Apresentação do Nº 9 da Revista Digital rossio estudos de Lisboa – Lisboa Green Capital 2020
-Notícias

Apresentação do Nº 9 da Revista Digital rossio estudos de Lisboa

Tempo médio de leitura: 12 minutos

Já se encontra disponível o número nove da revista digital rossio estudos de Lisboa, um número inteiramente dedicado à temática ambiental. A apresentação fez jus ao formato, tendo acontecido hoje em direto nas redes sociais. Nesta apresentação estiveram presentes a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, o vereador do Ambiente, Clima e Energia e Estrutura Verde, José Sá Fernandes, Margarida Correio Marques, editora convidada para este número e alguns dos autores dos artigos publicados como Maria Rosa Paiva, António Almeida ou Maria José Costa.

Saídos de um ano em que Lisboa hasteou orgulhosamente a bandeira de Capital Verde Europeia, em que repensar a sustentabilidade esteve mais presente do que nunca e em que pensar e agir verde foram o objetivo principal, fazia todo o sentido que o número nove da revista rossio – “uma revista digital do pelouro da cultura, da Direção Municipal da Cultura e gerida pelo Departamento de Património Cultural através do Gabinete de Estudos Olisiponenses”, como nos explica Anabela Pires, coordenadora editorial, no inicio da apresentação – fosse dedicada à temática ambiental, resultando num trabalho coletivo que juntou investigadores, historiadores e cientistas.

Para Catarina Vaz Pinto, a revista “aborda este tema que é tão importante para todos nós que é esta ligação: é Lisboa biológica, na sua diversidade biológica, na sua diversidade geológica e é um tema extremamente oportuno agora, que ainda estamos no rescaldo da capital verde europeia, mas como foi também sempre a ambição da capital europeia de ser um princípio de um percurso até 2030 e, portanto, todos os anos e todos os meses, devemos continuar a celebrar esta ligação entre cultura e ambiente e tratar estes temas do clima e do ambiente porque eles são, de facto, os temas definidores do nosso tempo, como todos nós sabemos, e como consta hoje na agenda internacional”, mostrando-nos que além da pertinência do assunto, é possível aliar cultura e ambiente.

“É uma revista que não nos pára de surpreender”, é assim que José Sá Fernandes se refere a esta edição, acrescentando que “os temas são muito bem abordados” ao mesmo tempo que confidencia que aprendeu imenso, algo que acredita ser das “coisas melhores que nós pudemos ter quando se lê uma revista, que é aprendermos, fazemos aqui uma viagem por termos ambientais muito interessantes”.

Caderno Principal

As mais de 150 páginas e nove artigos que constituem este número prometem-nos levar numa viagem que vai desde o Estuário do Tejo até à estratosfera, onde os domínios ambientais chave para a cidade são abordados, de forma a contribuir para a informação, reflexão e discussão sobre o ambiente lisboeta do presente e para o futuro mais sustentável que se pretende construir na cidade.

Lisboa e o ambiente é o artigo que nos introduz aos artigos seguintes, além de apresentar evidências e reflexões que estiveram na base do realce de cada um dos domínios ambientais contemplados nos restantes artigos.

Olhares artísticos sobre a Natureza em Lisboa aqui a fotografia é aliada à escultura, mostrando a união que existe entre o ambiente e a cultura

Podem elas trepar às árvores? Uma reflexão acerca da necessidade de interação das crianças com os espaços verdes urbanos e suburbanos, ninguém melhor do que o autor, António Almeida, para nos explicar em que consiste esta reflexão “a minha reflexão foi relacionada com a fruição destes espaços naturais e, principalmente, com aqueles que têm uma estruturação menor (Ex: mata de Alvalade, o parque florestal de Monsanto) onde se afastam do modelo tradicional de jardim e que possibilitam determinado tipo de interações, que nós temos mais dificuldades em aceitar em jardins mais estruturados, e onde as crianças não podem tão livremente brincar”.

