Dia Mundial da Água – Lisboa Green Capital 2020
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Dia Mundial da Água

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Celebrado anualmente a 22 de março, o Dia Mundial da Água pretende alertar para a necessidade urgente de preservar este recurso natural tão valioso. Criado em 1992, no âmbito da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Ambiente, no Rio de Janeiro, este dia além de prevenir para a necessidade de uma gestão eficiente da água, convida também os países a celebrar o Dia Mundial da Água e a implementar medidas que visem a sua sustentabilidade.

Este ano, o Dia Mundial da Água, tem como tema “Valorizar a água”, e lança a pergunta “qual é o significado para cada um de nós?”.

Para António Guterres a resposta não é linear: “o valor da água é profundo e complexo” porque “não há nenhum aspeto do desenvolvimento sustentável que não dependa fundamentalmente dela”, refere o secretário-geral da ONU numa mensagem.

São 2,2 biliões de pessoas, em tudo o mundo, a não ter acesso, atualmente, a água potável, de acordo com a ONU, em 2050 os números serão de 5,7 biliões a viver em áreas com escassez de água, pelo menos, num mês por ano.

Para Guterres, a água significa uma proteção, “uma defesa contra problemas de saúde e falta de dignidade e uma resposta aos desafios de um clima em mudança e crescente demanda global”.

O mundo ainda não encontrou uma forma de garantir acesso a água e a saneamento para todos até 2030, conforme a Agenda de Desenvolvimento Sustentável e para o secretário-geral “isso é inaceitável”.

Num estudo da Gulbenkian, apresentado hoje, Portugal enfrenta risco de escassez de água já nas próximas duas décadas: “É urgente antecipar o risco de ter de gerir pouca água face às necessidades do país”, atenta Filipa Saldanha, subdiretora do Programa Desenvolvimento Sustentável da Fundação Calouste Gulbenkian.

Isto é, até 2040, pode chegar a faltar água em Portugal para as atividades mais básicas, concluiu o estudo “O uso da água em Portugal: olhar, compreender e atuar com os protagonistas-chave”, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian.

“Ameaças à disponibilidade de água colocam em risco a nossa saúde e a nossa capacidade de produção de bens e serviços essenciais, incluindo alimentos. Num cenário de escassez de água, uma das áreas que ficaria desde logo comprometida seria a produção agrícola nacional e o grau de autossuficiência alimentar de Portugal. Isto teria implicações ao nível da criação de riqueza e geração de emprego na economia portuguesa”, explicou em declarações ao Capital Verde Filipa Saldanha.

A responsável sublinha ainda que “a falta de água pode afetar, também, o consumo quotidiano das comunidades locais”. Em última análise, e no pior dos cenários, as torneiras podem mesmo chegar a secar.

Também a ANP/WWG e a WWF Espanha, aproveitaram o Dia Mundial da Água para lançar o relatório “Impactos das Alterações Climáticas na Península Ibérica”, que demonstra a urgência de uma estratégia conjunta entre os governos de Portugal e Espanha para prevenir um cenário de falta de água.

As alterações climáticas estão a afetar os recursos hídricos e ecossistemas da Península Ibérica, com um cenário de agravamento previsto até 2050, se não houver uma alteração estratégica e alinhamento entre os governos português e espanhol. É esta a principal conclusão do relatório “Impactos das Alterações Climáticas na Península Ibérica”, que explica como os desafios derivados das consequências das alterações climáticas exigem uma ação conjunta entre os governos portugueses e espanhóis.

Afonso do Ó, especialista em Água da ANP|WWF, explica que «os rios não conhecem fronteiras, e o clima também não. Se já era essencial que os dois países ibéricos coordenassem a gestão dos recursos hídricos que partilham, com as alterações climáticas essa urgência ainda é maior. Da forma como estas alterações já estão a afetar a disponibilidade de água na nossa Península, temos de assumir de vez princípios de precaução, partilha e sustentabilidade, sob pena de num futuro próximo virmos a passar por situações graves de escassez e falta de água. E não é a sede que queremos partilhar com Espanha, mas sim ecossistemas saudáveis que sustentem a água de que todos precisamos».

Sabendo que este recurso natural tão importante para a nossa sobrevivência está em perigo, vamos fazer a nossa parte para o evitar. Pequenos gestos fazem grandes diferenças:

  • É um clássico, mas funciona sempre: manter a torneira fechada sempre que lava as mãos, dentes ou faz a barba, leva a que poupe 10 a 30 litros de água por dia. Agora imagine a poupança ao fim de um mês, ou de um ano.


  • Coloque redutores de fluxo de água nas torneiras de casa. Estes pequenos equipamentos já se encontram à venda nos supermercados e, ao serem encaixados na torneira, levam a uma redução do caudal em cerca de 50%.

  • Se num futuro próximo for remodelar a sua casa de banho escolha autoclismos duplos ou com botões de controlo. Caso não seja o caso, a velha garrafa cheia de água no depósito do autoclismo, é o suficiente para reduzir a quantidade de água desperdiçada em cada descarga.

  • Só use as máquinas de lavar roupa e louça quando a carga estiver cheia, optando pelos programas ecológicos.

  • Recolha e recicle água para regar as plantas, por exemplo. Use baldes de forma a armazenar a água da chuva, aproveite a água da cozinha, ou até aquela que é desperdiçada no banho, enquanto se espera a água aquecer.

  • Tem uma torneira a pingar? Então não adie mais e poupe os 30 litros que são desperdiçados por dia.