Alterações climáticas vão mudar agricultura da Europa, atenta Agência Europeia do Ambiente – Lisboa Green Capital 2020
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Alterações climáticas vão mudar agricultura da Europa, atenta Agência Europeia do Ambiente

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Um estudo publicado na passada quinta-feira, dia 11 de fevereiro, prevê que as alterações climáticas modifiquem as condições agrícolas e levem ao aumento das pragas na Europa, assim como à alteração das zonas de produção, bem como, torne os rendimentos e preços mais variáveis.

De acordo com o documento, também os padrões de cultivo, o comércio internacional e os mercados regionais serão afetados, ainda que não esteja previsto haver diminuição na produção até 2050, pelo menos.

O estudo alerta para o facto de, apesar da União Europeia (EU) ser autossuficiente, em termos de cereais e legumes, tem de se ter em conta a vulnerabilidade existente relativamente a produtos tropicais importados ou alimentação para animais.

Desta forma, a Agência Europeia do Ambiente (AEA) aconselha a diversificar o comércio, envolvendo mais países e alterando as formas de importação, de forma a evitar riscos de rotura de abastecimento. As políticas públicas podem ajudar ao reduzir a procura de produtos vulneráveis, principalmente dos produtos associados a elevadas pressões ambientais, e a União Europeia deve dar mais apoio para a adaptação internacional às alterações climáticas.

Este estudo combina a informação sobre os impactos das alterações climáticas globais na produção agrícola, com informações acerca do perfil de importação da UE, e a vulnerabilidade dos países de origem dos produtos às alterações climáticas.

De acordo com a AEA, a agricultura é dos setores que se encontra mais suscetível às alterações climáticas, dado que é dependente dos tipos de solo, do clima e da biodiversidade e é, também, afetada pela precipitação, temperatura e humidade. As mudanças no clima podem originar pragas em maior quantidade e diversidade, alterar os comportamentos dos polinizadores ou o crescimento das culturas.

A AEA, mencionando estudos realizados na última década, alerta para uma diminuição da produção de trigo e milho e afirma que as alterações climáticas afetaram negativamente, na última década, a produtividade das principais culturas europeias.

Acrescenta ainda que se deve manter a capacidade de oferta global de alimentos, na próxima década, à medida que a procura aumenta, o que pode alterar-se a longo prazo, com as alterações climáticas a afetarem a produtividade e a “aumentar significativamente” os preços dos produtos.

Segundo a AEA, a Europa não terá “preocupações imediatas de segurança alimentar” devido às alterações climáticas, contudo, é bastante dependente de produtos como o milho e a soja, café, bananas, cacau, óleo de palma, açúcar de cana ou beterraba, produtos importados de poucos países (Estados Unidos da América, Indonésia, Brasil ou Malásia) pelo que nesta área fica mais vulnerável.