Grandes ecossistemas podem extinguir-se em 50 anos, afirmam investigadores – Lisboa Green Capital 2020
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Grandes ecossistemas podem extinguir-se em 50 anos, afirmam investigadores

Estudo levado a cabo pelas universidades de Bangor, Southampton e Londres conclui que o ritmo de degradação dos ambientes naturais está a acelerar mais do que o previsto.

Segundo o estudo publicado na conceituada revista Nature, grandes ecossistemas, como a floresta amazónica, entrarão em colapso e desaparecerão de forma alarmante em menos de 50 anos. A investigação recorreu a simulações de computador para chegar a estas conclusões, na análise foram utilizados dados reais referentes a mais de 40 ambientes naturais – quatro ecossistemas terrestres, 13 de água doce e 25 de água salgada.

Segundo os cientistas da University of London, Southampton University e Bangor University muitos destes ecossistemas estão a colapsar a uma “taxa significativamente mais rápida” do que o calculado anteriormente. Os investigadores revelam mesmo a velocidade com que desaparecerão ecossistemas de tamanhos diferentes, uma vez que ultrapassaram o ponto no qual colapsavam, transformando-se assim em ecossistemas alternativos. Um exemplo de uma transformação para um ecossistema alternativo é o da icónica floresta amazónica, que poderá mudar para um ecossistema do tipo Savana assim que atingir o “ponto sem retorno”, dentro de 50 anos. Os recifes de corais das Caraíbas também podem ser usados como exemplo, no mesmo estudo, é sugerido que esta área, com uma extensão de cerca de 20 mil quilómetros, pode vir a torna-se branca e escassamente povoada num espaço de apenas 15 anos.

Dentro da comunidade científica são vários os investigadores que defendem que os ecossistemas estão atualmente à beira deste precipício, com incêndios e destruição na Amazónia e na Austrália.

“Infelizmente, o que o nosso artigo revela é que a humanidade precisa de se preparar para estas mudanças muito antes do esperado” afirma Simon Willcock, principal autor do estudo e investigador da Escola de Ciências Naturais da Universidade de Bangor.

“Essas mudanças rápidas nos maiores e mais emblemáticos ecossistemas do mundo afetariam os benefícios que eles nos proporcionam, incluindo tudo, desde alimentos e materiais, até o oxigénio e água que precisamos para a vida”.

O que pode ser feito para atrasar ou diminuir estes colapsos?

Os ecossistemas compostos por várias espécies em interação, ao contrário daqueles dominados por uma só espécie, podem ser mais estáveis e levar mais tempo para mudar para um estado alternativo do ecossistema.

Eles oferecem oportunidades para mitigar ou gerir os piores efeitos, afirmam os autores. Por exemplo, os elefantes são denominados de “peça-chave” entre as espécies, pois têm um impacto desproporcionalmente grande na paisagem – empurram árvores, mas também sementes por grandes distâncias. Os autores afirmam que a perda de espécies chave como esta levaria a uma mudança rápida e dramática na paisagem.

“Esse é outro forte argumento para evitar a degradação dos ecossistemas do nosso planeta; precisamos de fazer mais para conservar a biodiversidade”, afirma Gregory Cooper, da Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres.

O professor de Geografia física John Dearing, Southampton University acrescenta ainda:
“Sabíamos intuitivamente que os grandes sistemas entrariam em colapso mais lentamente do que os pequenos, devido ao tempo necessário para que os impactos se difundissem em grandes distâncias”

“Mas o que foi inesperado foi a descoberta de que os grandes sistemas entram em colapso muito mais rápido do que poderíamos esperar – mesmo o maior da Terra, levando apenas algumas décadas.”