931 milhões de toneladas: é este o total de alimentos desperdiçados em 2019 – Lisboa Green Capital 2020
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931 milhões de toneladas: é este o total de alimentos desperdiçados em 2019

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Mais de 930 milhões de toneladas de alimentos, vendidos em 2019, acabaram no lixo, de acordo com uma nova pesquisa da ONU, divulgada esta quinta-feira, apoiando os esforços globais para reduzir o desperdício de alimentos para metade até 2030.

Produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP, sigla em Inglês para UN Environment Programme) e pela organização parceira WRAP, o Food Waste Index Report 2021 pretende chamar a atenção para os números alarmantes, a nível global, de desperdício alimentar.

Em 2019 os valores de desperdício atingiram as 931 milhões de toneladas de alimentos em todo o mundo. Deste valor cerca de 61% ocorreu a nível doméstico (570 milhões de toneladas), 26% em serviços de distribuição de comida, como restaurantes e cantinas escolares e de hospitais, e 13% em lojas.

Este estudo representa a coleta, análise e modelagem de dados de resíduos alimentares mais abrangente alguma vez feita e oferece uma metodologia para os países medirem as perdas com precisão.

“Se quisermos levar a sério o combate às mudanças climáticas, perda da natureza e da biodiversidade, poluição e resíduos, as empresas, governos e cidadãos de todo o mundo têm que fazer a sua parte para reduzir o desperdício de alimentos”, disse Inger Andersen, diretora executiva do UNEP.

Apesar do desperdício de alimentos ter sido considerado um problema que afeta, principalmente, os países ricos, o relatório constatou que os níveis de desperdício eram surpreendentemente semelhantes em todas as nações, embora os dados sejam mais escassos nos países mais pobres.

O estudo revela que as famílias descartam 11% dos alimentos na fase de consumo da cadeia de abastecimento, enquanto os serviços de alimentação e lojas de retalho desperdiçam cinco e dois por cento, respetivamente.
Isso tem impactos ambientais, sociais e económicos substanciais, de acordo com o relatório, que aponta que oito a dez por cento das emissões globais de gases de efeito estufa estão associadas a alimentos não consumidos.

“A redução do desperdício de alimentos cortaria as emissões de gases de efeito estufa, desaceleraria a destruição da natureza por meio da conversão de terras e poluição, aumentaria a disponibilidade de alimentos e, assim, reduziria a fome e economizava-se para um momento de recessão global”, refere Inger Andersen.

Em Portugal, o relatório indica que são desperdiçados em casa uma média de 861 838 toneladas por ano. Já no nosso país vizinho, em Espanha, o número sobe para 3 613 954 toneladas por ano, e noutros países, como a França e o Reino Unido, registam-se respetivamente 5 522 358 e 5 199 825 toneladas por ano.

Em 2019, cerca de 690 milhões de pessoas foram afetadas pela fome e três biliões não tinham condições para manter uma dieta saudável.
Contra esse pano de fundo, e com a COVID-19 a ameaçar exacerbar esses números, o estudo exorta os consumidores a não desperdiçar alimentos em casa. Também pressiona para que o desperdício de alimentos seja incluído nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), planos por meio dos quais os países se comprometem com ações climáticas cada vez mais ambiciosas no Acordo de Paris.

Enquanto isso, a meta 12.3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) visa reduzir para metade o desperdício alimentar global per capita, no retalho e no consumidor, e minimizar as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento.

“A UN Food Systems Summit deste ano proporcionará uma oportunidade de lançar novas ações ousadas de forma a combater o desperdício de alimentos em todo o mundo”, disse a diretora.

Dados comparáveis ​​em falta

Do número crescente de países que medem o desperdício de alimentos, 14 coletaram dados domiciliares de maneira compatível com o Índice de Desperdício de Alimentos, enquanto os outros 38 países usaram métodos semelhantes à estimativa compatível com o ODS 12.3.

Embora a divisão domiciliar entre alimentos comestíveis e não comestíveis, como conchas e ossos, esteja disponível apenas em países selecionados de alta renda, há uma falta de informação em países de baixa renda, onde as proporções podem ser maiores.
É fundamental preencher essa lacuna de conhecimento, de acordo com o relatório.
O UNEP lançará grupos de trabalho regionais de forma a ajudar os países a medir e a registar o desperdício de alimentos a tempo do próximo relatório no final de 2022. Também dará apoio para que estes desenvolvam linhas de base nacionais de forma a acompanhar o progresso em direção à meta de 2030, assim como ajudará a elaborar estratégias para prevenir o desperdício de alimentos.

Inger Andersen afirma ainda: “Alguns países e atores do setor privado já assumiram o compromisso do ODS12.3 com o coração. Há evidências crescentes de sucesso na redução do desperdício de alimentos – embora não na escala necessária para atingir a meta. Muito mais pode ser feito. Precisamos, por exemplo, de abordar o papel do comportamento do consumidor, em todos os contextos culturais, para atingir a meta. Vamos todos fazer compras com cuidado, cozinhar com criatividade e tornar o desperdício de alimentos em qualquer lugar socialmente inaceitável, enquanto nos esforçamos para fornecer dietas saudáveis e sustentáveis para todos”.