais, 30 anos depois, o “pai do Plano Verde de Lisboa”, é homenageado numa exposição que retrata toda a sua obra na fantástica Casa dos Vinte e Quatro, alvo de obras de restauração apoiadas pela Câmara Municipal de Lisboa.

Considerado o Grande Mester de Hoje, Gonçalo Ribeiro Telles é o grande homem dos ofícios, um arquiteto paisagista, um ecologista e o vencedor da mais importante distinção internacional no campo da arquitetura paisagista – o Sir Geoffrey Jellicoe.

Sendo um membro da secular irmandade da Casa dos Vinte e Quatro, fazia todo o sentido que a viagem pela sua incrível carreira e obra fosse aqui apresentada.
São dezenas de projetos, de plantas, de ideias, que mostram o assombroso trabalho de Ribeiro Telles. Até os esboços das suas aulas podemos vislumbrar, num pequeno jardim que nos faz a todos, por mais jeito que tenhamos, ou não, para esta arte querer aprender com o Mester!
É uma viagem pelo tempo, é uma viagem pelo trabalho de uma vida, é uma viagem por uma obra caracterizada pela sua mestria de pensar e trabalhar a paisagem. 

O “Professor”, como é tratado por todos, deixa-nos um legado imenso, desde centenas de jardins privados, como os de Sophia de Mello Breyner, a outras centenas de projetos por todo o país. Mas é em Lisboa que a sua marca é mais presente, sendo exemplo disso os jardins da Capela de São Jerónimo no Restelo, a cobertura vegetal da colina do Castelo de São Jorge, o Jardim Amália Rodrigues, junto ao parque Eduardo VII, o Grémio Literário ou, o que é , provavelmente, o mais marcante da sua carreira: o Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, que lhe valeu o Prémio Valmor em 1975.

A Casa dos Vinte e Quatro

Criada em 1383 pelo regente do reino e futuro rei D. João I, esta instituição era constituída por 24 homens, dois de cada mester, para participarem nas deliberações da Câmara de Lisboa.

Esta casa tão cheia de história foi palco das mais importantes reuniões das cortes onde foram tomadas diversas decisões que mudaram o rumo da história. Nesta casa, por exemplo, decidiu-se o apoio a D. João IV para Rei de Portugal, o que nos valeu a independência.

Até à sua extinção em 1834, com a implantação do regime constitucional, a Casa dos Vinte e Quatro passou por diversos locais como a Igreja de S. Domingos, o Hospital de Todos os Santos até que, por fim, foi acolhida pela Irmandade de S. José dos Carpinteiros (sendo os carpinteiros um dos mesters que faziam parte da casa).

Agora totalmente recuperada, podemos ver pedaços da História, da nossa História! Podemos visitar a famosa sala dos examinadores, onde se realizavam as solenes provas dos candidatos a mestres. Podemos ver a mesa dos Vinte e Quatro e imaginar as grandes decisões aqui tomadas, podemos ver os azulejos com séculos e séculos de história, podemos maravilhar-nos com o pequeno jardim e podemos, sem dúvida, aprender mais sobre a nossa história!  

Igreja de São José dos Carpinteiros

Fundada em 1545 pela Irmandade de São José dos Carpinteiros, ampliada no século XVII e reedificada depois do terramoto de 1755. Esta igreja tem um interior extremamente rico, com um estilo barroco, onde se destacam os lambris de azulejos setecentistas e as pinturas oitocentistas do teto da nave, figuradas por São José e o Anjo, assim como, o retábulo em mármore.

A homenagem ao Arquiteto, e a inauguração oficial da exposição, decorreu hoje com a presença do primeiro-ministro – António Costa, do presidente da Câmara Municipal de Lisboa – Fernando Medina, do cardeal Patriarca de Lisboa – D. Manuel Clemente e de membros da família do arquiteto.

Tanto a igreja, como a casa que lhe é adjacente, são propriedade da Irmandade de São José dos Carpinteiros e constituem um património valioso de Lisboa que, durante anos, esteve fechado ao público. Portanto, agora é uma ótima oportunidade para conhecer este belo local, juntamente, com o trabalho de Ribeiro Telles. A mostra está presente até 30 de dezembro de 2020, e tem a curadoria de Margarida Cancela de Abreu, Teresa Bettencourt da Câmara e António Braga.