Depois disto o que ver – VER/DE: um diálogo íntimo entre natureza e cultura – Lisboa Green Capital 2020
-Exposições

Depois disto o que ver – VER/DE: um diálogo íntimo entre natureza e cultura

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In situ, termo proveniente das artes plásticas e que, segundo Daniel Buren – artista precursor e teórico da arte in situ na década de 70, em França – designa criações artísticas que se articulam e se compõe ao redor de diferentes elementos presentes no espaço/lugar/sítio onde acontecem. São criações que são indissociáveis do seu lugar de acolhimento, tornando-se este último num dos elementos principais de elaboração da criação.
E é esta indissociabilidade entre o local de acolhimento e a obra que podemos ver no maravilhoso jardim da Estufa Fria, em Lisboa.

Assim, a denominada VER/DE, toma conta daquele museu vivo e encheu-o de obras inéditas de cinco artistas. Adrien Missika, Inês Norton, Nicolás Lamas, Paulo Arraiano e Pedro Vaz foram os convidados para responder ao repto onde a reflexão sobre a existência humana e o nosso impacto na natureza está presente.

O ser humano encontra-se num momento da história do nosso planeta em que é obrigado a questionar a sua própria existência, permanência e pegada carbónica relativamente a uma quarta revolução industrial*que é potenciada pela aceleração exponencial tecnológica, onde questões como o antropoceno e o transumanismo, ou a manipulação do ADN influenciam e estimulam um novo paradigma de transição.

Através de ecrãs que passam imagens da natureza somos confrontados com o quanto, em muitas das vezes, vivemos num contra-senso ao estarmos dentro de casa a observar a natureza através de um ecrã, num momento “scroll” frequente, em vez de a estarmos a contemplar através dos sentidos e da experiência, o que se traduz num afastamento maior para com este elemento.

Também as telas pintadas com matéria orgânica que se irá desenvolver, fazendo com que a obra evolua naturalmente deixando, assim, que seja a natureza a terminar a obra, pretende-nos colocar a refletir acerca da paisagem cultural e natural e de como estas não são linguagem opostas, podendo-se manifestar como complementares, num diálogo íntimo, entre natureza e cultura.

Com a curadoria de Inês Valle, esta exposição insere-se no projeto curatorial InSitu, que se materializa em duas exposições em distintos espaços verdes: em Braga, na floresta do Mosteiro de São Martinho de Tibães, e em Lisboa, na Estufa Fria.

O projeto InSitu, composto pelas exposições AL/TAR e VER/DE, Braga e Lisboa respetivamente, está incluído na programação Lisboa Capital Verde 2020 e foi desenvolvido com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, Câmara Municipal de Braga e pelo GreenFest.

*Quarta revolução industrial ou Indústria 4.0 é um conceito desenvolvido em 2016 pelo alemão Klays Schwab, diretor e fundador do Fórum Económico Mundial e que nos diz que a industrialização atingiu uma quarta fase que, mais uma vez, “transforma fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos”. Sendo, portanto, uma mudança de paradigma e não apenas mais uma etapa do desenvolvimento tecnológico.