Galardão Eco-Escolas 2020 – Lisboa Green Capital 2020
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Galardão Eco-Escolas 2020

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Reconhecer o trabalho de todos os que contribuíram para tornar o dia-a-dia das escolas e das comunidades onde estas estão inseridas mais sustentável é o objetivo do Dia das Bandeiras Verdes – Galardão Eco-Escolas.  

Realizado online na passada sexta-feira, uma adaptação resultante do contexto pandémico que vivemos, esta cerimónia serve para reconhecer os resultados de um ano de trabalho nas Eco-Escolas. 

Este evento é uma viagem por todo o país, passando por cada distrito e região, onde escolas, municípios ou parceiros partilham o seu testemunho do que é participar no galardão Eco-Escolas, neste ano em particular.

A cerimónia contou com a presença dos parceiros João Costa e Inês dos Santos Costa – Secretários de Estado do Ambiente e da Educação, respetivamente – e de José Sá Fernandes, Vereador do Ambiente, Energia e Clima e Estrutura Verde da Câmara Municipal de Lisboa, a representar a Lisboa Capital Verde 2020.

Para José Archer, Presidente da ABAE, as Eco-Escolas passam por algumas adversidades e esta capacidade de superação “advém do próprio DNA do programa das Eco-Escolas”, um “programa que assenta essencialmente na cooperação e na participação. Uma cooperação estreita entre a escola e o seu município (…), a cooperação firmada e vigente desde 1996 entre os ministérios do ambiente e da educação (…), e a cooperação com as empresas e outras entidades parceiras que, em cada momento, apoiam e permitem as Eco-Escolas desenvolver mais atividades”.

Este programa que se baseia “na participação e envolvimento de toda a comunidade (escolar)” contou este ano com 8257 inscrições nos 25 projetos lançados, resultando em 319 prémios atribuídos aos melhores trabalhos.

Também o esforço extra por parte desta comunidade, devido à situação atual, não ficou esquecido “sabemos que na natureza sobrevive melhor quem se adapta mais do que quem é mais forte e, neste ano, as 1617 escolas galardoadas vieram precisamente mostrar-nos a sua capacidade de adaptação num período especialmente difícil graças a um esforço suplementar”, refere.

João Costa, Secretario de Estado da Educação, agradece a todos “os professores que mantiveram a escola mesmo quando estava fechada, ou seja, não permitiram que o ensino à distância se transformasse num ensino sem experiência, sem experimentação, e, tal como todo nós, se reinventaram para que estas escolas nunca parassem”.

Segundo o Secretário de Estado pensar no ambiente é pensar em todas as problemáticas que este envolve, remetendo às suas origens e a todas as suas áreas transversais “quando nós pensamos sobre o ambiente, sobre o clima, sobre as questões da ecologia, temos de pensar exatamente no quê que estamos a trabalhar e, por exemplo, se pensarmos num tema tão claro como as alterações climáticas nós percebemos claramente que isto não é um tema ou apenas da geografia ou apenas da biologia ou apenas das ciências naturais, é um tema absolutamente transversal. Para nós podermos agir sobre estas dimensões, que se tornaram urgência no nosso planeta, nós precisamos não só de conhecer bem as causas, mas também de conhecer o que está por trás”.

Dai a importância de nos munirmos de armas, ou conhecimento e consciência critica, para o combatermos, algo que é visível neste projeto.

“Nós hoje somos bombardeados com informação sem qualidade, informação que não é conhecimento (…) mas para nós sermos críticos na forma como a recebemos temos de perceber que 97% dos cientistas do mundo estão de acordo que há um problema climático e, por isso, isto não é uma matéria de opinião, é uma matéria de facto, de evidência e todos vocês, alunos, que participam nesta iniciativa e participam na escola ao participarem nestes projetos, ao participarem nesta área de cidadania estão a ser invadidos com conhecimento que vos permite tomar as melhores opções” afirma João Costa.

Para Inês dos Santos Costa, Secretária de Estado do Ambiente, existem três coisas que não podemos deixar de parte para “fazer caminhos verdes para fora da pandemia”. 

