Cientistas portugueses desenvolvem microrrede de energia inovadora – Lisboa Green Capital 2020
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Cientistas portugueses desenvolvem microrrede de energia inovadora

Os nossos cientistas voltam a mostrar que é possível aliar a eficácia energética com o combate ao desperdício. Desta forma, um grupo de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica da Universidade de Coimbra (ISR-UC) desenvolveu uma microrrede de energia inovadora que reúne produção fotovoltaica, armazenamento de energia, controlo inteligente de cargas e interação “vehicle to grid’.

“Uma equipa de investigadores do ISR-UC desenvolveu uma microrrede de energia inovadora, que agrega produção fotovoltaica, armazenamento de energia em baterias de iões de lítio (baterias de última geração), controlo inteligente de cargas e interação ‘vehicle to grid’ (V2G), usando carregadores elétricos com a recente tecnologia ‘silicon-carbide’ – carregadores especiais que permitem transferência de potência bidirecional de elevada eficiência”, refere a Universidade de Coimbra num comunicado enviado à agencia Lusa.

Segundo o que se pode ler na nota, uma microrrede ou “microgrid” em inglês, é uma rede inteligente de distribuição de energia “com capacidade para funcionar de forma autónoma da rede elétrica principal e que permite a integração, monitorização e controlo dos recursos, proporcionando maior eficiência energética e combatendo o desperdício”.

“Podemos imaginar bairros inteiros a funcionarem como microrredes – com telhados repletos de painéis fotovoltaicos acoplados a um sistema de baterias de armazenamento de energia e a veículos elétricos, bem como a um sistema inteligente de controlo e monitorização, permitindo, por exemplo, armazenar o excesso de produção gerada ao longo do dia para assegurar o fornecimento de energia à noite, quando não é gerada energia fotovoltaica”, pode ser lido.

O investigador principal do projeto – Alexandre Matias Correia – explicou que o trabalho desenvolvido “consistiu precisamente em interligar todos estes ativos e colocá-los a funcionar em conjunto, para ter uma microrrede que consiga funcionar autonomamente, só com a sua produção local e capacidade de armazenamento”. 

O cientista acrescenta ainda que “O sistema que desenvolvemos é, cremos nós, o primeiro em Portugal a incluir V2G (‘vehicle to grid’) e carregadores ‘silicon-carbide’, e será usado para desenvolver algoritmos de controlo de microrredes numa panóplia de cenários”.

Este projeto foi recentemente apresentado à comunidade científica, na 56ª Conferência IEEE “Industrial & Comercial Power Systems”.

Esta microrrede encontra-se em fase de teste no Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e os primeiros resultados são fantásticos, mostrando uma “eficiência energética entre os 85-90%”.

“O sistema solar fotovoltaico tem uma potência de 78kWp e foi inteiramente adquirido pelo ISR e oferecido à Universidade de Coimbra”, acrescenta a Universidade.

A instalação piloto servirá de modelo para o próximo passo: desenvolver uma microrrede própria para situações de catástrofe.

“Com base nesta bancada de testes, vamos desenvolver novos algoritmos e estratégias de controlo que permitam manter e garantir o fornecimento de energia mesmo durante situações de catástrofe, como incêndios florestais, furacões, cheias, etc.”, afirma Alexandre Matias Correia.