10 Perguntas sobre compostagem – Lisboa Green Capital 2020
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10 Perguntas sobre compostagem

A sustentabilidade ambiental é, sem dúvida, um dos principais desafios do século XXI. Além de estar presente nas agendas políticas globais é, também, um foco de interesse dos cidadãos que se preocupam com a redução da pegada ecológica.

No que diz respeito à separação de resíduos a compostagem doméstica tem ganho cada vez mais adeptos, não só por ser um processo ecologicamente sustentável mas por ser económico. Ao se fazer compostagem reduz-se a quantidade de desperdícios que necessitam de transporte e tratamento e está-se a transformar materiais considerados “lixo” em fertilizantes orgânicos. Com isto reduz-se o volume de lixo, bem como, se evita a compra de adubos e fertilizantes necessários para uma horta, quintal ou floreira.

A Câmara Municipal de Lisboa, juntamente com a Valorsul, pegou neste desafio e criou o Lisboa a Compostar, um projeto de incentivo à compostagem doméstica, no âmbito do Plano Municipal de Gestão de Resíduos da Cidade de Lisboa e do Projeto Europeu FORCE – Cities Cooperating For Circular Economy (HORIZON 2020).

Este projeto visa a formação em compostagem, a oferta de um compostor a quem tem espaço para o instalar e o apoio continuado pela CML aos munícipes, que através de inscrição mostrem interesse em reduzir os seus resíduos domésticos. Caso não haja espaço para instalar o compostor mas tenha interesse neste processo, há sempre a possibilidade de utilizar os compostores comunitários.

Para mais informações, sobre este projeto, ou sobre o processo de compostagem, é só consultar o site da Lisboa a Compostar.

1. O que é a compostagem?
A compostagem é um processo biológico através do qual os micros organismos transformam a matéria orgânica em composto. Este composto, por ser rico em nutrientes, funciona como adubo ou fertilizante dos solos, melhorando assim o crescimento de plantas, relvados e jardins, sendo uma excelente alternativa aos fertilizantes químicos.

2. Quem pode fazer compostagem doméstica?
Qualquer pessoa que tenha um pequeno espaço exterior livre. Basta juntar os restos da preparação da comida e materiais de jardim e despeja-los num compostor. Depois é cobrir com alguns ramos e folhas secas e deixar a natureza seguir o seu curso.

3. Onde se faz a compostagem?
Em compostores domésticos que, em algumas regiões do país, podem ser oferecidos por entidades com responsabilidades na gestão dos resíduos sólidos urbanos, ou adquiridos no mercado, com diferentes formas e volumes. Pode ser feita, também, em montes ou pilhas de compostagem no jardim ou na horta.

4. Onde se pode colocar o compostor?
O local do compostor deve ser de fácil acesso, ter água próximo e estar protegido do vento, de preferência debaixo de uma árvore de folha caduca, de modo a evitar temperaturas elevadas no verão e baixas no inverno (boa mistura de sombra e sol). O compostor deve ser colocado em contacto com a terra, que deverá ter uma boa drenagem de modo a que a água possa escorrer e infiltrar-se quando chover.

5. O que pode ser compostado?
Regra geral, todos os materiais naturais provenientes da cozinha, jardim ou quintal, podem ser colocados no compostor. No entanto, há que ter alguns cuidados para que o processo decorra sem qualquer sobressalto. Por exemplo, se depositar ossos, espinhas ou alimentos cozinhados, no compostor poderá atrair ratos ou outra bicharada indesejável. Os resíduos que podem e devem ser compostados são, normalmente, classificados em “verdes” e “castanhos” conforme o teor de humidade e a proporção de nutrientes. Para que a compostagem decorra da melhor forma, convém ter a maior diversidade de resíduos possível numa proporção igual de “verdes” e “castanhos.

Resíduos Verdes (geralmente húmidos e ricos em azoto):
– Folhas Verdes;
– Aparas de relva fresca;
– Flores;
– Ervas daninhas sem sementes;
– Restos de vegetais e frutas;
– Cascas de ovos esmagadas;
– Borras de café, incluindo os filtros.

Resíduos Castanhos (geralmente secos e ricos em carbono):
– Folhas Secas;
– Relva cortada seca;
– Resíduos de cortes e podas secos;
– Aparas de madeira e serradura;
– Cascas de batata;
– Palha ou feno.

