Emergência climática é a principal prioridade para a ONU – Lisboa Green Capital 2020
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Emergência climática é a principal prioridade para a ONU

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Iniciou-se no domingo, 10 de janeiro, a celebração dos 75 anos da primeira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (realizada a 10 de janeiro de 1946 em Londres), este ano num registo virtual devido à pandemia que assola o mundo.

No primeiro dia o destaque foi para o ato comemorativo “We are the Peoples”, onde o secretário-geral da ONU, António Guterres, participou em debates interativos e reuniões com vários membros do governo inglês.

Hoje, segunda-feira, foi o tema “mudanças climáticas” que se encontrou debaixo dos holofotes. 

“Dar resposta às alterações climáticas é a prioridade número um para a Organização das Nações Unidas”, destacou António Guterres, ao mesmo tempo que afirma que o mundo pode emergir mais forte da pandemia se todos colaborarem, seja organizações, setor privado, sociedade civil ou governos.

A partir da sede da ONU, em Nova Iorque, o secretário-geral falou sobre a importância da recuperação da pandemia para a criação de um mundo mais saudável e justo para todos. António Guterres apelou principalmente aos jovens, lembrando-os que esta organização (ONU) nasceu logo após a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) e mencionando o “sofrimento sem precedentes” impostos ao mundo e aos judeus na Europa que enfrentaram o extermínio.

António Guterres relembrou ainda a Carta do Atlântico, um documento resultante da união entre o primeiro-ministro do Reino Unido Winston Churchill e o presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Delano Roosevelt, para executar o que chamou de uma “visão única para as gerações do pós-guerra”. Foi com este documento assinado a bordo do HMS Prince of Wales, que se estabeleceram as bases de uma ordem para um mundo mais justo, democrático, que defende os direitos humanos e os Estados de direito.
E é aqui que o secretário-geral afirma que a prioridade das Nações Unidas é a ação climática, seguida de uma ação para proteger os direitos humanos, enfrentar a corrupção e os conflitos, promover a sustentabilidade, o crescimento inclusivo e a criação de empregos. 

Para Guterres o mundo contemporâneo enfrenta desafios sem precedentes, no entanto, refere que existem motivos para sermos otimistas, dado que, na sua opinião, as pessoas compreendem que os problemas de hoje precisam de formas novas de abordagem que se baseiem em valores e princípios comuns.

O secretário-geral deixou ainda um lembrete para todos os países, cidades, organizações, instituições e empresas ao referir que é necessário adotar o plano de zero emissões até 2050 e, para isso, as metas de curto prazo são para ser adotadas já. Trabalhar em conjunto é fulcral para garantir a defesa dos direitos humanos, a igualdade de género, a neutralidade carbónica, entre outras grandes bandeiras da humanidade, reforça Guterres.

Carta do Atlântico 
A Carta do Atlântico foi negociada na Conferência do Atlântico pelo primeiro-ministro Winston Churchill e pelo presidente dos Estados Unidos da América Franklin Roosevelt a bordo do HMS Prince of Wales, na Argentia, Terra Nova, e foi emitida como declaração no dia 14 de agosto de 1941.

 A Carta declarou em oito pontos os objetivos ideais da guerra:

  1. Nenhum ganho territorial deveria ser procurado pelos Estados Unidos ou pelo Reino Unido;
  2. Os ajustes territoriais devem estar de acordo com os desejos dos povos interessados;
  3. Todas as pessoas tinham direito à autodeterminação;
  4. As barreiras comerciais deveriam ser reduzidas;
  5. Deveria haver cooperação económica global e avanço do bem-estar social;
  6. Os participantes trabalhariam por um mundo livre de desejos e medo;
  7. Os participantes trabalhariam pela liberdade dos mares;
  8. Deveria haver desarmamento das nações agressoras e um desarmamento comum. 

Este acordo esteve na origem da formação da Organização das Nações Unidas em 1946.