Dia da Amazónia – A importância da floresta para o planeta – Lisboa Green Capital 2020
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Dia da Amazónia – A importância da floresta para o planeta

Comemorado anualmente a 5 de setembro, o dia da Amazónia foi criado a 19 de dezembro de 2007, através de uma lei – 11/621, e tem como objetivo principal alertar a população para a destruição de que está a ser alvo, assim como, mostrar a importância que a maior floresta tropical do mundo e a sua biodiversidade têm no planeta.

O dia escolhido tem um grande valor histórico, pois foi neste dia, em 1850, que o Príncipe D. Pedro II decretou a criação da Província do Amazonas – atual Estado do Amazonas.

Com 4,196.943 milhões de km2 de floresta, este bioma abrange nove países – Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela.

Importância da Amazónia para o planeta

A floresta da Amazónia é a maior floresta tropical do mundo sendo, por isso, bastante rica em biodiversidade e a casa de milhares de espécies.

Desde 1970 que esta área tem sido alvo de destruição com o intuito aumentar o cultivo de óleo de palma e soja, a criação de gado e a indústria de madeira. Neste sentido, e de acordo com a Greenpeace “entre agosto de 2017 e julho de 2018, foram derrubadas cerca de 1.185.000.000 (um bilhão, centro e oitenta e cinco milhões) de árvores”.

Devido às alterações climáticas, os investigadores alertam para a possibilidade de, em cinquenta anos, esta área se transformar numa savana, o que implicara inúmeras repercussões para o planeta. Publicado na revista científica Nature Communications, o estudo revela que as alterações causam danos irreversíveis e que a perda de 35% da superfície iria levar ao seu desaparecimento.

Os grandes incêndios que têm devastado esta área provam a rotura dos ecossistemas, e segundo os investigadores, devemo-nos preparar para grandes mudanças. Só no ano passado, 2019, a área total ardida na amazónia foi de 9762 km2 “Se não agirmos rapidamente, podemos estar prestes a perder uma das maiores e mais diversas florestas tropicais, que evoluiu ao longo de 58 milhões de anos e das quais dezenas de milhões de pessoas dependem” garante em resposta ao estudo, Alexandre Antonelli do Royal Botanic Gardens.

O desmatamento da Amazónia destrói os processos ecológicos que foram construídos com o passar dos anos e faz com que uma quantidade, cada vez maior de C02 seja libertado na atmosfera. Além disto, a Amazónia possui um papel fundamental no equilíbrio ambiental da Terra e influencia diretamente o regime de chuvas de toda a América Latina.

Segundo um relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e do Instituto Mamirauá divulgado na quarta-feira passada, foram descobertas 381 novas espécies na Amazónia entre os anos de 2014 e 2015. Destas novas espécies 216 correspondem a plantas, 93 a peixes, 32 a anfíbios, 19 a repteis, 18 a mamíferos e uma ave. Ou seja, estes números mostram-nos que, a cada dois dias de pesquisa, foi descoberta uma nova espécie.

Dentro destas novas espécies descobertas é de destacar o macaco zogue-zogue-rabo-de-fogo o (Plecturocebus miltoni), avistado no noroeste do estado de Mato Grosso; uma nova espécie de golfinho de água doce, o boto Inia Araguaiensis, que se acredita que tenha aparecido há mais de 2,5 milhões de anos e o pássaro Poaieiro-de-Chico Mendes (Zimmerius chicomendesi) que possui um canto muito peculiar. 

Esta floresta, que é considerada o pulmão do mundo, é efetivamente a possuidora da maior concentração de biodiversidade do planeta e, mesmo com o passar dos anos, é considerada um mistério, não se sabendo ao certo a quantidade de árvores que nela habitam. O Museu de História Natural de Leiden – Holanda, lançou um estudo que identifica mais de 11 mil espécies de árvores neste ecossistema, e afirma que seriam necessários 300 anos para catalogar todas as arvores que nele existem.

Foram analisadas 530 mil amostras de árvores da Amazónia, muitas com data de recolha de 1707. O território é tão desconhecido para o ser humano que os investigadores estimam que a floresta tenha mais de 16 mil espécies de árvores. Assim, para estudar “só” esta parte da floresta, seriam necessários centenas de especialistas em botânica, a trabalhar dia e noite, durante mais de três séculos.

“Parece-me que as nossas prioridades estão baralhadas. Gastamos milhões de dólares a procurar vida extraterrestre, mas muito menos para entender a vida e a sua distribuição no nosso próprio planeta”, comentam os autores do estudo, publicado na conceituada revista Nature.