Foram reencontradas 17 espécies de plantas consideradas extintas e uma delas é portuguesa – Lisboa Green Capital 2020
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Foram reencontradas 17 espécies de plantas consideradas extintas e uma delas é portuguesa

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Dezassete espécies europeias de plantas que, até então eram consideradas extintas, foram reencontradas na natureza ou preservadas em coleções, de acordo com um estudo publicado na revista científica “Nature Plants”.

A informação foi divulgada hoje pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa através de um comunicado. O documento dá conta que as 17 espécies que agora foram redescobertas são nativas essencialmente da bacia do Mediterrâneo, acrescentando ainda que três das espécies foram descobertas na natureza, duas preservadas em jardins botânicos europeus e bancos de sementes e, as restantes, reclassificadas “através de uma extensa revisão taxonómica”.

David Draper, um dos autores do estudo e investigador do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais e do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa, em declarações à Lusa, referiu que uma das plantas é originária de Portugal, sendo, no entanto, necessários mais estudos de confirmação.
“Arneria arcuata”, o nome endémico da espécie em causa, é originaria do litoral sudoeste de Portugal e os últimos registos datam do final do século XIX. Os investigadores, através do estudo, encontraram a espécie preservada no Jardim Botânico da Universidade de Utrecht, na Holanda.

Contudo o investigador reforça a necessidade de fazer estudos genéticos de forma a confirmar a redescoberta, para que não haja uma “má identificação” derivada do desaparecimento desta planta por 150 anos. 

Se depois dos estudos, o resultado indicar que se trata de uma “Armeria arcuata”, a mesma deveria idealmente ser devolvida à natureza, explica o cientista, acrescentando que, como existem apenas “três ou quatro pés”, será necessário, em primeiro plano, um trabalho longo de recuperação, nomeadamente através da sua dispersão por vários jardins botânicos.

A descoberta, hoje anunciada, irá permitir o lançamento de programas de conservação para várias das espécies consideradas raras ou sob ameaça de uma extinção definitiva.

David Draper, citado no comunicado, acrescenta ainda que a investigação “exigiu um trabalho minucioso de detetive, especialmente para verificar informações, muitas vezes imprecisas, reportadas de uma fonte para outra, sem as devidas verificações”.

A investigação, liderada por Thomas Aheli e Giulia Albani Rocchetti, investigadores da Universidade Roma ter (Itália), analisou 36 espécies endémicas europeias cujo estatuto de conservação era “Extinto” na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Como métodos escolhidos, além da monitorização continua na natureza que envolveu universidades, museus, jardins botânicos e bancos de sementes, foram usadas técnicas avançadas para estudar a variabilidade das espécies.

David Drapner, nas declarações à Lusa, destacou ainda o facto de que as restantes 19 espécies analisadas estão perdidas para sempre. E, para o investigador, a possibilidade de serem reencontradas também “pode acontecer, mas é cada vez mais difícil”.

O cientista considerou ainda fundamental prevenir extinções de plantas, algo que acredita ser mais fácil do que depois se procurar “ressuscitar” espécies, sendo por isso necessário investigar e criar condições para que não se chegue ao ponto de extinção.