Abelhas, hoje é o dia delas! – Lisboa Green Capital 2020
-Notícias

Abelhas, hoje é o dia delas!

“Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.”
Albert Einstein*

As abelhas, juntamente com outros agentes de polinização são fundamentais para o funcionamento de plantações de alimentos, plantas silvestres e ecossistemas. Assim, a Organização das Nações Unidas – ONU, resolveu que, a partir de 2018, o 20 de maio seria o dia Mundial das Abelhas, de forma a relembrar a importância que as mesmas têm para o equilíbrio do ecossistema e desenvolvimento sustentável.
A escolha do dia 20 de maio não foi aleatória, foi neste dia que, em 1734, nasceu Anton Janša, um apicultor esloveno, pioneiro na criação e uso das técnicas modernas de apicultura e de dezenas de monografias sobre o assunto.

Estes pequenos bichos às riscas podem visitar cerca de 7 mil flores por dia atuando, desta forma, como agentes fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas. São também responsáveis, juntamente com outros polinizadores, pela reprodução de diferentes tipos de plantas, incluindo vegetais que nós, humanos, consumimos. A sua importância para a reprodução das plantas é tanta que já há países a declararem como insubstituível – no Reino Unido, a Real Sociedade Geográfica já o fez.

Contudo, apesar da sua importância, as abelhas encontram-se ameaçadas pela ação do homem. O uso, e abuso, de pesticidas, a poluição e as monoculturas que arrasam com a diversidade e, consequentemente, com as flores, fonte principal de alimento das abelhas, são exemplo disso.
Das 68% espécies existentes na Europa 24% estavam, em 2014, em extinção. Nos Estados Unidos, os valores chegaram aos 44% em 2016, segundo dados da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais.

No entanto, este lockdown que nos obrigou a viver em quarentena durante muitas semanas, foi bastante benéfico para as abelhas. Segundo cientistas citados pela BBC, a melhoria na qualidade do ar e o crescimento de plantas que atraem abelhas foram importantes para reverter o acentuado declínio desta espécie. Com menos poluição no ar as abelhas são capazes de sentir mais facilmente os aromas emitidos pelas flores, direcionando-se assim para as que precisam de ser polinizadas.

Mark Brown, professor de ecologia evolutiva na Royal Holloway – Universidade de Londres, revela que as viagens de carro são um perigo para estes polinizadores, sendo que havendo “Menos carros nas estradas também significa outro benefício para as abelhas. É provável que o número de mortes entre abelhas diminua à medida que as viagens de carro diminuem durante o bloqueio. Um estudo de 2015 realizado porpesquisadores canadianos estimou que 24 bilhões de abelhas e vespas são mortas por veículos nas estradas norte-americanas todos os anos”.

Agora, para os especialistas, é importante proteger as abelhas! Apesar de ter havido uma ligeira melhoria não nos podemos esquecer que, antes disto tudo acontecer, elas estavam a diminuir drasticamente. E como se sabe, o eventual desaparecimento destes bichos é, também, perigoso para a nossa sobrevivência. Estes insetos são os maiores polinizadores do planeta, fertilizando um terço dos alimentos que ingerimos e 80% das plantas com flores. A isto acresce o facto de as abelhas, segundo um estudo realizado pelo Corporação Apícola do Chile, serem o único ser vivo que não carrega nenhum agente patogénico, 

A apicultura em Portugal

A evolução desta prática tem sido positiva nos últimos anos, em setembro de 2019, os números apontavam para 11.625 apicultores e 799.133 colonias registadas, representando um crescimento de mais de 30% no número de apicultores e 50% no número de colonias relativamente aos dados de 2013.

Outra das coisas que se verifica é a profissionalização do setor apícola nos últimos anos, com um número maior de colmeias por apicultor. O que representa aspetos positivos de dinâmica do setor e representa uma mais valia do ponto de vista sanitário, na medida em que os aspetos de produtividade e rentabilidade determinam uma gestão higiossanitária mais eficaz dos apiários, segundo explica a DGAV (Direção Geral de Alimentação e Veterinária).

A Quercus, numa nota de imprensa divulgada hoje, reforça a importância destes animais “Se as abelhas desaparecessem surgiria uma enorme dificuldade em alimentar a atual população mundial”. 
“Sem abelhas, grande parte dos produtos agrícolas de que dependemos não existiria, tais como hortícolas, frutos, cereais e forragens para alimentar os animais para consumo humano” assinala a Quercus com uma advertência: “Sem a presença de abelhas no nosso planeta, toda a cadeia alimentar seria seriamente afetada”. O mundo assistiria a uma “enorme perda de biodiversidade, e os ecossistemas entrariam num processo crescente de destruição” com a forte degradação de todos os serviços que estes nos prestam, acrescenta a organização ambientalista.

O que podemos fazer

Apesar da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – FAO, conferir assistência técnica a países que queiram cultivar abelhas-rainha e procurar soluções sustentáveis para a produção e exportação de mel, há coisas que nós podemos fazer para ajudar, como por exemplo;

  • Comprar mel natural de produtores locais;
  • Adquirir produtos de fontes e produtores sustentáveis;
  • Evitar utilizar pesticidas, herbicidas e outros produtos nocivos no jardim;
  • Proteger as colonias de abelhas e, se possível adotar uma criação;
  • Ajudar ecossistemas florestais;
  • Aumentar a consciencialização sobre o quanto estes bichinhos são importantes para um ecossistema equilibrado.

*Citação presente no livro “Não deixem morrer as abelhas” de Frank Littlewall e cujo autor atribui a Albert Einstein.