Botânica em Português: a primeira grande coleção de botânica portuguesa – Lisboa Green Capital 2020
-Notícias

Botânica em Português: a primeira grande coleção de botânica portuguesa

Tempo médio de leitura: 7 minutos

A Câmara Municipal de Lisboa e a Sociedade Portuguesa de Botânica publicaram uma grande coleção de Botânica em Língua Portuguesa “Botânica em Português”, numa edição conjunta com a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, inserida no âmbito de Lisboa Capital Verde Europeia 2020. Desta forma, esta publicação composta por nove volumes tornou-se a primeira publicação portuguesa de “livros dedicados a esta área da botânica, resultante do trabalho de investigadores nacionais”, diz-nos Duarte Azinheira, Diretor da Unidade de Edição e Cultura da Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

Na cerimónia, que teve lugar no Salão Nobre da Academia das Ciências, em Lisboa, foram apresentados dois dos noves volumes que integram esta coleção que tem como objetivo principal divulgar a Ciência Botânica, numa abordagem mais completa e rigorosa, dando assim a oportunidade de conhecer o admirável mundo das plantas.

Escrita por um enorme leque de especialistas da botânica, estes nove volumes abordam os principais desenvolvimentos ocorridos na época contemporânea da Biologia das Plantas, tais como, a Morfologia, a Sistemática e a Evolução, a caracterização da flora e dos ecossistemas de Portugal, sem esquecer a Conservação das espécies ameaçadas de extinção.

Para Jorge Capelo, investigador do Herbário do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, “esta obra de botânica é, sobretudo, uma obra de botânica fundamental” e que constitui “uma importância cultural e científica enorme” pois, desta forma, “dá a oportunidade para que se inicie, de alguma maneira, um ciclo em que a ciência botânica tem a importância que merece”, ajudando a resolver o problema “da transmissão de conhecimento da botânica fundamental”.

De acordo com o vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Lisboa, José Sá Fernandes, estas coleções são fundamentais tanto para “mostrar exemplares de coisas que podem deixar de existir um dia destes”, como para fomentar discussões profundas sobre o ambiente no futuro.

“Acho que isto é a base para grandes discussões do futuro. (…) talvez a maior discussão que vai haver em termos ambientais, no futuro, vai ser sobre a biodiversidade, portanto, esta coleção vai permitir discuti-la com muito mais profundidade e muito mais saber”.

Acrescentando ainda que “a biodiversidade tem de ser discutida de outra maneira, temos de discutir a biodiversidade percebendo os ecossistemas, percebendo as várias evoluções das plantas ao longo dos milénios, a maneira como se foram adaptando, e esse conhecimento vai-nos permitir discutir muito melhor a própria adaptação, ou aquilo que queremos fazer quando discutimos biodiversidade”.

Estrutura e Biologia das Plantas, da autoria do Professor Carlos Aguiar

Neste volume, é-nos explicado tudo sobre a morfologia externa e interna, a biologia e a função do corpo das plantas, abordando de forma detalhada temas como a polinização, a reprodução e o crescimento das plantas.

Sítios de Interesse Botânico de Portugal Continental, autoria conjunta de diversos botânicos 

Portugal é um país de grandes mistérios. A história das plantas que existem em Portugal é uma história bastante atribulada, cheia de percalços, acidentes e coisas inesperadas que condicionaram muito o que vemos hoje em dia. No entanto, todas as espécies encontradas no nosso país têm a sua história particular, com um porquê e um como estarem onde estão.
Assim, neste volume, é-nos dado a conhecer uma seleção dos locais mais importantes e extraordinários para a flora silvestre de Portugal – alguns deles bastante ameaçados – bem como as plantas mais raras e belas que neles podemos encontrar.

Um dos exemplos dados por Miguel Porto, Presidente da Associação Portuguesa de Botânica, é o do Cabo Espichel, principalmente as arribas viradas a sul, possuidor de “locais fora de série” e casa de dois espécimes incríveis como a Euphorbia pedroi e a Convolvulus fernandesii.

O primeiro exemplar referido trata-se de um arbusto com bastantes folhas, caules grossos e um aspeto diferente do normal, sendo bastante frequente em regiões desérticas ou em África, e bastante rara na Europa. O segundo é uma pequena trepadeira existente nas escarpas.

Ambas as espécies, para Miguel Porto, “são um bocado cartas fora do baralho. Elas são diferentes de tudo o que existe na Europa, mas são muito parecidas com o que existe nas ilhas da Madeira, Cabo Verde e Canárias, e isso sempre intrigou os botânicos”.

Tudo o que temos hoje em dia é “uma grande mistura de fatores que resultam numa grande diversidade de situações, não só de espécies, de situações ecológicas, bióticas, que encontramos em Portugal. Cada local é único, poucas coisas se repetem ao longo do país” e foi isso que o volume cinco da coleção tentou explicar.

Estes dois volumes da coleção juntam-se à Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, apresentada no passado dia 13 de outubro. Os restantes seis volumes serão publicados ao longo de 2021.