Dia Mundial da Meteorologia: celebrar a relação entre oceanos, clima e tempo – Lisboa Green Capital 2020
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Dia Mundial da Meteorologia: celebrar a relação entre oceanos, clima e tempo

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O Dia Mundial da Metrologia é celebrado a 23 de maio, data em que, em 1875, 17 países assinaram a Convenção do Metro em Paris, estipulando assim as bases de medição no mundo com o Sistema Internacional de unidades (SI). Posteriormente, esta convenção iria dar origem à Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 1950. A data pretende relembrar a contribuição dos serviços meteorológicos, e dos respetivos profissionais, para o nosso dia-a-dia.

Este ano, o Dia Mundial da Meteorologia, é dedicado ao tema “O Oceano, o Clima e o Tempo”, reforçando a importância que os oceanos têm na regulação do clima. De acordo com a OMM, os oceanos observem 90% do excesso de calor retido pelos gases de efeito estufa, protegendo o planeta de aumentos, ainda maiores, de temperatura. 

Contudo, as alterações climáticas estão a afetar bastante o normal funcionamento dos oceanos e os ecossistemas marinhos: as águas estão a ficar mais quentes e ácidas, afetando a sobrevivência das espécies, ao mesmo tempo que o nível do mar sobe, devido ao degelo nas regiões polares.

António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), sublinhou que “o oceano enfrenta ameaças sem precedentes devido à atividade humana”. Desta forma, “restaurar a sua capacidade de regular o clima é um desafio definitivo”, ainda mais quando existem centenas de milhões de pessoas dependentes dele. 

O secretário-geral destaca ainda a importância da pesquisa científica e de uma melhor observação dos oceanos, reforçando que as mesmas ampliam a compreensão sobre as mudanças que estão a acontecer. “Fazer as pazes com a natureza e proteger o nosso planeta, é a única maneira de garantir um futuro sustentável para a humanidade”, sublinha.

O oceano tem um grande impacto no clima global, assim como na economia e segurança alimentar em todo o mundo. As alterações climáticas, além de estarem a afetar fortemente o oceano, aumentam também os riscos para centenas de milhões de pessoas que dele dependem para sobreviver.

Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, afirmou que o calor do oceano está em níveis recordes devido às emissões de gases de efeito estufa, e a acidificação dos oceanos continua inabalável. “O seu impacto será sentido por centenas de anos”, afirma.

Petteri Taalas disse que o derretimento do gelo provoca profundas repercussões para o resto do globo – derivados da mudança dos padrões climáticos e da aceleração da elevação do nível do mar.

Em 2020, o mínimo anual de gelo marinho no Ártico estava entre os mais baixos, desde que há registos, expondo as comunidades polares a inundações costeiras anormais e afetando vários setores como o de transporte marítimo e a pesca.

Como cerca de 40% da população mundial vive a 100 quilómetros da costa, a necessidade de proteger as comunidades de perigos costeiros, por meios de sistemas aprimorados de alerta precoce, torna-se, ainda mais, urgente,