Primeiro temos que ultrapassar aquelas seis famosas fases da negação “que não é real/ que não somos nós/ que não é assim tão mau/ que é demasiado caro adaptar e mudar/ ah mas de repente aparece uma solução extraordinária mas que afinal não dá em nada/ e olha agora é tarde demais deviam ter-nos avisado antes”; segundo acho que temos de reconhecer que ser sustentável não é apenas algo que se encontra no cruzamento entre economia, sociedade e ambiente. Ser sustentável é ter um sistema socioeconómico em equilíbrio com o sistema que o envolve que é a nossa biosfera. Hoje não há esse equilíbrio, nós temos desigualdades, temos poluição, temos alterações climáticas, temos pobreza. Nós temos que resgatar esse equilíbrio e temos de criar as condições para resgatar esse equilíbrio. (…); e terceiro as pessoas devem estar no centro dessa transformação, uma transição justa não se faz só de energia mas do dia-a-dia, de tudo o que se cria, tudo o que se vende, tudo o que se consome e como se descarta, nós precisamos de facto de pensar em todo o ciclo de vida, precisamos de facto de um sistema de produção e consumo mais sustentável”.

Já para José Sá Fernandes, Vereador do Ambiente, esta é a altura de nos reinventarmos, “reinventar para virmos ainda com mais força para os tempos pós pandemia”. Reforçando ainda que, apesar do mundo neste momento não estar preocupado com esta problemática devido à pandemia e a todas as incertezas resultantes, “em breve vai perceber que é aqui que está o futuro de nós próprios, seja na biodiversidade, seja no ornamento do território, seja nos resíduos, seja na água, na energia”.

O Vereador do Ambiente deixa ainda um convite para “uma grande exposição, talvez a maior exposição que já se fez em Portugal sobre parques e reservas naturais. No fundo não se fala de Lisboa, fala-se do país todo, dos sítios onde são as maior parte das escolas que estão aqui representadas. As escolas de Lisboa podem ir visitar a exposição para conhecerem um país absolutamente extraordinário em termos de natureza, biodiversidade (…)” que irá acontecer em novembro.

Eco-Escolas

Com mais de 30 anos de história, a Associação Bandeira Azul da Europa – ABAE – é uma organização não-governamental do ambiente pertencente a uma agregação de ONGs com membros de 77 países.

O maior programa escolar sobre sustentabilidade a nível global foi criado em 1992 na Cimeira do Rio de Janeiro – ECO92 – tendo-se iniciado no nosso país 4 anos depois – 1996.

Em Portugal tem-se assistido a um crescimento no número de escolas aderentes, mesmo neste ano atípico e de pandemia, passando de 1772 escolas inscritas em 241 municípios em 2019 para 2045 escolas em 250 municípios em 2020, resultado de “muitas escolas de Lisboa que se inscreveram pela primeira vez devido à Capital Verde”, refere Margarida Gomes, ABAE.

No que toca ao nível de concretização por distrito: galardoadas/inscritas, os distritos de Aveiro, da Região Autónoma da Madeira, Castelo Branco, Vila Real são os que possuem maior concretização, com valores que ultrapassam os 90%.

O top 7 dos conselhos com 40 ou mais escolas galardoadas:

  • Torres Vedras; 
  • Sintra; 
  • Vila Nova de Gaia;
  • Vila nova de Famalicão;
  • Lisboa;
  • Gondomar;
  • Guimarães.

Para 2020/2021

Os temas obrigatórios: água, resíduos e energia mantêm-se, sendo os chamados temas base. Por sua vez, a biodiversidade, ruído, alterações climáticas, agricultura biológica, mobilidade sustentável, alimentação saudável e sustentável, geodiversidade, mar e floresta são tidos como complementares. A esta lista juntam-se os temas do ano: espaços exteriores e o ar. Estes temas desdobram-se em imensos projetos e atividades onde as Eco-Escolas poderão participar.

A nível internacional encontra-se em vigor o primeiro desafio com o término definido para dia 30 de novembro, tendo como tema “Água, saneamento e higiene” é proposto aos mais jovens organizem uma aula para a família sobre saneamento e hábitos de higiene e criem vídeos que inspirem uma ação positiva. Os próximos temas a serem abordados serão gestão de resíduos, saúde e nutrição e biodiversidade.

Outra das novidades é o lançamento do Galardão EcoCampus, destinado ao ensino superior. Neste momento existem 25 escolas em Portugal que já participam na Eco-Escolas e que, a partir de janeiro, poderão candidatar-se a este prémio.

