Dia Mundial da Biodiversidade – Lisboa Green Capital 2020
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Dia Mundial da Biodiversidade

Desde 1992 que o 22 de maio é o dia escolhido para comemorar mundialmente a biodiversidade. Esta data foi escolhida de forma a homenagear o dia em que foi aprovado o texto final da Convenção da Diversidade Biológica, intitulado “Nairobi Final Act of the Conference for the Adoption of the Agreed Text of the Convention on Biological Diversity”.
A Convenção da Diversidade Biológica foi o primeiro instrumento legal que assegurava a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais. Foram mais de 160 os países que assinaram o acordo que entrou em vigor em dezembro de 1993.
Criado pela Organização das Nações Unidas – ONU, este dia tem o objetivo de consciencializar a população para a importância da diversidade biológica, bem como, a necessidade de proteção da biodiversidade em todos os ecossistemas do planeta.

O que é Biodiversidade?

O termo biodiversidade, ou diversidade biológica, descreve a variedade e riqueza que existe no mundo natural. Isto é, as plantas, os animais e microrganismos que nos fornecem alimentos, medicamentos e uma grande parte da matéria-prima industrial.

Para percebermos melhor o que é biodiversidade, temos de ver este termo em dois níveis diferentes: todas as formas de vida, assim como os genes contidos em cada indivíduo, e as inter-relações, ou ecossistemas, na qual a existência de uma espécie afeta diretamente outras espécies.

A diversidade biológica está presente em todo o lado, tanto pode ser encontrada no meio de desertos, de tundras congeladas ou nas fontes de água sulfurosas.
A diversidade genética, possibilitou a adaptação da vida nos mais diversos cantos do planeta. As plantas, por exemplo, estão na base dos ecossistemas. E como elas florescem com mais intensidade nas áreas húmidas e quentes, a maior diversidade é encontrada nos trópicos, como é o caso da Amazónia.

Quais são as principais ameaças à Biodiversidade?

O desperdício de recursos naturais, como por exemplo, a produção e uso de papel são uma ameaça constante às florestas. A exploração excessiva de algumas espécies também pode levar à sua completa extinção. O uso medicinal de chifres de rinoceronte em Sumatra e em Java pode servir de exemplo de, como um animal pode ser caçado até ao limiar da extinção.

A poluição é outro dos grandes fatores. Na Suécia, por exemplo, a acidez e poluição das águas impede a sobrevivência de peixes e plantas em quatro mil lagos do país.

A introdução de espécies animais e vegetais em diferentes ecossistemas também se mostra prejudicial, colocando em risco, muitas vezes, a biodiversidade de toda uma área ou país. Um dos casos mais conhecidos foi o da importação do sapo cururu pelo governo australiano, com o objetivo de controlar uma peste nas plantações da cana-de-açúcar. O animal mostrou-se ser um predador voraz dos repteis e anfíbios da região, tornando-se assim um problema e não uma solução.

Tudo isto são coisas que estão a levar muitas espécies vegetais e animais à extinção. Todos os anos, aproximadamente 17 milhões de hectares de floresta tropical são desmatados. Feitas as contas, se isto continuar a este ritmo, 5 a 10% das espécies que habitam em florestas tropicais poderão estar extintas nos próximos 30 anos.

Lisboa Capital Verde Europeia 2020

Segundo a ONU, cerca de 74% da população europeia vive em zonas urbanas, valor que ascenderá aos 80% até 2050. Com esta pressão demográfica crescente em mente, as cidades europeias estão a adotar políticas para aumentar as infraestruturas verdes (hortas urbanas, corredores verdes, entre outras), numa tentativa de “trazer o campo à cidade”. Desta forma proporcionam uma vida mais saudável aos seus habitantes, tornam o espaço urbano mais resiliente ao impacto das alterações climáticas e aumentam a conectividade entre estes espaços, diminuído o efeito barreira provocado pelas grandes cidades e que tem ajudado no declínio observado nas populações de insetos.

No início da primavera, a Câmara Municipal de Lisboa e a Syngenta instalaram no Jardim Eduardo Prado Coelho, nos Olivais, a primeira zona multifuncional – “Operation Pollinator”.
Esta zona verde foi semeada com uma mistura de sementes, de acordo com as condições locais e de clima: coentro, tremocilha, ervilhaca, trevos ou colza são algumas das coisas que podemos encontrar no local.
Depois, com a floração os insetos polinizadores encontram aqui uma fonte de alimento (pólen e néctar) e “um local de refúgio ao bulício da cidade”.
A ideia é trazer para a cidade “uma amostra de uma paisagem multifuncional do campo”, contribuindo assim para sensibilizar a população, principalmente a comunidade educativa para a importância destes animais na agricultura e alimentação. 

Também o secretário-geral da ONU, António Guterres, não deixou passar este dia em branco, assinalando-o com uma mensagem especial, onde nos relembra que “as nossas soluções estão na Natureza” e que, quando invadimos e esgotamos recursos e habitats naturais, colocamos inúmeras espécies em risco, “incluindo a Humanidade e o futuro que queremos”.

Por isso, hoje e todos os dias, vamos fazer os possíveis para preservarmos a biodiversidade, pelo nosso futuro e das próximas gerações.