A Rua Verde – Lisboa Green Capital 2020
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A Rua Verde

Em pleno coração de Lisboa, há uma rua que mais parece uma selva. Assim é a Rua Verde ou Green Street. E os culpados são Armando e Tânia. Comecemos pelo primeiro. Armando Sousa nasceu no Algarve mas foi viver para os Estados Unidos com 4 anos e por lá ficou praticamente durante toda a sua vida. O amor por Portugal falou mais alto e, há cerca de 13 anos, voltou às origens e desta vez preferiu a capital para morar. Escolheu o primeiro andar de uma rua estreita num bairro centenário de Lisboa: a Rua da Silva. Poucos anos depois, chega Tânia Gil. A jovem, natural de Porto Covo, veio para Lisboa concretizar o sonho de lançar a sua linha de jóias e abriu o seu ateliê mesmo por baixo da casa do Sr. Armando. 

Durante anos a fio nunca se cruzaram até que, um dia, o senhor das plantas – como é agora conhecido – acabou por regar a cabeça da jovem artista. Um episódio que quebrou o gelo e que veio dar origem a uma invulgar amizade. De gerações diferentes, aperceberam-se de que tinham interesses em comum: o gosto pelas plantas e pela natureza. O Armando que dedicou toda a sua vida à criação de jardins e a Tânia que materializa as formas da natureza nas suas peças. Mais parece obra do destino.

Mas a história não fica por aqui. Para completar o trio, chega diretamente da China, de malas e bagagens, João Dias. O chefe que decidiu abrir um restaurante precisamente na porta ao lado. Encantado com as plantas do prédio do lado, decidiu continuar o movimento à porta do seu restaurante. Mais tarde,  colocaram um vaso em cada porta. Os vizinhos primeiro estranharam mas depois entranharam. 

Um dia aperceberam-se de que a rua com que se depararam no início era agora uma rua verde repleta de plantas. Os lisboetas ficavam surpreendidos e os turistas paravam para fotografar. Inicialmente queriam um nome em português mas como queriam que fosse compreendido por todos e, já que existia uma pink street, porque não em inglês? Assim surgiu a Green Street Lisbon.

E o objetivo de tornar Lisboa mais verde vai mais longe. Para além do nome, estes guardiões da rua verde querem que a mudança seja maior e, por isso, há uma vontade de tornar a rua mais sustentável. A ideia é incentivar o comércio de rua a adotar hábitos mais verdes (arranjar substitutos do plástico, por exemplo) e passar essas práticas também aos moradores.

Esta não é uma rua qualquer. Aqui está bem vivo o espírito de comunidade. Graças às plantas, os vizinhos estão agora mais próximos e conhecem-se todos. É uma rua onde se falam várias línguas mas onde o sorriso continua a ser a linguagem universal compreendida por todos. Paira no ar um ambiente familiar em que, por momentos, parece que estamos numa pequena vila. Esta é uma rua cheia de campo na cidade. Bem vindos à Green Street Lisbon!