Dia Mundial da Serpente – Lisboa Green Capital 2020
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Dia Mundial da Serpente

O dia 16 de julho, foi o dia escolhido para celebrar mundialmente o animal que simboliza as ciências médicas. 
Não se conhece a origem concreta da data, mas foi rapidamente adotada pelos amantes da vida selvagem de forma a celebrar este animal alvo de tantos mitos e que tanto precisa de preservação, pois desempenha um papel importante papel no ecossistema, controlando roedores e pragas.

Apesar de serem alvo de rejeição pelos humanos, devido ao veneno de algumas espécies, são animais fundamentais para o equilíbrio do ecossistema, São importantes contributos para o controlo de pragas de roedores e insetos, bem como, ótimos aliados no mundo farmacêutico pois alguns princípios ativos dos seus venenos são utilizados para obter medicamentos para várias doenças.

Como as serpentes são animais ectotérmicos (animais que não produzem calor suficiente para a sua termorregulação, ajustando assim a temperatura corporal por meios de mecanismos comportamentais) a probabilidade de as encontrar em zonas rochosas ou até em estradas de asfalto é maior. E, ao contrário do que se julga, estes animais fogem do Homem, o que torna os seus ataques uma forma de defesa em situações em que se sentem ameaçados e em perigo.

Em Portugal, segundo o Ambiente Sintra, existem dez espécies de cobras, sendo quatro venenosas: a cobra rateira, a cobra de capuz, a víbora cornuda e a víbora de seoane. Todas estas têm dentes inoculadores de veneno havendo, no entanto, uma diferenciação entre as primeiras duas e as duas últimas. Nas primeiras “estes situam-se na parte posterior da boca, o que significa que apenas conseguem inocular o veneno na presa quando esta já está a ser engolida”, enquanto nas últimas encontram-se localizados “na parte anterior da boca”, podendo, desta forma, representar perigo para o ser humano.

De acordo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) a víbora cornuda encontra-se em todo o território português de forma dispersa, sendo de destacar as áreas do Douro Internacional, do Gerês e Serras de Aire e Candeeiros. Por outro lado, a víbora de seoane, encontra-se apenas a norte do rio Douro, no Minho e em Trás-os-Montes. Ambos os animais têm preferência por zonas montanhosas.


Portugal destaca-se, mais uma vez, na investigação internacional

Ainda esta semana, Portugal voltou a dar cartas a nível internacional, aquando da descoberta de novas espécies de serpentes em Angola. Num estudo publicado na última edição da revista African Journal of Herpetology, uma equipa de investigação internacional, da qual fez parte Luís Ceríaco – curador chefe do Museu de História Natural de Ciência da Universidade do Porto, e Mariana Marques – estudante de Douturamento do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da U.Porto (CIBIO-InBIO), é divulgada a descoberta de três novas espécies de serpentes Boedon (conhecidas como Cobras das Casas Africanas ou Serpentes Castanhas).

As serpentes do género Boaedon são as mais abundantes no continente africano e, tal como o seu nome indica, aparecem frequentemente no interior das casas. Contudo, apesar de atingirem grandes dimensões são totalmente inofensivas para o ser humano, alimentando-se de ratos e osgas.

Estas espécies receberam o nome científico de:”Boaedon bocagei”, “Boaedon fradei” e “Boaedon branchi”, em homenagem a três biólogos, dois deles portugueses: José Vicente Barbosa du Bucage – fundador dos estudos herpetológicos em Angola e Fernando Frade – antigo diretor do Centro de Zoologia do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), e responsável pela coleta de alguns espécimes que foram usados para a descrição da espécie, e que se encontram hoje nas coleções do IICT no Museu Nacional de História Natural e Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC).. Por sua vez, o terceiro homenageado foi William R. Branch, biólogo dedicado às investigações em Angola.