Dia Mundial da Reciclagem – Lisboa Green Capital 2020
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Dia Mundial da Reciclagem

Dia 17 de maio foi o dia escolhido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) para comemorar o Dia Mundial da Reciclagem. Este dia pretende estimular uma reflexão sobre a importância de desacatarmos corretamente os produtos que consumimos.

Em primeiro lugar, reciclagem é o processo de transformação de um resíduo sólido numa nova matéria-prima ou produto. Depois de separarmos os resíduos no ecoponto correto, estes são transportados pelas autarquias para uma estação de triagem, onde são separados e transformados, e esse material volta a ser usado como matéria-prima.

Esta necessidade de tratar o lixo não é exclusiva da sociedade contemporânea, na Grécia Antiga, por exemplo, o lixo das cidades já era colocado a dois quilómetros das muralhas de proteção da cidade, de forma, a evitar o contacto com a população. Contudo, foi com a Revolução Industrial, no século XIX, que a produção de resíduos passou por um grande aumento provocando graves danos sanitários. Foi aqui que, os resíduos deixaram de ser apenas orgânicos, e passaram também a ser químicos, industriais, radioativos ou eletrónicos. No entanto, os resíduos continuaram a ser descartados sem tratamento e provocando a contaminação dos solos e mares até aos anos 70, quando começaram a crescer os movimentos ambientalistas nos Estados Unidos. Por sua vez, é nos anos 80, que o termo “eco desenvolvimento” nasce pelas mãos do economista Ignacy Sachs, fundador do Centro Internacional sobre Pesquisa e Meio ambiente em Paris, um centro que fomentava discussões e pesquisas sobre o tema. Depressa chegamos aos anos 90, mais concretamente a 1996, o ano que nasce em Portugal o conceito de reciclagem de embalagens, pelas mãos da recém-formada Sociedade Ponto Verde (SPV), que vem assim gerir a reciclagem e valorizar as embalagens usadas.

Duas décadas passadas e Portugal já separou e enviou  para reciclagem mais de sete milhões de toneladas de resíduos de embalagens, o que corresponde ao peso de três Pontes Vasco da Gama. E de acordo com a SPV, em 2019, reciclamos mais 10% do que no ano anterior, sendo assim “encaminhados para a reciclagem mais de 388 mil toneladas de resíduos de embalagens”, representado um aumento de 9% na retoma de vidro, 5% no plástico e mais de 14% no papel /cartão.

Os dados assinalados em 2019 “revelam que Portugal tem estado a seguir um caminho que permite o cumprimento das metas de reciclagem de embalagens” refere Ana Morais, presidente da SPV.

“Contudo, consideramos que estes resultados poderão vir a abrandar em 2020, decorrente da fase de pandemia covid-19 que o país, e todo o mundo, atravessa. Devemos olhar para o sector da gestão de resíduos avaliando as medidas de ajustamento necessárias, desde logo nas metas de reciclagem, a promover pelo Governo e autoridades, sendo que, neste momento, a prioridade é acautelar todas as ações necessárias à segurança da população e dos trabalhadores que diariamente continuam a assegurar a recolha de lixo e recicláveis”, sublinha Ana Morais.

“Não podemos abandonar os desafios da sustentabilidade e da economia circular”, defende a presidente.

“Não podemos deixar de sublinhar que é igualmente importante que os portugueses não abandonem os seus bons hábitos de reciclagem, separando as embalagens em casa. No regresso da normalidade, teremos todos novos desafios a superar e o compromisso com a reciclagem e com a sustentabilidade ambiental será de grande relevo”, continua.

“De facto, retiramos daqui a importante lição que apostar em atitudes responsáveis e solidárias têm real impacto positivo no mundo”, conclui Ana Morais.

Por sua vez, a associação ambientalista Quercus, destaca o aumento do uso de matérias descartáveis provocados pela pandemia COVID-19. Referindo assim que “Em tempos de pandemia, o retorno ao uso de descartáveis é – e será nos próximos tempos – uma realidade inevitável, com elevado impacte ambiental. Para além de se verificar um aumento generalizado da produção de resíduos, é importante notar que muitos destes materiais não são recicláveis, quer por condições técnicas, quer pelo risco de contaminação biológica. O problema é que, muitas vezes, estes materiais são encaminhados para o destino incorreto ou abandonados de forma negligente”, diz a Quercus em comunicado.

Assim a associação, apela a que seja lançada uma campanha a nível nacional, de forma a sensibilizar para o correto encaminhamento dos resíduos e de materiais de proteção individual contra o vírus, articulando, sempre que possível, com as autoridades de saúde a utilização de matérias reutilizáveis.

O serviço de entregas ao domicílio, bem como o de take away, não foi esquecido na comunicação da Quercus. “Numa altura em que muitos portugueses já tinham começado a abandonar os materiais descartáveis no dia-a-dia, a pandemia da Covid-19 poderá infelizmente significar algum retrocesso a este nível na vida dos Portugueses”., refere-nos a associação em relação ao aumento de embalagens de plástico resultante destes serviços.