António Guterres apela aos decisores políticos mundiais que escolham um “caminho de energias limpas” – Lisboa Green Capital 2020
-Notícias

António Guterres apela aos decisores políticos mundiais que escolham um “caminho de energias limpas”

Foi nesta quinta-feira que António Guterres – secretário-geral das Nações Unidas, apelou aos líderes mundiais para que façam melhores escolhas no que toca aos planos de recuperação económica pós-pandemia, escolhendo, desta forma, o “caminho das energias limpas” e incentivando a proibir o carvão e os apoios aos combustíveis fósseis.

“Vamos assumir hoje o compromisso de que não existirá um novo recurso ao carvão e de que iremos acabar com todo o financiamento externo do carvão nos países em desenvolvimento”, declarou Guterres, através de uma mensagem de vídeo, num encontro online promovido pela Agência Internacional de Energia (AIE) que tinha como tema a transição para as energias limpas.

Nesta intervenção, o secretário-geral da ONU, reforçou ainda a ideia de que “O carvão não tem lugar nos planos de recuperação económica pós-covid-19”. “Gostaria hoje de apelar a todos os líderes para que escolham o caminho das energias limpas, por três razões vitais: saúde, ciência e economia”, argumentou.

Para Guterres, “o apoio dirigido à recuperação de setores como a indústria, a aviação e os transportes deve estar condicionado e alinhado com os objetivos do Acordo de Paris” * 

“Devemos parar de desperdiçar fundos com subsídios aos combustíveis fósseis e colocar um preço no carbono. Precisamos de ter em conta o risco climático nas nossas decisões”, nomeadamente nas decisões financeiras, reforçou também o representante da ONU.

Os combustíveis fósseis – carvão, petróleo ou gás, são responsáveis por cerca de 80% das emissões que provam as alterações climáticas.

O secretário-geral realça ainda que as energias renováveis e limpas oferecem mais emprego, cerca de três vezes mais, quando comparadas com as indústrias relacionadas com os combustíveis fosseis, destacando ainda os exemplos positivos dos planos desenvolvidos neste campo pela União Europeia e pela Coreia do Sul. A Nigéria também foi alvo de elogios devido à sua decisão de reformar o plano de subsídios aos combustíveis fósseis.

Contudo, António Guterres lamenta que muitos não tenham recebido a mensagem, fazendo referência a um relatório sobre os planos de recuperação económica previstos no seio do G20 – grupo dos 20 países mais industrializados do mundo, que “mostra que o dobro do dinheiro – dinheiro dos contribuintes – foi gasto em combustíveis fósseis do que em energias limpas”.

*Acordo de Paris

Este acordo inaugurou uma nova era no que toca a negociações internacionais do clima durante a sua criação na 21º Conferencia das Partes (COP21) da UNFCCC em 2015.
Aprovado por 195 países, o Acordo de Paris, compromete-se em manter o aumento médio global abaixo dos 2ºC, mas com preferência abaixo de 1,5ºC.
Para alcançar os objetivos acordados cada governo estabeleceu os seus próprios compromissos, as NDC – Contribuições Nacionalmente Determinadas. Aqui foram apresentadas as diretrizes de cada nação para alcançar a meta, tendo sempre em conta o cenário social e económico do país para a viabilidade