6. O que não deve ser compostado?
De forma a evitar maus odores, pragas ou atrasar o processo, existem alguns resíduos a evitar, como:

  • Resíduos não biodegradáveis – vidro, plásticos, tintas, metais, pilhas, entre outros;
  • Comida cozinhada temperada ou com gordura – podem libertar ácidos gordos que levam ao retardamento do processo da compostagem, diminuindo a qualidade do composto final produzido;
  • Restos de carne, peixe e marisco;
  • Laticínios;
  • Cinzas / Beatas de cigarros – são alcalinizantes, e pode ser prejudicial pois aumenta o pH e causa a volatilização de amoníaco, contribuindo, desta forma, para a emissão de odores desagradáveis e para a diminuição do azoto disponível para as plantas;
  • Medicamentos;
  • Resíduos de plantas tratadas com produtos químicos;
  • Excrementos de animais domésticos;
  • Papel – não deve exceder 10% da pilha. O encerado (jornais e revistas, por exemplo) deve ser evitado pela sua difícil decomposição, bem como, o de cor pois pode conter metais pesados.

7. Quanto tempo demora a compostagem?
A compostagem pode exigir um período de três meses seguido de outro período igual para a maturação do composto. No entanto, estes períodos podem variar consoante o tipo de materiais (os verdes decompõe-se mais rapidamente do que os castanhos), o volume da massa em compostagem e o tamanho das partículas. Partículas pequenas são decompostas mais rapidamente mas precisam de mais arejamento, partículas maiores são decompostas de forma mais lenta e podem exigir mais regas. No final, o composto deverá ter um aspeto homogéneo, cor acastanhada e cheiro a terra húmida.

8. Que fatores influenciam o processo?
É necessário visitar o compostor regularmente pois são vários os fatores que influenciam o processo de compostagem:

  • Oxigénio – A presença de oxigénio no interior dos materiais a compostar é imprescindível para a sobrevivência e atividade dos microrganismos que promovem a compostagem. A falta deste oxigénio conduz à produção de maus odores. Arejar a pilha permite uma decomposição rápida dos materiais e isenta de cheiros. Uma das formas de arejar a pilha é revolver os materiais periodicamente (1 vez por semana)
  • Humidade – A água é fundamental para os microrganismos decompositores, resultando igualmente da atividade destes aquando da transformação de resíduos biodegradáveis. O excesso ou falta de humidade no meio condicionam negativamente a atividade destes seres vivos. De forma a controlar a humidade é fazer o “teste da esponja”: espremer com a mão os resíduos que estão a compostar. Se pingar, está demasiado húmido, o que significa que precisa de juntar mais resíduos castanhos. Se, por outro lado, perceber que está demasiado seco, então precisa de juntar verdes e água.
  • Temperatura – A atividade dos microrganismos provoca variações de temperatura. Valores elevados são essenciais para maximizar a eficiência de decomposição e higienização dos materiais. Na falta de termómetro, espetar uma barra ou tubo de ferro na pilha e esperar alguns minutos. Ao retirar colocar a mão, se a barra estiver quente, está bom. A temperatura considerada ideal ronda os 60° e os 65°C.
  • Tamanho dos materiais – O material a decompor deve estar em pequenos pedaços de forma a maximizar a superfície de contacto com os microrganismos. Por outro lado, partículas demasiado pequenas favorecem a compactação e consequentemente limitam a circulação de oxigénio e água. Materiais estruturantes (como os ramos) ajudam a garantir o espaçamento adequado.

9. Como/onde se pode utilizar o composto?
O composto pode ser misturado, utilizando uma dose de 1% relativamente ao solo, isto é, 100g num vaso de 10 kg de solo. Se o composto for muito muito fresco (pouco maturado) ou muito rico em azoto, as quantidades devem ser reduzidas para metade.

  • Hortas e jardins – pode servir como cobertura ou incorporado no solo;
  • Vasos e sementeiras – duas vezes por ano, início das épocas de produção de outono/inverno e primavera/verão.

10. Como fazer a compostagem?
1. Escolha o local – de preferência à sombra, com um ponto de água e sem vento;
2. Prepare o fundo – coloque uma camada de pequenos ramos para possibilitar o arejamento e impedir a compactação;
3 .Misture os materiais – disponha os resíduos verdes e castanhos em camadas alternadas sendo a ultima a de resíduos castanhos – de forma a diminuir os problemas de odores e a proliferação de insetos e outros animais indesejáveis;
4. Deixe arejar – coloque a pilha de resíduos orgânicos em contacto com a terra para permitir a entrada de microrganismos e a drenagem da água;
5. Mantenha o composto húmido – regue sempre que necessário.