Dia Mundial da Vida Selvagem – Lisboa Green Capital 2020
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Dia Mundial da Vida Selvagem

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Criado em 2013 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional da Vida Selvagem, celebrado a 3 de março, pretende celebrar a fauna e a flora do planeta, promovendo a consciencialização sobre a multiplicidade dos seus benefícios para todos nós. Além disto, a data pretende relembrar a necessidade urgente de intensificar a luta conta os crimes que existem relativamente à vida silvestre, assim como, a redução das espécies derivadas da mão humana, que resultam em amplos impactos económicos, ambientais e sociais.

Este dia foi escolhido como forma de celebração da assinatura da CITIES, – Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção – uma convenção que desempenha um papel importante na garantia de que o comércio internacional não ameaça a sobrevivência das espécies

Tendo como tema de 2021 “Florestas e meios de subsistência: sustentar as pessoas e preservar o planeta”, o foco passa por destacar o papel central das florestas, espécies florestais e serviços de ecossistemas na manutenção de meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente de comunidades indígenas e locais com laços históricos às áreas florestais e adjacentes.
Além disto, pretende-se que, com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 (Erradicar a pobreza),12 (produção e consumos sustentáveis),13 (ação climática) e 15 (proteger a vida terrestre) das Nações Unidas (ONU) e com os seus compromissos de aliviar a pobreza, garantir o uso sustentável dos recursos e conservar a vida do nosso planeta.

No total são cerca de 200 a 350 milhões de pessoas, em todo o mundo, que vivem ou em áreas florestais ou nas suas áreas adjacentes e que contam com os vários serviços dos ecossistemas e com as espécies florestais para se sustentarem financeiramente e para cobrirem as suas necessidades básicas, como alimentação, abrigo, fonte de energia e medicamentos.

“As florestas e bosques têm um papel ambiental importante e fornecem serviços essenciais para centenas de milhões de pessoas. São eles que sustentam os recursos de que tantas comunidades ao redor do mundo dependem para a sua subsistência, bem como a alimentação em geral, segurança, regulação do clima e estabilidade económica para o mundo inteiro. 
Comemorar estes meios de subsistência e procurar aprender com aqueles que vivem diretamente de e dentro das florestas irá permitir-nos não só destacar a importância crítica das florestas para a humanidade e para o planeta, mas também discutir como podemos tornar a nossa relação com eles e com todas as espécies selvagens que abrigam mais sustentável”, refere a secretária-geral da CITES, Ivonne Higuero, em comunicado.

De acordo com um relatório da ONU, aproximadamente 28% da superfície terrestre do mundo é “administrada” por povos indígenas, e nesta percentagem estão incluídas algumas das florestas mais intactas, ecologicamente, do planeta. Os problemas que estas comunidades enfrentam atualmente incluem mudanças climáticas, perda de biodiversidade e, agora, a pandemia COVID-19.

A lista do Património Mundial da UNESCO inclui muitas áreas florestais em todas as zonas climáticas diferentes (florestas boreais, florestas temperadas, florestas subtropicais e terras florestais, florestas tropicais e florestas de mangais). Variando em tamanho, de 19,5 hectares (Vallée de Mai, Seychelles) a 5,5 milhões de hectares (Complexo de Conservação da Amazónia Central, Brasil), os sítios florestais do património mundial têm uma superfície total de mais de 75 milhões de hectares e representam mais de 13% de todas as florestas protegidas da categoria I-IV da IUCN, em todo o mundo.

A Lista inclui também sítios florestais com alguns dos animais mais emblemáticos do mundo. A Reserva de Vida Selvagem Okapi, que ocupa cerca de 1/5 da floresta Ituri no nordeste da República Democrática do Congo e, juntamente com a floresta fazem parte da bacia do rio Congo, um dos maiores sistemas de drenagem de África, é casa para variadas espécies ameaçadas de primatas e pássaros, juntamente com 5000 a 30.000 okapis que ali tentam escapar à extinção.

Também em Uganda, no Sudoeste onde ocorre a junção das florestas de planície e montanha, o Parque Nacional Impenetrável de Bwindi com os seus 31 hectares, é conhecido pela sua biodiversidade excecional, incluído o último gorila das montanhas remanescente do mundo. Os locais de Bwindi, Parque Nacional de Virunga e Parque Nacional Kahuzi-Biega capturam quase toda a população do Gorila Oriental.

Como os sítios florestais na Lista da Unesco são, geralmente, as maiores e mais intactas áreas florestais remanescentes, acabam por fornecer importantes serviços ecosistêmicos em escala global, inclusive como sumidouros de carbono, sendo, por isso, imperativo que sejam protegidos das ameaças crescentes.

Em Portugal também existem espécies em vias de extinção 

1. O lobo-ibérico – Superpredador na Península Ibérica vítima da construção de estradas e barragens que levam a pressão humana aos últimos redutos.

2. O lince-ibérico – O mais ameaçador dos felinos que apesar dos programas de reintrodução continua a ser vítima dos atropelamentos, envenenamentos e da escassez da sua principal presa, o coelho-bravo.

3. A foca-monge – O lobo-marinho que sobrevive apenas em alguns locais recônditos do arquipélago da Madeira.

4. A águia-imperial – A ave de rapina mais rara de Portugal que continua a ser vítima de venenos e tiros.

5. O saramugo – pequeno peixe de água doce que tenta escapar da extinção no vale do rio Guadiana.