Faz hoje um ano que o dia 12 de abril passou a ser o Dia Nacional do Ar, reforçando assim o crescente interesse relativamente às questões da poluição do ar. Este dia pretende alertar, sensibilizar e envolver a sociedade no fomento da responsabilidade pessoal e criar uma maior motivação e compromisso para com a proteção da qualidade do ar.
Este ano o tema escolhido foi “Bom Ar pela Saúde e Bem-estar” sendo a saúde o centro de toda esta campanha, de forma a salientar os efeitos que uma fraca qualidade do ar provoca, tanto em termos de morbilidade como mortalidade humana, e que está ao alcance de todos fazer algo para melhorar a qualidade do mesmo.
Todos os anos, em Portugal, morrem cerca de 6000 pessoas por ano devido a problemas relacionados com a poluição do ar. Na União Europeia adoecem 6,5 milhões de pessoas por ano pelo mesmo motivo. Os problemas respiratórios e cardiovasculares são agravados com a inalação por dióxido de azoto, pois grandes doses deste composto pode inflamar o revestimento dos pulmões, reduzindo assim a imunidade a infeções pulmonares, o que causa problemas como constipações, tosse e bronquite.
O dióxido de azoto ou NO2, é uma das consequências diretas dos processos de combustão que ocorrem nos veículos, principalmente dos que utilizam gasóleo como combustível. Assim, é fácil de perceber que se reduzirmos a quantidade de carros em circulação e optarmos por alternativas mais sustentáveis como os transportes públicos, meios de transporte elétrico ou mesmo a partilha de veículos com colegas e amigos a quantidade de gases que enviamos para o ar é muito menor, levando a um melhoramento na nossa qualidade de vida e saúde.
Nestas semanas em que, devido à pandemia Covid-19, houve uma forçada redução da atividade económica e da mobilidade das pessoas, as emissões de dióxido de azoto foram reduzidas de forma drástica, chegando a haver reduções de 80% em Lisboa e de 60% no Porto.
Em Lisboa, o exemplo mais marcante é o da Avenida da Liberdade, tida como a avenida mais poluída da cidade. Aqui encontram-se os piores valores de concentração de alguns poluentes. E apresenta agora os níveis de poluição mais baixos deste século, segundo os dados da associação ambientalista Zero. Apesar dos números serem bastante bons, sabemos que, quando a vida voltar ao normal, serão números difíceis de replicar, principalmente nesta artéria tão importante da cidade e com as condições existentes atualmente. No entanto, podemos pegar nestes resultados, tê-los presentes na cabeça e pensar em alternativas para a nossa mobilidade futura, sabendo sempre que é possível melhorar!
Segundo o documento da Zero “A concentração média de dióxido de azoto (NO2) dos dias úteis do último mês desde o início do estado de alerta que depois passou a estado de emergência (16 de Março a 9 de Abril), foi a menor verificada neste século à escala mensal 25,9 mg/m3”, refere.
A “concentração média de NO2 dos dias úteis da última semana (6 a 9 de Abril) foi a mais reduzida à escala semanal desde que foi instituído o estado de alerta 20,5 mg/m3” e as “concentrações médias de NO2 dos dias úteis das últimas quinzenas desde que foi instituído o estado de alerta foram as mais reduzidas desde Janeiro de 2019”, refere a Zero.
Sabemos que o NO2 e outros gases são prejudiciais para o ar. Sabemos que precisamos dele e que a sua qualidade é essencial para termos uma boa qualidade de vida. Sabemos que somos capazes de reduzir as emissões de gases. Vamos então, agarrar neste momento que, infelizmente, nos obrigou a parar e a repensar prioridades, e tentar fazer algo de positivo pela nossa saúde e ambiente!
A Agência Europeia do Ambiente, desenvolveu um visualizador de qualidade do ar, onde se pode ver, por cidade ou pais, as medias semanais das concentrações de dióxido de azoto e outras partículas. https://www.eea.europa.eu
