As alterações climáticas continuam sem dar tréguas e junho regista as temperaturas mais elevadas do ano – Lisboa Green Capital 2020
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As alterações climáticas continuam sem dar tréguas e junho regista as temperaturas mais elevadas do ano

As alterações climáticas continuam sem dar tréguas e, mais uma vez, tivemos um mês anormalmente quente. Junho foi o mais quente em todo o mundo, igualando o de 2019, e com os termómetros a registar valores anómalos em regiões como a Sibéria.

aquecimento global tem consequências gravíssimas para o nosso planeta. Desde a época pré-industrial – século XIX, que a Terra tem registado aumentos de temperatura que provocam uma série de fenómenos ambientais e meteorológicos extremos. 2019, depois de 2016, foi o ano mais quente que há registo e as previsões são que as temperaturas médias no mundo venham a atingir valores recorde nos próximos cinco anos.

O serviço europeu Copernicus * divulgou novos dados, esta semana, sobre as temperaturas que se fazem sentir pelo mundo fora, resultado das alterações climáticas. 

“Junho de 2020 foi o mês de junho mais quente desde que se começaram a registar os dados, com um aumento de 0,53º centígrados acima da média verificada no período 1981-2010” refere o organismo que já se tinha prenunciado sobre as subidas de temperatura no mês de maio.

Apesar dos valores globais, as atenções do serviço europeu recaem sobre a Sibéria que tem sentido um “calor excecional”. Nesta região os termómetros chegaram a marcar mais 10ºC do que os valores normais para esta altura do ano.

O começo do verão na Sibéria oriental foi marcado com 37ºC, atingido assim um recorde para a zona interior do círculo ártico. Nesse mesmo dia – 20 de junho, também na cidade russa de Verkhoiansk se fez sentir um pico de calor, com temperaturas de 38ºC, o que, segundo os cientistas, poderá representar o valor máximo sentido até então e está, atualmente, a ser alvo de estudo pela Organização Meteorológica Mundial.

No comunicado partilhado pelo Copernicus é sublinhado que, as temperaturas “excecionais” sentidas na região estão associados a vários fatores que estão a “interagir” entre si, como a força do vento ou a cobertura de neve especialmente baixa.

A agência refere ainda que este fenómeno não é exclusivo de junho e que, desde dezembro, se têm registado temperaturas bastante altas em certas regiões da Sibéria.

“O que é inquietante é que o Ártico aquece de uma maneira mais rápida do que o resto do mundo”, refere Carlos Buontempo, diretor do serviço europeu. 

“Não é normal que a Sibéria ocidental registe temperaturas mais altas do que o normal sendo que as temperaturas extraordinariamente altas no Ártico siberiano são preocupantes”, acrescentou ainda o responsável.  

Na análise efetuada também se verificou um igual aumento no número de incêndios no noroeste da Sibéria e uma menor incidência sob o Alasca e territórios canadianos.

“O que é notável sobre estes incêndios na Sibéria é a similaridade com os anos anteriores, no mesmo período”, notou o especialista Mark Parrington, do organismo europeu.

De acordo com os dados recolhidos, os fogos já provocaram a emissão de 59 megatoneladas de CO2 na atmosfera, o que representa um aumento de cerca de 11% relativamente ao mesmo período de 2019.

Mark Parrington refere que o ano anterior já tinha sido considerado “invulgar” e acredita que nas próximas semanas se venha a verificar uma “atividade intensa” derivada do aumento das temperaturas e dos solos estarem menos húmidos.

*O programa Copernicus

O programa Copernicus é o programa europeu para a observação da Terra e foi criado em março de 2014 por regulamentação do Parlamento Europeu e do Concelho. Este programa serve de continuidade ao programa GMES – Global Monitoring for Environment and Security e assenta numa parceria entre a União Europeia, a Agência Espacial Europeia e os vários Estados-Membros.

O objetivo primordial do Copernicus é a disponibilização de serviços que permitem o acesso atempado a dados e informações rigorosos e fiáveis sobre ambiente, proteção civil e segurança do cidadão.

Objetivos gerais:

  1. Monitorizar a Terra para apoiar a proteção do ambiente e os esforços de proteção civil e de segurança civil;
  2. Maximizar os benefícios socioeconómicos e apoiar, deste modo, a estratégia Europa 2020 e os seus objetivos de crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, promovendo a utilização da observação da Terra nas aplicações e nos serviços;
  3. Fomentar o desenvolvimento de uma indústria europeia competitiva no domínio espacial e dos serviços e maximizar as oportunidades das empresas europeias para criar e fornecer sistemas e serviços inovadores no domínio da observação da Terra; 
  4. Assegurar um acesso autónomo aos conhecimentos ambientais e às tecnologias-chave para os serviços de observação da Terra e de geoinformação, permitindo assim à Europa tomar decisões e medidas de forma independente;
  5. Apoiar e contribuir para as políticas europeias e fomentar iniciativas mundiais, como a GEOSS.

Objetivos específicos:

  1. Fornecer dados e informações exatos e fiáveis aos utilizadores Copernicus, numa perspetiva de longo prazo e de sustentabilidade, que possibilitem a prestação dos serviços referidos no artigo 5.º, n.º 1 e respondam às necessidades dos principais utilizadores Copernicus;
  2. Disponibilizar um acesso sustentável e fiável a informações e dados espaciais através de uma capacidade autónoma da União para a observação da Terra com especificações técnicas coerentes, bem como aproveitar os ativos nacionais e europeus e as capacidades existentes, complementando-os sempre que necessário;
  3. Facultar um acesso sustentável e fiável a dados in situ, recorrendo, em particular, às capacidades existentes operadas aos níveis europeu e nacional, e aos sistemas e redes de observação à escala mundial.

Este programa integra três componentes: 

– Componente Espaço – direcionada para a observação da Terra através de sensores remotos – satélites;

– Componente In Situ – com o mesmo prppósito, mas recorre a infraestruturas in situ;

– Componente de Serviços – aqui é prevista a disponibilização de informação de uma forma rápida e de fácil utilização tanto para os cidadãos como para as entidades com responsabilidades nas áreas de Gestão de Recursos, Segurança e Proteção Civil. 

Toda a informação que surge através deste programa suporta uma imensidão de áreas de aplicação que inclui a proteção do ambiente, a gestão de áreas urbanas, o planeamento regional e local, a agricultura, a silvicultura, as pescas, a saúde, os transportes, as alterações climáticas, o desenvolvimento sustentável, a proteção civil e o turismo, entre outros.

Os utilizadores principais deste programa são decisores políticos e autoridades públicas que terão a possibilidade de sustentar as suas decisões estratégicas em informação de referência e atualizada.

O Programa Copernicus é o contributo Europeu para a Rede Mundial de Sistemas de Observação da Terra (GEOSS – Global Earth Observation System of Systems) concebida no âmbito do Grupo de Observação da Terra (GEO – Group on Earth Observations).