Em Portugal reciclamos apenas 33,9% das embalagens de plástico – Lisboa Green Capital 2020
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Em Portugal reciclamos apenas 33,9% das embalagens de plástico

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Todos nós sabemos o quanto é necessário e importante reciclar1, sendo esta necessidade de tratar o lixo algo que não é exclusivo da sociedade contemporânea, sendo já sentida e compreendida na Grécia Antiga. Aqui, o lixo das cidades era colocado a dois quilómetros das muralhas de proteção da cidade de forma a evitar o contacto com a população. No entanto, foi com a Revolução Industrial, no século XIX, que a produção de resíduos passou por um grande aumento que desencadeou danos sanitários graves derivados da novidade de resíduos que deixaram de ser apenas orgânicos para englobar também os químicos, industriais, radioativos e eletrónicos. Mas, mesmo assim, os resíduos continuaram a ser descartados sem tratamento, provocando, desta forma, a contaminação dos solos e mares até aos anos 70 quando começaram a crescer os movimentos ambientalistas nos Estados Unidos da América. Por sua vez, é nos anos 80, que o termo “eco desenvolvimento” nasce pelas mãos do economista Ignacy Sachs, fundador do Centro Internacional sobre Pesquisa e Meio ambiente em Paris, um centro que fomentava discussões e pesquisas sobre o tema. Depressa chegamos aos anos 90, mais concretamente a 1996, o ano que nasce em Portugal o conceito de reciclagem de embalagens, pelas mãos da recém-formada Sociedade Ponto Verde (SPV), que vem assim gerir a reciclagem e valorizar as embalagens usadas.

Duas décadas passadas e Portugal já separou e enviou para reciclagem mais de sete milhões de toneladas de resíduos de embalagens, o que corresponde ao peso de três Pontes Vasco da Gama.

Mas, mesmo que os hábitos de reciclagem tenham sofrido um incremento nos últimos anos, ainda temos muito trabalho pela frente. De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat, Portugal reciclou apenas 33,9% dos resíduos de embalagens de plástico em 2018, o que nos coloca no fim da tabela dos países da União Europeia. Atrás de nós temos apenas 8 países: Malta, França, Hungria, Irlanda, Finlândia, Dinamarca, Áustria e Luxemburgo.

Na União Europeia a estimativa é de 41,5% de resíduos de embalagens de plástico reciclados em 2018, com sete estados membros a reciclar mais de metade destes resíduos.

A maior taxa de reciclagem de resíduos de embalagens plásticas em 2018 foi registada na Lituânia (69,3%), à frente da Eslovénia (60,4%, dados de 2017), Bulgária (59,2%), República Checa (57,0%), Chipre (54,3%), Eslováquia (51,4%) e Espanha (50,7%).

Em contrapartida, menos de um terço dos resíduos de embalagens plásticas foi reciclado em Malta (19,2%, dados de 2017), França (26,9%), Hungria (30,0%), Irlanda (31,0%), Finlândia (31,1%), Dinamarca (31,5%), Áustria (31,9%) e Luxemburgo (32,3%).

De acordo com o gabinete estatístico europeu, no que respeita às embalagens em geral, em 2018 Portugal apresentava a terceira mais baixa taxa de reciclagem (57,6%), depois da Hungria (46,1%) e da Letónia (55,8%).

A tabela da reciclagem de embalagens em geral numa tabela liderada pela Bélgica (85,3%), seguindo-se o Luxemburgo (70,9%), Chipre e Finlândia (70,2%), sendo a média da UE de 66,3%.

Se ainda tem alguma dúvida sobre como e o quê que pode reciclar, espreite o artigo “O que tem de saber sobre reciclagem”, assim, da próxima vez, iremos aparecer no topo da lista, o nosso planeta e a nossa saúde agradecem este pequeno esforço da nossa parte.

1Reciclagem – processo de transformação de um resíduo sólido numa nova matéria-prima ou produto. Após a separação dos resíduos, ou seja, quando os colocamos no ecoponto correto, estes são transportados pelas autarquias para uma estação de triagem, onde são separados e transformados, posteriormente esse material volta a ser utilizado como matéria-prima.