Ao mesmo tempo é “um apelo, uma reflexão para que quando se idealizam novos espaços verdes para a necessidade de combinar estas duas tendências entre espaços mais estruturados e menos estruturados em que, de facto, aqueles que são menos estruturados encerram enormes potencialidades para as nossas crianças, em termos do interagir com o meio, e também modificar alguma mentalidade em relação a alguns atos mesmo destrutivos que as próprias crianças possam exercer, porque no fundo são atos benéficos para esta interação que se quer que as crianças estabelecem com o ambiente natural”.

Biodiversidade os insetos de Lisboa como arautos, escrito por Maria Rosa Paiva, docente da Universidade Nova de Lisboa e fundadora da Amonet – Associação de Mulheres Cientistas, este é um artigo que nos mostra a importância da biodiversidade e dos insetos para o equilíbrio do planeta.

A autora começa por explicar, na apresentação, que biodiversidade é a “moeda do planeta, o único meio de subsistência para a Humanidade, mas que se encontra em vertiginoso desaparecimento”.

Ao mesmo tempo que explica que o princípio fundamental que rege o planeta é o Princípio da Interconectividade a nível planetário, de Alexander von Humbodt, circa 1803, que nos diz que “na Terra nem o mais pequeno dos seres vivos pode ser considerado individualmente porque tudo (seres vivos e ambiente) está ligado num processo de causa-efeito”.

“Surpreendentemente este princípio foi enunciado há quase 220 anos (…), no entanto, só no século XX foi reconhecido. Para além disso este sistema tem um efeito autorregulador, o que permite a continuidade da vida na terra” diz-nos a investigadora.

“A continuidade da existência de Homo sapiens na terra depende da integridade da biodiversidade porque é ela que determina a saúde dos ecossistemas e a saúde do planeta”, remata a autora.

Mas como não são só de artigos que uma revista se faz, também há espaço para a partilha de 26 publicações, como sugestões de leitura, para quem pretende aprofundar o seu conhecimento na área da sustentabilidade ambiental e na divulgação das ciências do ambiente.
Aqui são privilegiadas “obras de reconhecida técnica científica, mas escritas numa linguagem não formal para serem da compreensão de todos”, refere Margarida Correio Marques, editora convidada da revista, docente na escola de ciências de vida e do ambiente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e investigadora nas áreas da sustentabilidade e ambiente

Caderno Varia

Ao todo são cinco os artigos que constituem o caderno Varia, o segundo caderno que, juntamente com o caderno principal, constituem a revista rossio.

  • Valentim, mestre de ‘outro Valentim’ duas oficinas de escultura em Lisboa no século XVIII – fala-nos de dois escultores do século XVIII, Valentim Gomes da Fonseca e Valentim Santos Carvalho, mestre e discípulo, que têm esculturas em várias igrejas de Lisboa.

  • A inacabada fonte monumental do Campo de Santana e o aproveitamento do seu espólio – descreve o projeto da fonte monumental que nunca foi concretizada, embora alguns dos elementos tenham sido terminados e reaproveitados para outras obras.

  • Representações e reinterpretações de Lisboa antiga na nova cidade pombalina: os eixos, as praças, os landmarks e as periferias – fala das intenções da reconstrução pombalina da baixa da cidade e das novas formas urbanas.

  • Fernão de Magalhães em Lisboa: nos quinhentos anos da primeira volta ao mundo – No âmbito da evocação dos quinhentos anos do descobrimento do estreito de Magalhães em 21 de outubro de 1521, mostramos que Fernão de Magalhães só́ pode realizar um tal feito devido a motivos que se prendem com a sua presença em Lisboa. 

  • Uma praça em frente da escola: sobre a cocriação de um espaço público com adolescentes em Lisboa – A reflexão foca a relação entre adolescentes, espaço público e planeamento urbano e as metodologias colaborativas e cocriativas para alcançar espaços urbanos mais inclusivos, atraentes e responsivos.

Agora que se aproxima a largos passos o fim de semana, vamos aproveitar para colocar a leitura em dia, e a Revista rossio é uma excelente opção para isso, basta carregar aqui, fazer o download e desfrutar das suas páginas cheias de conhecimento.