Depois disto, o que ver? – O Mar é a Nossa Terra – Lisboa Green Capital 2020
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Depois disto, o que ver? – O Mar é a Nossa Terra

A Garagem Sul, no Centro Cultural de Belém, costuma-nos trazer exposições fantásticas para visitar. Desta vez coube ao Mar ser a estrela neste espaço dedicado à arquitetura. Com o título “O Mar é a Nossa Terra, a construção sensível da linha de costa” e com a curadoria de André Tavares e Miguel Figueira, a exposição convida-nos a inverter o olhar e a pensar a terra a partir do mar. “O que podemos aprender com um olhar, que em vez de contemplar o horizonte, se envolve na complexidade das relações entre as forças naturais, as atividades humanas e o funcionamento?” ou simplesmente, o que podemos aprender com esta mudança de perspetiva? 

Sempre com uma perspetiva de arquitetura, ordenamento do território e da construção da paisagem presente, somos guiados por um percurso onde a imensidão do oceano Atlântico está bem representada, é o espaço amplo e complexo que determina grande parte das nossas vidas. A exposição organiza-se em 15 recortes da linha de costa entre a foz do Douro e o tômbolo de Peniche. 

Passando pelas cinco salas principais que compõe a exposição temos a impressão que entramos numa máquina do tempo, tão depressa estamos a ver a planta do pinhal de Leiria, como a seguir um filme sobre relocalizações de povoações nos anos 60, para depois voltarmos ao início do século XX e visualizarmos os planos de construção de uma anteduna. 

Imagens de arquivos dos portos marítimos, páginas do Diário da República, fotografias da cidade da Figueira da Foz, com as suas praias, barcos e hotéis dos anos 50, desenhos de escalas de barcos ou barcos do museu da marinha que, inconscientemente, nos remetem para uma altura que navegar pelos mares era uma viagem em busca do desconhecido, uma aventura imensa, servem-nos para mostrar a importância do mar e o quanto ele é um espaço vital para o planeta!

Acabamos a viagem numa sala escura com dois ecrãs, onde podemos ver pessoas a surfar, relembrando a relação direta que existe entre o homem e o mar. Foi a forma que encontrámos para nos relacionarmos com aquele espaço imenso, foi a forma que nos permitiu olhar para o mar como um lugar habitado.

Esta mostra é, sem dúvida, uma chamada de atenção para cuidarmos melhor deste espaço, é ele que determina como habitamos em terra. Esta é “uma exposição de arquitetura que não apresenta edifícios belos”, mas sim, “uma chamada de atenção da necessidade dos arquitetos e da sociedade em geral, entenderem melhor a sua relação com o fenómeno da construção para se construir e habitar melhor e garantir uma nossa melhor relação com o mar e a costa”, diz-nos André Tavares.

Dado ao panorama atual a exposição encontra-se encerrada até 31 de maio, mas tal como o mar, temos uma força que ultrapassa tudo e, brevemente, vamos estar a apreciar tanto o mar, como a vida, como a arte, e esta exposição é, uma das belas coisas que podemos ver a seguir, quando tudo passar.