Prémios

A entrega de prémios foi feita de forma simbólica através de um município e de uma escola por cada distrito e região do país. A escolha baseou-se no número de Eco-Escolas que cada município possuía e no ano de adesão da escola à rede, de forma a que “com o seu testemunho venham representar todas as 1617 escolas galardoadas que aqui vão receber, hoje, merecidamente a sua bandeira Eco-Escolas” refere José Archer.

  • Bragança, 13 Eco-Escolas – Município de Alfândega da Fé – Escola Básica e Secundária de Mogadouro, aderiu em 2016;
  • Portalegre, 15 Eco-Escolas – Município de Portalegre – Escola Básica de Gavião, aderiu em 2007;
  • Guarda, 17 Eco-Escolas – Município de Gouveia – Escola Secundária/3º Ciclo Gonçalo Anes Bandarra, aderiu em 2001;
  • Vila Real, 17 Eco-Escolas – Município de Vila Real – Escola EB 2,3 Diogo Cão, aderiu em 1997;
  • Beja, 21 Eco-Escolas – Município de Odemira – Escola Básica de Amareleja, aderiu em 2004;
  • Castelo Branco, 21 Eco-Escolas – Município da Covilhã – Instituto Vaz Serra, aderiu em 2008; 
  • Viseu, 28 Eco-Escolas – Município de Viseu – Escola EB 2,3 Gomes Eanes de Azurara, aderiu em 2000;
  • Évora, 31 Eco-Escolas – Município de Évora – Escola Básica Conde de Vilalva, aderiu em 1998;
  • Viana do Castelo, 39 Eco-Escolas – Município de Caminha – Escola Básica e Secundaria Sidónio Pais, aderiu em 2004;
  • Região Autónoma dos Açores, 52 Eco-Escolas – Município de Ponta Delgada – Escola EBI/S Cardeal Costa Nunes, aderiu em 2001;
  • Faro, 52 Eco-Escolas – Município de Albufeira – Escola EB1 de Cabanas de Tavira, aderiu 2006
  • Santarém, 73 Eco-Escolas – Município do Entroncamento – Escola EB 2,3 de Alcanede, aderiu em 1998;
  • Leiria, 90 Eco-Escolas – Município de Leiria – Escola Básica Guilherme Stephens, aderiu em 1997;
  • Setúbal, 103 Eco-Escolas – Município de Setúbal – Escola Básica Barbosa du Bocage, aderiu em 2000;
  • Coimbra, 110 Eco-Escolas – Município de Miranda do Corvo – Escola Tecnológica e Profissional de Sicó-Penela, aderiu em 1998;
  • R.A Madeira, 128 Eco-Escolas – Município de Câmara de Lobos – Escola EB1/PE Dr Clemente Tavares, aderiu em 2002;
  • Braga, 139 Eco-Escolas – Município de Vila Nova de Famalicão – Externato Infante D. Henrique, aderiu em 2003;
  • Aveiro, 159 Eco-Escolas – Município de Ílhavo – Escola EB Comendador Ângelo Azevedo, aderiu em 2002;
  • Porto, 229 Eco-Escolas – Município de Vila Nova de Gaia – Escola EB 2,3 da Maia, aderiu em 1997;
  • Lisboa, 280 Eco-Escolas – Município de Torres Vedras – Escola EBI do Carregado, aderiu em 1997.

Ainda houve espaço para uma homenagem surpresa às escolas “madrinha” pelas suas próprias Eco-Escolas, só este ano existiram 28 escolas madrinha.

“As escolas madrinha é um conceito que queremos cada vez mais incentivar, é a entreajuda, é o trabalho em grupo, é a cooperação, umas vezes dentro do próprio agrupamento, outras vezes fora”, refere Margarida Gomes.

Também os Eco-Agrupamentos – um agrupamento 100% Eco-Escolas – não ficaram esquecidos e os 63 existentes neste momento (com um total de 451 escolas) viu o seu esforço recompensado.

No dia 18 de novembro, pelas 17:30, a ABAE irá realizar uma sessão online para o esclarecimento de dúvidas sobre a implementação do programa Eco-Escolas. Mais informações no site da organização.